Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Não se pode servir a Deus e a Mamon


Riqueza ou pobreza


Naquele dia, a turma estava extremamente agitada. Durante uma aula de evangelização, em que estudavam o tema “Não se pode servir a Deus e a Mamon”, iniciou-se uma discussão a respeito da riqueza e da pobreza. O evangelizador, sempre moderado, procurava uma maneira de falar às crianças sobre os valores espirituais.

Alguns deles, porém, insistiam em dizer que era necessário vencer na vida para ser feliz, entendendo que “vencer na vida” significava ter muito dinheiro, prestígio e poder para adquirir tudo o que quisesse e satisfazer todos os desejos. Alguns poucos já compreendiam que a verdadeira felicidade não está nas coisas materiais, mas na conquista das virtudes espirituais.

O evangelizador dizia:

— Os recursos materiais são importantes, de fato. O corpo material, para estar bem, precisa de alimento, repouso e proteção. Mas há diferença entre o necessário e o supérfluo. Depois de atendidas as necessidades, não são os recursos materiais os responsáveis pela felicidade do homem.

— O dinheiro é muito bom quando usado para o bem, para promover o progresso, a educação, a saúde... Mas, se for mal usado, pode exacerbar o orgulho e o egoísmo. Por isso, Jesus disse, certa vez, que era difícil um rico entrar no Reino de Deus — continuou ele.

— Nossa! Jesus disse isso? Então é melhor ser pobre mesmo! — comentou André, surpreso.

— Ser pobre também não é passaporte garantido para a felicidade. A pobreza não incentiva o orgulho, mas a pessoa pode não aceitar sua condição e revoltar-se contra Deus e contra os que têm mais dinheiro que ela. Pode até mesmo voltar-se para o crime, por exemplo.

— É mesmo, tio Paulo! — disse Antônio. — Daí é que não vai entrar no Reino de Deus mesmo!

— Mas, então, é melhor ser rico. Se é difícil entrar no Reino de Deus dos dois jeitos, pelo menos o rico aproveita bem sua vida aqui na Terra — disse Joana.

— O melhor é cumprir os planos de Deus! — respondeu o evangelizador. — Ser rico ou ser pobre depende de cada um, mas, acima de tudo, de Deus. Cada um deve procurar fazer o seu melhor e respeitar também a vontade dele. Se Deus permitir a fartura monetária, ótimo; mas, se não permitir, está bom também, pois o importante para o Espírito não é vencer aqui na Terra, e sim aproveitar todas as experiências para evoluir. Dinheiro não é sinônimo de felicidade. Nem todo rico é feliz, e nem todo pobre é triste.

— Entenderam? — perguntou tio Paulo.

— Acho que sim. O importante não é ser rico ou ser pobre. É ser feliz e fazer as coisas certas.

— Isso mesmo! — disse tio Paulo, satisfeito.

O evangelizador distribuiu uma folha de atividades, e as crianças tiveram de refletir ainda um pouco mais sobre o tema. Conversaram também sobre os valores materiais e os valores espirituais e sobre a escolha que cada um tem de fazer entre atender a uns ou a outros.

Quando todos terminaram, a aula foi encerrada calmamente, com uma prece.

As crianças se despediram e foram embora, levando consigo mais um ensinamento importante.


(Adaptação de texto de autoria de Luis Roberto Scholl.)

 


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