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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

Sempre é tempo de despertar!


O espírito Leon Tolstói, por intermédio de Yvonne A. Pereira, nos concedeu o grandiloquente livro Ressurreição e Vida[1] (seis contos e dois minirromances), com capítulos pautados em algumas histórias ocorridas na Rússia nos tempos do czarismo. No eloquente Primeiro Capítulo – O Reino de Deus, encontra-se o significativo episódio sobre Zaqueu na espiritualidade.

O erudito escritor russo conta-nos quando regressou à Vida Maior; desse modo, ele meditava sobre algumas apreensões guardadas na consciência, bem como rememorava sua passagem na vida material, da qual se despedira nas plagas russas. Tolstói estava pesaroso e refletia naquilo que deixara de fazer de bom às pessoas, tendo em vista ter-se ocupado muito pouco em atitudes voltadas ao bem; isso sopesava-lhe  no cômputo mnemônico a carência do altruísmo em suas atitudes quando estivera na Terra.          

Em suas peregrinações pelo invisível, ansiava encontrar respostas às suas inquirições espirituais, devido à desmaterialização que lhe permitia vislumbrar o que deixara de realizar; desse jeito, almejava as respostas do pensamento inquiridor, e lançava à imensidão suprema seu petitório: “(...) um dia roguei Àquele que é a piedade de me proporcionar ensejos de um aprendizado de legítimo Amor ao próximo, mas um aprendizado que saciasse a minha alma até as suas remotas fibras” (PEREIRA, 2008, p. 15).

Ao vagar na erraticidade, pensativamente, deparou com um vulto a palestrar. Pela irradiação daquele ser que discursava a um pequeno agrupamento espiritual, logo identificou naquela paragem uma psicosfera dos tempos bíblicos – à época de Jesus, na Galileia, uma luz lampejava de forma significativa sobre o grupo –; era Zaqueu, o antigo publicano[2] , o qual pregava aos ouvintes do mundo invisível e contagiava a ínfima plateia que a ele assistia e que se embevecia daquela preleção evangélica.

O escritor russo, como os demais, assentou-se para ouvi-lo, impressionado, pela vibração benéfica emanada do reformado cobrador de impostos na antiga Jericó. Leon Tolstói identificou um semblante perispiritual com a fisionomia judaica, além da barba usada pelos senhores israelitas. A sintonia se estabeleceu por ele guardar nos refolhos mentais muita simpatia pelas narrativas sobre Zaqueu. Ambos se aproximaram para confabular, e ele ouviu o relato daquele ser que se reformara a convite de Jesus – ouviu toda a trajetória do antigo publicano até o suplício do Excelso Rabi, através da crucificação.

Zaqueu narrou-lhe que, uma vez arrasado com a morte do Meigo Nazareno, procurou os seus apóstolos, visitou Lázaro na Betânia, encontrou Pedro em Cafarnaum, porém não ganhou apoio dos filhos de Zebedeu. Doou seus bens aos pobres e deixou sua cidade natal. Assistiu ao apedrejamento do amigo Estêvão, soube depois do episódio ocorrido com o doutor da lei – Saulo de Tarso – e mais tarde tornou-se amigo desse perseguidor que se readaptou com o nome de Paulo.

O ex-publicano interagiu com o novo habitante do Além, que se tocava e modificava intimamente diante das revelações que recebia, para, tempos depois, enviar à Terra seus harmônicos textos e propalar as verdades, tais como: a imortalidade da alma, a pluralidade de existências e a comunicabilidade espiritual. À vista disso, contribuiu na literatura espírita junto a médiuns — como a exímia estudiosa e dedicada tarefeira do Cristo, a nossa querida Yvonne A. Pereira: “E encontrei, então, dentro de mim próprio, aquele Reino de Deus que ele anunciava... Encontrei-o na paz do dever cumprido, que me embalava o coração... (Idem, p. 26)”.

"Assim, caro leitor, mediante este exemplo do renomado literato russo, façamos brilhar dentro de nós uma vívida luz a favor de nós mesmos e dos nossos semelhantes — sempre é tempo de despertar!"


 

[1] FEB.

[2] Lucas, 19:1;10.


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita