Terra: hospital,
penitenciária ou
escola?
O mundo que nos abriga – a Terra –, ainda se classifica
como um orbe de Provas e Expiações; entretanto, vem
avançando para a classe dos planetas de Regeneração, o
próximo estágio de evolução. Contudo, ainda precisa de
algum tempo para consolidar esta nova condição tão
desejada por um pequeno grupo de seus habitantes: os
espíritas, pois estes estão informados sobre a lei
divina da progressão dos planetas. Entretanto, os que
desconhecem este princípio do Criador também irão se
beneficiar quando as condições necessárias se derem e a
transição acontecer.
Dentro desta classificação atual, é de se esperar que
todos os povos aqui residentes ainda se caracterizem por
conviverem com muitas aflições, conforme disse Jesus há
mais de dois mil anos: No mundo tereis tribulações.
Sim, ainda haverá muito choro e ranger de dentes até que
os Espíritos residentes deste planeta tenham se
melhorado moralmente, deixando de viver distanciados da
Regra Áurea, ou seja: amar ao próximo como a
si mesmo.
Sendo assim, é mais do que natural que a Terra possa ser
comparada a uma imensa instituição de saúde, um vasto
hospital, pois os Espíritos que por aqui ainda
permanecem, em sua quase totalidade, estão doentes da
mente e, como enfermos, comunicaram e comunicam estes
desalinhos mentais aos seus corpos físicos, aos poucos,
desarmonizando-os; por isso, há tantas doenças, tanto
mentais quanto orgânicas. Portanto, a Terra ainda pode
ser considerada um Mundo-Hospital.
É da lei que, segundo o estágio evolutivo do mundo,
sejam para ele encaminhados Espíritos que se adequem às
características deste particular orbe. Desta forma, se o
planeta é de Provas e Expiações, para cá são trazidos
Espíritos desajustados, vindos de diversas outras Casas
do Pai, pois quem está mentalmente são não precisa mais
passar por tantas expiações.
A propósito, sempre que há uma migração de Espíritos na
Terra ou são Espíritos que aqui aportam, pois ainda
necessitam passar por tribulações vindos de orbes mais
atrasados ou que não conseguem se ajustar em mundos
superiores onde vivem, sendo as doenças um dos exemplos
destas dificuldades, cujo objetivo é provocar o desejo
do doente pela saúde e equilíbrio; ou são Espíritos que
não se adequam às condições morais da Terra, sendo
encaminhados para mundos inferiores à Terra; ou são
Espíritos que, por conta de seus esforços continuados,
adquirem a condição de migrar para mundos mais elevados.
Este fluxo migratório é constante.
Ocorre que os desatinos cometidos por muitos Espíritos
são de tal tamanho que precisam ser provisoriamente
internados em certos mundos onde, além de estarem
sujeitos às muitas enfermidades, também sofrem uma
espécie de confinamento. O que se busca é que não
prejudiquem mais o próximo e a si mesmos, sendo as
condições existentes nestes mundos precárias e
condizentes com as necessidades de correção moral e
ética destes Espíritos rebeldes e transgressores
contumazes das leis eternas. Por esta razão é que a
Terra também pode ser vista como um Mundo-Penitenciária.
Por conta destas duas particularidades, entre outras,
todos os Espíritos que reencarnam na Terra estão
aprendendo, se aprimorando, corrigindo seus maus traços
de personalidade e caráter. Assim o fazem, quando em
sociedade, pois são obrigados a partilhar desafios e
tarefas comuns, melhorando as suas limitações morais e
éticas, desenvolvendo suas capacidades intelectuais e,
como resultado, a Terra, além de poder ser considerada
um amplo hospital ou um grande complexo penitenciário,
é, igualmente, um Mundo-Escola.
Este entendimento não é novo, pois há registros em obra
básica do Espiritismo sobre o tema:
Num hospital, ninguém vê senão doentes e estropiados;
numa penitenciária, veem-se reunidas todas as torpezas,
todos os vícios; nas regiões insalubres, os habitantes,
em sua maioria, são pálidos, franzinos e enfermiços.
Pois bem: figure-se a Terra como um subúrbio, um
hospital, uma penitenciária, um sítio malsão, e ela é
simultaneamente tudo isso, e compreender-se-á por que as
aflições sobrelevam aos gozos, porquanto não se mandam
para o hospital os que se acham com saúde, nem para as
casas de correção os que nenhum mal praticaram; nem os
hospitais e as casas de correção se podem ter por
lugares de deleite.¹
E, do mesmo modo que do hospital saem os que se curaram
e da prisão os que cumpriram suas penas, o homem deixa a
Terra quando está curado de suas enfermidades morais.²
Todavia, não deduzais das minhas palavras
[François-Nicolas Madeleine] que a Terra esteja
destinada para sempre a ser uma penitenciária.³
Em síntese, nosso globo é um misto de Hospital,
Penitenciária e Escola, mas não devemos esquecer que
também é uma casa, ou seja, um Mundo-Lar. Portanto,
cuidemos bem dele, evitando, por exemplo, destruir
sistematicamente a Natureza para obter apenas vantagens
econômicas. Há bom tempo que as leis físicas governando
os fenômenos naturais têm mostrado, por meio de eventos
meteorológicos cada vez mais intensos, como estamos
maltratando o Planeta: é a resposta simples e imediata
ao nosso desrespeito e ganância ao lidar com o nosso
Lar-Terra. Mitigar estas catástrofes depende, em parte,
de nossas mãos. A decisão é nossa!
Referências:
1. KARDEC,
Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
Tradução Guillon Ribeiro. 131. ed. 1. imp. Edição
Histórica. Brasília: FEB, 2013. cap. III – Há muitas
moradas na casa do Pai – it. 7.
2. Op.
cit.
cap. III – Há muitas moradas na casa do Pai – it. 7.
3. Op.
cit.
cap. V – Bem-aventurados os aflitos – it. 20.