Entrevista

por Orson Peter Carrara

Mediunidade e dedicação ao bem: experiência longeva marcante


Natural de Bariri (SP) e residente na capital paulista, Marici de Queiroz Accioly (foto) formou-se no Magistério e foi professora do Ensino Básico, aposentando-se em 1990. Vincula-se à Fraternidade Espírita Cristã Batuíra, de Jacareí (SP), que ajudou a fundar com o marido Paulo Sérgio de Barros Accioly, mais um grupo de amigos, entre eles Francisco Américo Lopes Anselmo (mais conhecido como “Gordo”), que é o atual coordenador administrativo. Exerce o cargo de coordenadora dos Trabalhos Espirituais e de Assistência Social (mesmo a distância), mantidos pela instituição, trabalhando on-line em vários dias da semana, inclusive com cursos doutrinários. A instituição também mantém o BPR – Batuíra Projeto Renascer, que atende gestantes carentes e suas famílias. Conheçamos essa notável personalidade.

 

Como conheceu o Espiritismo?

Nasci em lar católico. Meus pais eram católicos e me levaram para a Igreja, mas meus avós paternos eram espíritas. Quando conheci o Paulo, meu esposo, ele participava da Escola de Médiuns na FEESP e me convidou para assistir a algumas palestras nos domingos de manhã. Fui-me interessando pelos temas, porque tinha muitas dúvidas sobre a Justiça de Deus e as diferenças gritantes entre as pessoas, e aqueles conceitos iam-me esclarecendo. Li o livro Nosso Lar, que ele me ofereceu, e encontrei ali a verdade sobre a vida depois da morte, e a responsabilidade, que temos, de viver de acordo com o Evangelho de Jesus. Tornei-me espírita! Comecei a ler, iniciando pelos romances mediúnicos e, depois, os livros de natureza doutrinária.

E depois, com esse conhecimento, o que mais a marcou nesse contato com o Espiritismo?

Foram a responsabilidade e a consciência da necessidade da nossa transformação para melhor, em todos os dias das nossas vidas. Viver de acordo com as Leis de Deus.  Era o Espiritismo me fazendo encontrar Jesus.

E a mediunidade? Relate essa experiência.

Quando católica, sempre gostei muito de rezar e quando orava sentia que algo surreal iria acontecer e eu sentia muito medo. Depois de alguns anos, já espírita, quando eu orava sentia algo diferente nos braços e algumas ideias estranhas... o Paulo me dizia que poderiam ser indícios de Mediunidade. Nessa época, eu já tinha 5 filhos, o caçula estava com 1 ano e nós dois frequentávamos o CE Amor a Jesus de Jacareí. Era o ano de 1975. Eu estava orando em casa, sozinha, as crianças já estavam dormindo, o Paulo estava numa reunião e eu comecei a sentir aquelas coisas estranhas e pensei:- se isso for mediunidade, que seja agora! Peguei papel e lápis e disse - "Se houver alguém que queira se comunicar, estou pronta!"  Fiz uma prece sentida e Batuíra me ditou algumas palavras dizendo que tínhamos um trabalho a realizar. Quando o meu esposo chegou mostrei-lhe o escrito e a partir do dia 16 de dezembro, juntos em oração, recebemos, durante 40 dias, comunicações de Batuíra, que depois disso passaram a ser semanais, em casa ainda, com a presença de alguns amigos de Casas Espíritas de Jacareí- do CE Paula Ortiz, do CE Amor e Caridade e do CE Amor a Jesus. O trabalho começava!

E a instituição Batuíra, fundada em Jacareí?  O que gostaria de relatar?

Desse encontro com Batuíra, surgiu a ideia da criação de uma nova Casa Espírita. A Fraternidade Espírita Cristã Batuíra foi fundada em 19 de março de 1977, em uma reunião festiva de orações e congraçamento, na casa onde nós residíamos.  E no ano de 1978, em 18 de setembro, fizemos a primeira Reunião de Orações no prédio novo. Fomos construindo a sede, aos poucos.

Quais os focos de trabalho, além dos doutrinários, mantidos pela casa?

Sempre atendemos muitas famílias com visitas domiciliares e doações de alimentos, roupas, agasalhos e cobertores, além de brinquedos e enxovais de bebês. Em 1991, os enxovais de bebês eram doados para as gestantes assistidas, sem compromisso. e então resolvemos que as Mães Gestantes deveriam fazer um cursinho conosco, que tratasse de assuntos de Cuidados com a maternidade e com os bebês e sobre Saúde, Higiene e Evangelho, para que tivessem melhor qualidade de vida. Além do Enxoval, elas receberiam também, uma Cesta Básica semanal e almoço. Iniciava-se ali, o BPR Batuíra Projeto Renascer, que em 1999 ganhou uma ampla sede própria, onde funciona hoje, atendendo, por ano, cerca de 120 Mães Gestantes e suas famílias. Oferecendo também alguns Cursos Profissionalizantes.

Fale-nos de Meimei e seu livro. É o único? chegou publicar outros antes? Há projetos para o futuro?

No início das mensagens de Batuíra, eu comecei a receber também outros Espíritos e entre eles o de Meimei, que falou ao nosso coração durante os quase 50 anos de Mediunidade. Temos um grande acervo dessas mensagens que foram publicadas desde 1976 no jornal Diário de Jacareí, até 2017. Uma das antigas proprietárias, a Dra. Maria Eloisa do Nascimento, guardou disquetes desse material que juntamos ao que eu possuía e resolvemos editar, em 2024, um livro com mensagens de Batuíra - Batuíra, Luz que Ilumina - que no momento está esgotado; e neste ano, em 25 de julho, lançamos o livro com mensagens de Meimei - Falas do Coração. Anteriormente, lancei dois livros de poesias - Retratos e A Casa das Minhas Lembranças e um livro com cinco histórias infantis - Histórias da Tia Marici - com todos os lucros auferidos em benefício do BPR Batuíra Projeto Renascer. Temos muito material ainda, quem sabe publicaremos, no futuro, mais alguns livros, porque as mensagens são muito edificantes e consoladoras.

Em sua experiência de vida longeva, o que seu sentimento diria aos que hoje continuam ou iniciam as tarefas?

Que jamais percam a esperança! Que aprendam que o amor é a grande alavanca da evolução!

Que permaneçam fiéis na sua boa luta! Que o grande objetivo desta existência é a nossa renovação espiritual!

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Que jamais nos afastemos de Jesus! Que a Causa é maior do que pessoas e cargos, porque é a Causa do Cristo! Que honremos a nossa vida material trabalhando, servindo e amando, pois é nessa abençoada escola que nos preparamos para a grande escalada, em rumo da nossa evolução espiritual.

Suas palavras finais.

Apenas sinto que o trabalho na Casa Espírita faz parte da nossa vida. Seja de que tamanho for e onde se localize. O importante é trabalhar! E é, com o amor que o realizamos e pelo bem que se espalha ao seu redor, que podemos contribuir para o bem comum dessa nossa Humanidade tão carente de Paz de Espírito e de Vivência de Amor!

 
 

 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita