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Esta é a avaliação do psicólogo Chrystian
Barroso Chaves (foto), nosso
entrevistado, natural de Juiz de Fora (MG), onde
reside e colabora com a comunidade virtual
espirita.info e com o Instituto de Difusão
Espírita de Juiz de Fora.
Chrystian é autor dos livros Filosofia moral
de Jesus e Livre-arbítrio: uma reflexão
espírita sobre escolha e determinismo e
coautor dos e-books Sociedades Enfermas
(Uma abordagem espírita do adoecimento social) e
Personalidades Enfermas (Um modelo
espírita dos transtornos mentais), ambos
publicados pela EVOC – Editora Virtual O
Consolador.
A
seguir, a entrevista que ele gentilmente nos
concedeu:
Quando e como se tornou espírita?
Ainda quando criança, acompanhando minha avó aos
centros espíritas.
Algum fato específico teve influência na
sua adesão ao Espiritismo?
Inicialmente, apenas a influência familiar. Mais
tarde, porém, minha adesão se tornou uma escolha
pessoal, pois encontrei no Espiritismo um campo
de estudo e reflexão mais participativo e
condizente com o que acredito, aberto a novas
ideias e à releitura de muitas ideias já
estabelecidas.
Qual aspecto do Espiritismo ou da
prática espírita mais o atrai?
O
estudo em grupo e os fenômenos mediúnicos.
Discute-se atualmente o esvaziamento dos
centros espíritas em decorrência das mudanças
ocorridas durante a pandemia de 2020. Como você
vê essa questão e que medidas lhe parecem
importantes para superar o problema?
Acredito que, após a pandemia, muitas práticas
mudaram, assim como o interesse das pessoas. São
apenas impressões, mas parece que elas passaram
a dedicar menos tempo às atividades presenciais,
que ocupam parte de seu tempo livre, e a
mergulhar mais em vivências virtuais inócuas, de
pouca sustentação e profundidade.
Tenho acompanhado esse fenômeno pela via
profissional. A tentativa de iniciar
relacionamentos por aplicativos, a invasão da
vida pessoal pelo trabalho, por meio de
aplicativos como o WhatsApp, e outras práticas
próprias de um mundo marcado por urgências,
ansiedades e competitividade crescente talvez
tenham levado as pessoas a pensar que não
dispõem de tempo para atender às próprias
necessidades e, ainda, frequentar um centro
espírita ou outro serviço religioso.
Esses fenômenos já existiam antes da pandemia,
mas parecem ter-se intensificado com o avanço
das tecnologias virtuais e das redes sociais.
Tais recursos passaram a oferecer a ilusão de
satisfação, prazer e realização sem a presença
de outras pessoas. Soma-se a isso a ideia de que
estar conectado e absurdamente atualizado é a
maneira mais atual de se sentir incluído e
aceito.
Nesse contexto, diante da escolha entre assistir
a uma palestra, pregação ou missa que considerem
cansativa e sair com amigos ou “maratonar” uma
série, as pessoas podem tentar conciliar as
atividades: ouvem um expositor pelo YouTube na
velocidade 2x enquanto fazem outra coisa. Assim,
têm a sensação de que não precisam escolher nem
renunciar a uma atividade em favor de outra.
Fazer tudo parece ser a solução.
Creio que o melhor caminho para os centros é
adotar um modelo híbrido.
Outra questão momentosa diz respeito à
juventude espírita, cuja participação no
movimento não é mais como foi no passado. Qual é
seu entendimento a respeito do assunto?
Não acredito que a baixa participação seja uma
questão específica da juventude espírita. Os
jovens estão afastados de muitos eventos sociais
e pouco envolvidos em compromissos que exigem
mais esforço para alcançar resultados.
Consequentemente, também estão menos presentes
nos centros espíritas, que lhes prometem paz e
felicidade como resultado de muito esforço e do
treinamento do autocontrole, mas somente após a
morte — em geral, depois de muitas mortes.
Obviamente, estou opinando sobre uma questão
cujo entendimento ainda está em construção, pois
continuamos vivenciando esse fenômeno. Minhas
opiniões, portanto, não passam de lucubrações em
torno de um assunto de difícil compreensão.
O mundo enfrenta dificuldades imensas,
não apenas nas questões econômicas e sociais. Em
face disso, como você imagina que deva ser o
comportamento dos espíritas e, principalmente,
dos que estão à frente das entidades
federativas?
Penso que devem agir com bom senso e evitar
opiniões extremadas diante de questões
importantes, ainda que tenham suas próprias
convicções. A ideia de que precisamos defender o
lado que representamos ou ao qual pertencemos é
ilusória e temerária. Essa postura pode levar à
exclusão de pessoas, à falta de caridade e ao
desrespeito ao próximo.
Figuras públicas são referências e formadoras de
opinião. Ao optarem por essa condição, precisam
considerar as consequências do que expressam
publicamente. Afinal, uma das ideias
fundamentais do Espiritismo é a reencarnação, e
nada garante que, em uma próxima existência,
renasceremos no mesmo grupo social com o qual
temos afinidade.
É
preciso evitar que o julgamento de pessoas em
situação de vulnerabilidade se traduza em
manifestações de condenação ou desprezo, embora
seja natural que façamos avaliações íntimas,
pois ainda não somos perfeitos.
Como você avalia o trabalho de
divulgação espírita atualmente realizado no
Brasil?
Entre os próprios espíritas, a divulgação é
ineficiente e depende de figuras públicas cujas
opiniões nem sempre são ponderadas ou
confiáveis. São verdadeiros showmen ou,
usando um termo mais atual, influenciadores.
Costumam cobrar valores pelos eventos de que
participam e pelas publicações que oferecem,
excluindo, assim, quem não dispõe de recursos
financeiros para acompanhá-los.
Quanto à divulgação para os não espíritas,
acredito que seja praticamente inexistente e que
as poucas iniciativas existentes não despertem
interesse significativo.
Para concluir, o que você recomendaria a
uma pessoa que deseja começar a estudar a
Doutrina Espírita?
Para quem deseja estudar a Doutrina com o
propósito de aprofundar seus conhecimentos,
considero importante participar de um grupo de
estudo, no qual seja possível compartilhar
dúvidas e ideias. Quanto às leituras, minha
sugestão é começar por O que é o Espiritismo,
em paralelo com a leitura de textos da
Revista Espírita.
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