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por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

 

A felicidade, ainda, não é um porto de chegada


Procuremos, ao chegar a hora do sono, relaxar e deitar para descansar, com a certeza de que a vida sempre nos concede uma nova chance a cada amanhecer, por ordem do Divino Poder.

Não vencemos de uma só vez – é aos poucos, costurando os dias difíceis, que percebemos estar inteiros novamente para a luta do aperfeiçoamento.

Agradeçamos sempre ao Poder Superior pela manhã; enquanto aqui estivermos, teremos a oportunidade de fazer algo melhor do que no dia anterior.

Não nos enganemos: a felicidade não é um porto de chegada aqui na Terra – é uma construção diária; quanto mais nos aperfeiçoarmos, mais perto dela estaremos.

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, em síntese, afirma que a nossa felicidade será naturalmente proporcional ao bem que fizermos aos outros; e reforça que a felicidade plena não é possível na Terra, pois não somos daqui – ela se realizará na Vida Espiritual, de onde viemos e para onde retornaremos, mais cedo ou mais tarde.

Na questão 922, Kardec indaga aos espíritos, e eles respondem sobre a felicidade relativa no corpo físico: – “Com relação à vida material, consiste em possuir o necessário. Com relação à vida moral, consiste na consciência tranquila e na fé no futuro”.

Os espíritos recomendam que, quanto menos imperfeições tivermos, mais próximos da felicidade chegaremos. Essa reflexão também aparece em Obras Póstumas (“Credo Espírita”) e na Revista Espírita de 1865, reforçando que a verdadeira felicidade é fruto da evolução e da diminuição do egoísmo e do orgulho.

O desapego material e emocional é difícil ao ser humano, em função da própria lei de conservação e do sentimento de propriedade. O homem de bem é aquele que compreende que a felicidade nasce do que há de bom em si e dos frutos que oferece aos outros; mesmo nas dificuldades, mantém a certeza da paz interior.

O Cristo já nos alertou sobre os tesouros no céu (Mateus, 6:19-21), incentivando o acúmulo de riquezas espirituais – como generosidade, amor e boas obras – em vez dos bens materiais, que são passageiros. Significa investir no Reino de Deus por meio do próximo, garantindo valores eternos e seguros.

A felicidade não está na ausência de conflitos, mas na forma como lidamos com eles. Precisamos aprender a gostar de nós mesmos, dos outros e até daqueles que não gostam de nós. Quando a mente se prende à agitação e aos bens materiais, nos afastamos dela. A verdadeira felicidade nasce do equilíbrio interior e da maneira como enfrentamos a vida.

A cada dia percebemos mais que a felicidade não é um porto, mas um caminho. O desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos. Como disse William Shakespeare: “Aprendi que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorrem enquanto a estamos escalando”.
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita