Sempre é tempo de despertar!
O espírito Leon
Tolstói, por intermédio de Yvonne A. Pereira, nos
concedeu o grandiloquente livro
Ressurreição e Vida
(seis contos e dois minirromances), com capítulos
pautados em algumas histórias ocorridas na Rússia nos
tempos do czarismo. No eloquente Primeiro Capítulo –
O Reino de Deus, encontra-se o significativo
episódio sobre Zaqueu na espiritualidade.
O erudito escritor russo conta-nos quando regressou à
Vida Maior; desse modo, ele meditava sobre algumas
apreensões guardadas na consciência, bem como rememorava
sua passagem na vida material, da qual se despedira nas
plagas russas. Tolstói estava pesaroso e refletia
naquilo que deixara de fazer de bom às pessoas, tendo em
vista ter-se ocupado muito pouco em atitudes voltadas ao
bem; isso sopesava-lhe no cômputo mnemônico a carência
do altruísmo em suas atitudes quando estivera na Terra.
Em suas peregrinações pelo invisível, ansiava encontrar
respostas às suas inquirições espirituais, devido à
desmaterialização que lhe permitia vislumbrar o que
deixara de realizar; desse jeito, almejava as respostas
do pensamento inquiridor, e lançava à imensidão suprema
seu petitório: “(...) um dia roguei Àquele que é a
piedade de me proporcionar ensejos de um aprendizado de
legítimo Amor ao próximo, mas um aprendizado que
saciasse a minha alma até as suas remotas fibras”
(PEREIRA, 2008, p. 15).
Ao vagar na erraticidade,
pensativamente, deparou com um vulto a palestrar. Pela
irradiação daquele ser que discursava a um pequeno
agrupamento espiritual, logo identificou naquela paragem
uma psicosfera dos tempos bíblicos – à época de Jesus,
na Galileia, uma luz lampejava de forma significativa
sobre o grupo –; era Zaqueu, o antigo publicano
, o qual pregava
aos ouvintes do mundo invisível e contagiava a ínfima
plateia que a ele assistia e que se embevecia daquela
preleção evangélica.
O escritor russo, como os demais, assentou-se para
ouvi-lo, impressionado, pela vibração benéfica emanada
do reformado cobrador de impostos na antiga Jericó. Leon
Tolstói identificou um semblante perispiritual com a
fisionomia judaica, além da barba usada pelos senhores
israelitas. A sintonia se estabeleceu por ele guardar
nos refolhos mentais muita simpatia pelas narrativas
sobre Zaqueu. Ambos se aproximaram para confabular, e
ele ouviu o relato daquele ser que se reformara a
convite de Jesus – ouviu toda a trajetória do antigo
publicano até o suplício do Excelso Rabi, através da
crucificação.
Zaqueu narrou-lhe que, uma vez arrasado com a morte do
Meigo Nazareno, procurou os seus apóstolos, visitou
Lázaro na Betânia, encontrou Pedro em Cafarnaum, porém
não ganhou apoio dos filhos de Zebedeu. Doou seus bens
aos pobres e deixou sua cidade natal. Assistiu ao
apedrejamento do amigo Estêvão, soube depois do episódio
ocorrido com o doutor da lei – Saulo de Tarso – e mais
tarde tornou-se amigo desse perseguidor que se readaptou
com o nome de Paulo.
O ex-publicano interagiu com o novo habitante do Além,
que se tocava e modificava intimamente diante das
revelações que recebia, para, tempos depois, enviar à
Terra seus harmônicos textos e propalar as verdades,
tais como: a imortalidade da alma, a pluralidade de
existências e a comunicabilidade espiritual. À vista
disso, contribuiu na literatura espírita junto a médiuns
— como a exímia estudiosa e dedicada tarefeira do
Cristo, a nossa querida Yvonne A. Pereira: “E encontrei,
então, dentro de mim próprio, aquele Reino de Deus que
ele anunciava... Encontrei-o na paz do dever cumprido,
que me embalava o coração... (Idem, p. 26)”.
"Assim, caro leitor, mediante este exemplo do renomado
literato russo, façamos brilhar dentro de nós uma vívida
luz a favor de nós mesmos e dos nossos semelhantes —
sempre é tempo de despertar!"