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por Rogério Miguez

 

Terra: hospital, penitenciária ou escola?


O mundo que nos abriga – a Terra –, ainda se classifica como um orbe de Provas e Expiações; entretanto, vem avançando para a classe dos planetas de Regeneração, o próximo estágio de evolução. Contudo, ainda precisa de algum tempo para consolidar esta nova condição tão desejada por um pequeno grupo de seus habitantes: os espíritas, pois estes estão informados sobre a lei divina da progressão dos planetas. Entretanto, os que desconhecem este princípio do Criador também irão se beneficiar quando as condições necessárias se derem e a transição acontecer.

Dentro desta classificação atual, é de se esperar que todos os povos aqui residentes ainda se caracterizem por conviverem com muitas aflições, conforme disse Jesus há mais de dois mil anos: No mundo tereis tribulações.

Sim, ainda haverá muito choro e ranger de dentes até que os Espíritos residentes deste planeta tenham se melhorado moralmente, deixando de viver distanciados da Regra Áurea, ou seja: amar ao próximo como a si mesmo.

Sendo assim, é mais do que natural que a Terra possa ser comparada a uma imensa instituição de saúde, um vasto hospital, pois os Espíritos que por aqui ainda permanecem, em sua quase totalidade, estão doentes da mente e, como enfermos, comunicaram e comunicam estes desalinhos mentais aos seus corpos físicos, aos poucos, desarmonizando-os; por isso, há tantas doenças, tanto mentais quanto orgânicas. Portanto, a Terra ainda pode ser considerada um Mundo-Hospital.

É da lei que, segundo o estágio evolutivo do mundo, sejam para ele encaminhados Espíritos que se adequem às características deste particular orbe. Desta forma, se o planeta é de Provas e Expiações, para cá são trazidos Espíritos desajustados, vindos de diversas outras Casas do Pai, pois quem está mentalmente são não precisa mais passar por tantas expiações.

A propósito, sempre que há uma migração de Espíritos na Terra ou são Espíritos que aqui aportam, pois ainda necessitam passar por tribulações vindos de orbes mais atrasados ou que não conseguem se ajustar em mundos superiores onde vivem, sendo as doenças um dos exemplos destas dificuldades, cujo objetivo é provocar o desejo do doente pela saúde e equilíbrio; ou são Espíritos que não se adequam às condições morais da Terra, sendo encaminhados para mundos inferiores à Terra; ou são Espíritos que, por conta de seus esforços continuados, adquirem a condição de migrar para mundos mais elevados. Este fluxo migratório é constante.

Ocorre que os desatinos cometidos por muitos Espíritos são de tal tamanho que precisam ser provisoriamente internados em certos mundos onde, além de estarem sujeitos às muitas enfermidades, também sofrem uma espécie de confinamento. O que se busca é que não prejudiquem mais o próximo e a si mesmos, sendo as condições existentes nestes mundos precárias e condizentes com as necessidades de correção moral e ética destes Espíritos rebeldes e transgressores contumazes das leis eternas. Por esta razão é que a Terra também pode ser vista como um Mundo-Penitenciária.

Por conta destas duas particularidades, entre outras, todos os Espíritos que reencarnam na Terra estão aprendendo, se aprimorando, corrigindo seus maus traços de personalidade e caráter. Assim o fazem, quando em sociedade, pois são obrigados a partilhar desafios e tarefas comuns, melhorando as suas limitações morais e éticas, desenvolvendo suas capacidades intelectuais e, como resultado, a Terra, além de poder ser considerada um amplo hospital ou um grande complexo penitenciário, é, igualmente, um Mundo-Escola.

Este entendimento não é novo, pois há registros em obra básica do Espiritismo sobre o tema:

Num hospital, ninguém vê senão doentes e estropiados; numa penitenciária, veem-se reunidas todas as torpezas, todos os vícios; nas regiões insalubres, os habitantes, em sua maioria, são pálidos, franzinos e enfermiços. Pois bem: figure-se a Terra como um subúrbio, um hospital, uma penitenciária, um sítio malsão, e ela é simultaneamente tudo isso, e compreender-se-á por que as aflições sobrelevam aos gozos, porquanto não se mandam para o hospital os que se acham com saúde, nem para as casas de correção os que nenhum mal praticaram; nem os hospitais e as casas de correção se podem ter por lugares de deleite.¹

E, do mesmo modo que do hospital saem os que se curaram e da prisão os que cumpriram suas penas, o homem deixa a Terra quando está curado de suas enfermidades morais.²

Todavia, não deduzais das minhas palavras [François-Nicolas Madeleine] que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária.³

Em síntese, nosso globo é um misto de Hospital, Penitenciária e Escola, mas não devemos esquecer que também é uma casa, ou seja, um Mundo-Lar. Portanto, cuidemos bem dele, evitando, por exemplo, destruir sistematicamente a Natureza para obter apenas vantagens econômicas. Há bom tempo que as leis físicas governando os fenômenos naturais têm mostrado, por meio de eventos meteorológicos cada vez mais intensos, como estamos maltratando o Planeta: é a resposta simples e imediata ao nosso desrespeito e ganância ao lidar com o nosso Lar-Terra. Mitigar estas catástrofes depende, em parte, de nossas mãos. A decisão é nossa!


Referências:

1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução Guillon Ribeiro. 131. ed. 1. imp. Edição Histórica. Brasília: FEB, 2013. cap. III – Há muitas moradas na casa do Pai – it. 7.

2. Op. cit. cap. III – Há muitas moradas na casa do Pai – it. 7.

3. Op. cit. cap. V – Bem-aventurados os aflitos – it. 20.


   

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita