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O Cristo é vida
Fazendo a releitura do maravilhoso romance mediúnico
Paulo e Estêvão, psicografado pelo médium Francisco
Cândido Xavier, de autoria do espírito Emmanuel, onde
acompanhamos a história comovente e vibrante do apóstolo
Paulo de Tarso, e a figura de Estêvão, primeiro mártir
do Cristianismo, chamou-nos a atenção o capítulo 5 da
primeira parte, quando há um encontro, na Casa do
Caminho de Jerusalém, entre o doutor da lei Saulo de
Tarso, que futuramente virá a ser o grande divulgador do
Evangelho, e o jovem discípulo que morreria defendendo
Jesus. À época, Saulo era um doutor da lei judaica
intransigente, orgulhoso, defensor das diretrizes
mosaicas, considerando Jesus como um galileu que merecia
menosprezo, afinal tinha sido condenado e crucificado
entre dois ladrões, além do que seus ensinos nada tinham
a ver com o Judaísmo, que ele defendia ardorosamente.
Foi nessa condição que Saulo ouviu a pregação evangélica
de Estêvão, revoltando-se com a afirmação que Jesus era
o Salvador, o Messias, o Enviado de Deus, o que ele não
podia, ou não queria, aceitar. Há, então, uma fala
contrária do doutor da lei e uma réplica feita por
Estêvão, da qual vamos destacar seu final, que nos faz
meditar com profundidade. Afirma o jovem pregador:
“O Evangelho é amor em sua expressão mais sublime. O
Mestre deixou-se imolar transmitindo-nos o exemplo da
redenção pelo amor mais puro. Pastor do imenso rebanho,
Ele não quer que se perca uma só de suas ovelhas, nem
determina a morte do pecador. O Cristo é vida, e a
salvação que nos trouxe está na sagrada oportunidade da
nossa elevação, como filhos de Deus, exercendo os seus
gloriosos ensinamentos.”
Passado o tempo, verificamos que ainda temos muita
dificuldade em aceitar Jesus e em seguir os ensinos
contidos no Evangelho. A hipocrisia, a indiferença, a
revolta, o jogo dos interesses mundanos predominam em
boa parte dos seres humanos e suas instituições, num
concerto de maldades e violências, como se avidamente
muitos procurassem enterrar a Boa Nova o máximo
possível, mas que teima em se fazer vista e ouvida por
todos, pois que a mensagem de Jesus é universal,
contendo a verdade sobre a vida espiritual, e é para
todos os tempos, fazendo-se roteiro de luz moral para
redenção dos homens e mulheres.
Sim, o Evangelho é amor, pois o amor, o mais sublime dos
sentimentos, emana de Deus e vibra em todo o Universo,
estando depositado em germe em cada um dos seus filhos.
É de nossa competência desenvolver esse sentimento, de
encarnação em encarnação, colocando gradativamente em
prática o “amar a Deus acima de todas as coisas, e ao
próximo como a si mesmo”, como ensinou e exemplificou o
Mestre de todos os mestres.
Jesus veio ao mundo de forma simples e deixou-se
crucificar entre dois ladrões, para nos dar testemunho
desse amor que cobre a multidão dos pecados, desse amor
envolto pela humildade e bondade, desse amor que,
vivenciado, nos redime, face aos erros que cometemos em
existências passadas. Jesus é o amor na sua expressão
mais pura, já manifestado em solo terreno, motivo pelo
qual é apresentado pelos Espíritos Superiores como o
nosso guia e modelo.
Diversas seitas cristãs apresentam Jesus como o
Salvador, e o Espiritismo, revivendo o Evangelho,
trazendo de volta os ensinos morais nele contidos,
esclarece que essa salvação, como muito bem afirma o
jovem Estêvão em sua resposta ao doutor da lei,
representa a sagrada oportunidade de nos aperfeiçoarmos,
de crescermos espiritualmente, através da vivência
desses ensinos, aqui e agora, cumprindo na Terra o que
Deus, nosso Pai, espera de cada um dos seus filhos.
Por tudo isso, destacamos que o Cristo é Vida! E vida em
abundância.
Tenhamos a coragem da fé para não nos deixarmos levar
pelos interesses do egoísmo, do orgulho, da vaidade e da
prepotência, que nos desviam do Evangelho, o qual não
deve ser adaptado ou adequado aos interesses pessoais,
pois, diante da maior mensagem que ele representa, somos
nós, que nos dizemos cristãos, que devemos nos
transformar diante desse código divino de conduta moral.
O arrogante e orgulhoso doutor da lei, equivocado em
suas interpretações, de início rejeitou o Evangelho,
culminando em sua revolta na perseguição e morte de
Estêvão. Mas o germe divino estava depositado em sua
alma, e, na glória da estrada de Damasco, diante da
presença luminosa do Cristo, ele se entregou e ecoou as
palavras que devem se repetir também em nós: Senhor, que
queres que eu faça? Foi assim que Saulo, o doutor da
lei, transformou-se em Paulo, o apóstolo do Evangelho,
e, depois de anos de trabalho a benefício do amor e do
bem, ele pode exclamar que já não era ele que vivia, mas
sim o Cristo que vivia nele.
O discípulo e o Mestre num encontro de almas, no humilde
reconhecimento que o Cristo é o caminho, a verdade e a
vida!
Marcus De Mario é escritor,
educador, palestrante; coordena o Seara de Luz, grupo
on-line de estudo espírita; edita o canal Orientação
Espírita no YouTube; é editor-chefe da Revista Educação
Espírita; produz e apresenta programas espíritas na
internet; possui 41 livros publicados.
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