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por Marcus De Mario

O Cristo é vida


Fazendo a releitura do maravilhoso romance mediúnico Paulo e Estêvão, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, de autoria do espírito Emmanuel, onde acompanhamos a história comovente e vibrante do apóstolo Paulo de Tarso, e a figura de Estêvão, primeiro mártir do Cristianismo, chamou-nos a atenção o capítulo 5 da primeira parte, quando há um encontro, na Casa do Caminho de Jerusalém, entre o doutor da lei Saulo de Tarso, que futuramente virá a ser o grande divulgador do Evangelho, e o jovem discípulo que morreria defendendo Jesus. À época, Saulo era um doutor da lei judaica intransigente, orgulhoso, defensor das diretrizes mosaicas, considerando Jesus como um galileu que merecia menosprezo, afinal tinha sido condenado e crucificado entre dois ladrões, além do que seus ensinos nada tinham a ver com o Judaísmo, que ele defendia ardorosamente. Foi nessa condição que Saulo ouviu a pregação evangélica de Estêvão, revoltando-se com a afirmação que Jesus era o Salvador, o Messias, o Enviado de Deus, o que ele não podia, ou não queria, aceitar. Há, então, uma fala contrária do doutor da lei e uma réplica feita por Estêvão, da qual vamos destacar seu final, que nos faz meditar com profundidade. Afirma o jovem pregador:

“O Evangelho é amor em sua expressão mais sublime. O Mestre deixou-se imolar transmitindo-nos o exemplo da redenção pelo amor mais puro. Pastor do imenso rebanho, Ele não quer que se perca uma só de suas ovelhas, nem determina a morte do pecador. O Cristo é vida, e a salvação que nos trouxe está na sagrada oportunidade da nossa elevação, como filhos de Deus, exercendo os seus gloriosos ensinamentos.”

Passado o tempo, verificamos que ainda temos muita dificuldade em aceitar Jesus e em seguir os ensinos contidos no Evangelho. A hipocrisia, a indiferença, a revolta, o jogo dos interesses mundanos predominam em boa parte dos seres humanos e suas instituições, num concerto de maldades e violências, como se avidamente muitos procurassem enterrar a Boa Nova o máximo possível, mas que teima em se fazer vista e ouvida por todos, pois que a mensagem de Jesus é universal, contendo a verdade sobre a vida espiritual, e é para todos os tempos, fazendo-se roteiro de luz moral para redenção dos homens e mulheres.

Sim, o Evangelho é amor, pois o amor, o mais sublime dos sentimentos, emana de Deus e vibra em todo o Universo, estando depositado em germe em cada um dos seus filhos. É de nossa competência desenvolver esse sentimento, de encarnação em encarnação, colocando gradativamente em prática o “amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”, como ensinou e exemplificou o Mestre de todos os mestres.

Jesus veio ao mundo de forma simples e deixou-se crucificar entre dois ladrões, para nos dar testemunho desse amor que cobre a multidão dos pecados, desse amor envolto pela humildade e bondade, desse amor que, vivenciado, nos redime, face aos erros que cometemos em existências passadas. Jesus é o amor na sua expressão mais pura, já manifestado em solo terreno, motivo pelo qual é apresentado pelos Espíritos Superiores como o nosso guia e modelo.

Diversas seitas cristãs apresentam Jesus como o Salvador, e o Espiritismo, revivendo o Evangelho, trazendo de volta os ensinos morais nele contidos, esclarece que essa salvação, como muito bem afirma o jovem Estêvão em sua resposta ao doutor da lei, representa a sagrada oportunidade de nos aperfeiçoarmos, de crescermos espiritualmente, através da vivência desses ensinos, aqui e agora, cumprindo na Terra o que Deus, nosso Pai, espera de cada um dos seus filhos.

Por tudo isso, destacamos que o Cristo é Vida! E vida em abundância.

Tenhamos a coragem da fé para não nos deixarmos levar pelos interesses do egoísmo, do orgulho, da vaidade e da prepotência, que nos desviam do Evangelho, o qual não deve ser adaptado ou adequado aos interesses pessoais, pois, diante da maior mensagem que ele representa, somos nós, que nos dizemos cristãos, que devemos nos transformar diante desse código divino de conduta moral.

O arrogante e orgulhoso doutor da lei, equivocado em suas interpretações, de início rejeitou o Evangelho, culminando em sua revolta na perseguição e morte de Estêvão. Mas o germe divino estava depositado em sua alma, e, na glória da estrada de Damasco, diante da presença luminosa do Cristo, ele se entregou e ecoou as palavras que devem se repetir também em nós: Senhor, que queres que eu faça? Foi assim que Saulo, o doutor da lei, transformou-se em Paulo, o apóstolo do Evangelho, e, depois de anos de trabalho a benefício do amor e do bem, ele pode exclamar que já não era ele que vivia, mas sim o Cristo que vivia nele.

O discípulo e o Mestre num encontro de almas, no humilde reconhecimento que o Cristo é o caminho, a verdade e a vida!


Marcus De Mario é escritor, educador, palestrante; coordena o Seara de Luz, grupo on-line de estudo espírita; edita o canal Orientação Espírita no YouTube; é editor-chefe da Revista Educação Espírita; produz e apresenta programas espíritas na internet; possui 41 livros publicados.


 

     
     

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