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Tempo de superação
Muitas pessoas que frequentam as Casas Espíritas,
buscando tratamento, assistem a palestras e recebem
atendimento, mas nem sempre ficam satisfeitas com a
atenção recebida. Às vezes, queixam-se da demora em se
recuperarem do quadro das enfermidades de que são
portadoras.
Por ingenuidade ou pouco conhecimento doutrinário,
costumam perguntar aos trabalhadores e médiuns por que
algumas pessoas apresentam uma recuperação mais rápida
do que outras. Quais os fatores que poderiam influenciar
nesse processo de recuperação?
Fica difícil responder a essa pergunta, porque existe
uma combinação de elementos que podem apontar a
diversidade de alguns enfermos em relação a outros,
como, por exemplo, a disciplina, que é um fator
importante para o restabelecimento. Mas, em alguns
casos, a insistência e o merecimento são fatores bem
diferentes, que devem ser melhor compreendidos
espiritualmente.
Podemos dizer que o nosso processo de Reforma Íntima e
de superação das nossas questões mais remotas está
relacionado diretamente à nossa trajetória espiritual.
Em outras palavras, o comprometimento moral e espiritual
vai exigir, em alguns casos, um tempo maior de
convalescência do enfermo. O Espírito Emmanuel, em suas
passagens, procura nos chamar a atenção para a relação
entre os acontecimentos passados e o que vivemos no
presente, quando escreveu:
Espíritos culpados! Somos quase todos.
Julgávamos que o poder transitório entre os homens nos
fosse conferido como sendo privilégio e imaginário
merecimento, e usamo-lo por espada destruidora,
aniquilando a alegria dos semelhantes...
Contudo, renascemos nos últimos degraus da
subalternidade, aprendendo quanto dói o cativeiro da
humilhação.
¹
O sofrimento atua como um mecanismo de correção da nossa
trajetória moral, pois corrige os desvios causados pelo
mau uso do livre-arbítrio e impulsiona o espírito
acomodado a buscar, de forma contínua e ativa, o bem,
além de acender a luz da própria consciência espiritual,
despertando no indivíduo a necessidade da transformação
interior.
Da mesma forma que o corpo humano tem um tempo para se
recuperar de uma enfermidade, o espírito também tem um
tempo bastante variável de recuperação dos
desequilíbrios que acumulou ao longo das suas
encarnações.
Algumas pessoas, por fatores pessoais, recuperam-se mais
rápido do que outras. Dessa forma, fica difícil prever
ou até mesmo entender por que dois indivíduos que
passaram pelo mesmo problema têm curvas de superação e
recuperação diferentes.
Existe ainda um outro fator que deve ser levado em
conta. Alguns espíritos, inicialmente, mais por
ignorância do que por maldade, como diz Emmanuel,
resistem ao processo de transformação por não se acharem
merecedores ou dignos da oportunidade de mudança. Já
outros aproveitam essa oportunidade e se dedicam com
fervor, tentando superar o tempo perdido. Existem
aqueles que têm dificuldades de amadurecimento por
limitações pessoais.
O Livro dos Espíritos
nos explica de forma bem didática:
Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles
mesmos que se melhoram?
São os próprios Espíritos que se melhoram e,
melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra
mais elevada.²
Nossa individualidade e o Livre-Arbítrio são os fatores
que vão influenciar em nosso processo evolutivo, levando
em conta que existem a evolução moral e a intelectual,
que acontecem simultaneamente. Dessa forma, esse
processo é pessoal, e cada indivíduo tem uma curva de
evolução particular, na qual a trajetória espiritual,
acrescida do desejo de superar os equívocos do passado,
irá influenciar, ajudando em seu processo de Reforma
Íntima.
Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos
rapidamente para a perfeição?
Certamente. Eles a alcançam mais ou menos rápido,
conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão
que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não
se instrui mais depressa do que outra recalcitrante?
²
Em alguns momentos, poderíamos até dizer que esse
processo pode acelerar ou não, mas nunca regride,
podendo até estacionar por algum tempo, pois o espírito,
motivado por elementos externos ou internos, vai
acelerar sua evolução ou não. O seu amadurecimento do
senso moral será sua bússola da razão e da iniciativa de
evolução pessoal.
Além de Kardec, muitos estudiosos do Espiritismo
procuraram explicar a diversidade da Humanidade como um
todo. Entre eles, podemos destacar o
Consolidador do Espiritismo na Europa, ou o
Apóstolo do Espiritismo, que conheceu e teve
a chance de trocar ideias com o Mestre de Lyon, quando
escreveu:
A reencarnação, afirmada pelas vozes de além-túmulo, é a
única forma racional pela qual se pode admitir a
reparação das faltas cometidas e a evolução gradual dos
seres. Sem ela não se vê sanção moral satisfatória e
completa, não há possibilidade de conceber a existência
de um Ser que governe o universo com justiça.³
Léon Denis afirma que a Lei da Encarnação é o mecanismo
que possibilita oferecer aos espíritos a chance de se
harmonizarem com as leis divinas, pelas oportunidades
oferecidas em cada encarnação, permitindo ao espírito
devedor para com sua consciência saldar suas dívidas
para com as leis de Deus, vivenciando diferentes
experiências e resgatando as faltas cometidas em vidas
anteriores.
Com a doutrina das vidas sucessivas, pelo contrário,
tudo se explica, se torna claro. A lei de justiça
revela-se nas menores particularidades da existência. As
desigualdades que nos chocam resultam das diferentes
situações ocupadas pelas almas nos seus graus infinitos
de evolução. O destino do ser não é mais do que o
desenvolvimento, através das idades, da longa série de
causas e efeitos gerados por seus atos.³
Referências:
1)
Xavier, Francisco Cândido;
Justiça
Divina (1962); Cap. 11 – Culpa e
reencarnação. Ed. FEB.
2)
Kardec, Allan;
O Livro
dos Espíritos (1857); 2ª parte – Cap. 1:
Progressão dos Espíritos – p. 114 e 117; Ed. FEB.
3)
Denis, Léon;
O
Problema do Ser, do Destino e da Dor (1908);
2ª parte – Cap. XIII – As vidas sucessivas – A
encarnação e suas leis; Ed. FEB.
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