Entrevista

por Orson Peter Carrara

Consciência espírita: dedicação, perseverança e conhecimento
são requisitos essenciais


Natural de São João da Boa Vista (SP), onde também reside, Sonia Mara Gualtieri Valim Zilli (foto) é formada em Pedagogia para Excepcionais e atua como analista de Educação Ambiental na CETESB. Vincula-se ao Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Joseph, onde exerce o cargo de coordenadora de Educação Espírita. Entrevistamo-la sobre sua vivência espírita.


Como conheceu o Espiritismo?

Conheci o Espiritismo por intermédio da família de minha mãe, que é espírita. Então, sempre tive acesso às conversas e orientações dela e dos meus tios. Tinha também acesso à literatura e li muitos livros antes de começar a frequentar assiduamente o Centro.

E o que mais lhe chama a atenção no tríplice aspecto do Espiritismo?

A lógica racional e, ao mesmo tempo, a liberdade da Doutrina. E, principalmente, o seu caráter dinâmico. Não é uma Doutrina pronta. Ela nos acompanha e se expande conforme vamos entendendo e nos aprofundando em suas verdades.

Fale-nos de seu vínculo com a instituição a que se dedica atualmente.

Minha mãe e minha avó frequentavam a casa desde o início. O Movimento da Fraternidade sempre foi muito caro ao meu coração. Sinto que é um ideal de alma. Comecei a frequentar o G. F. Irmão Joseph quando tinha 18 anos e percebi sinais de minha mediunidade. É, com certeza, a minha Casa de coração.

Fiquei longe por 14 anos, quando me casei e fui morar em São Paulo, mas com muita saudade desse ambiente. Voltei para São João em 1995 e, com alegria, também retornei ao trabalho do Centro, junto com meu marido, minha filha e todos os amigos-irmãos do Joseph.

Conte-nos aspectos históricos importantes da instituição.

Os Grupos da Fraternidade começaram a ser formados em Belo Horizonte, na década de 1950, para tratamentos e curas, sob orientação da Espiritualidade Maior, por intermédio de médiuns, entre eles Peixotinho, e com alguma participação de Chico Xavier também. Foram informados de que se tratava de um movimento idealizado e orientado por André Luiz, para a expansão da Fraternidade no mundo.

O Grupo Irmão Joseph foi o segundo a ser criado dentro desse movimento. Neste ano, em setembro, completará 70 anos de trabalhos doutrinários e de atendimento assistencial e fraterno ininterruptos.

A sede reformada ficou muito bonita, agradável, acolhedora. Fale-nos dessa experiência.

Foi um desafio que a atual diretoria precisou assumir, pois o prédio é de 1956 e, até então, só havia passado por algumas manutenções e pequenas reformas necessárias. Mas, com o tempo, a deterioração foi acontecendo no reboco, na instalação elétrica, nos pisos e nas janelas. Até que a Prefeitura Municipal nos cobrou a construção de uma rampa e de um banheiro acessível.

Então, com a imensa ajuda da Espiritualidade Maior, conseguimos realizar a reforma e trabalhamos em conjunto, com harmonia, nas decisões necessárias. Hoje, nossa sede está pronta e segura para muitos outros anos de trabalho.

Dessa vivência toda, ao longo das décadas, o que gostaria de relatar aos leitores?

Gostaria que todos refletissem sobre duas frases que, para mim, foram muito importantes:

  1. Do livro Nosso Lar: “Quando o trabalhador está pronto, o trabalho aparece.”

  2. De O Evangelho segundo o Espiritismo: “Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.”

Sendo assim, não tenhamos medo, porque a Espiritualidade Maior estará sempre ao nosso lado quando trabalhamos na obra de Jesus. Não estamos desamparados nunca.

Da convivência com Raul Teixeira, que aspecto mais marcou a vida familiar?

Raul é um amigo muito querido do nosso coração. Ele chegou às nossas vidas quando ainda éramos jovens, tanto na vida quanto na Doutrina. Fui coordenadora da Mocidade do Irmão Joseph e, por isso, nos engajamos nos encontros de Unificação da USE/SP. Raul, apesar de também ser jovem, já fazia palestras nessa época, em 1982, e já era bem conhecido e respeitado no ambiente espírita, além de estar envolvido com as Mocidades.

E foi assim que nos encontramos. Foi como encontrar um amigo, irmão e mestre. Ele, apesar de morar em Niterói e nós, em São João/São Paulo, já tinha convivido mais com meu marido, que o acompanhava em viagens de trabalho doutrinário. Eu, porém, só estreitei nossa amizade quando ele fez doutorado em São Paulo e ficava nos fins de semana em nossa casa.

Como marcou nossa vida! Sempre com muito carinho e afeto. Hoje, apesar de nos vermos muito menos, sei que tenho um irmão cuja amizade me emociona e com quem, graças à internet, podemos nos dizer “bom dia” todos os dias.

De sua experiência doutrinária e mediúnica, o que se sobressai em termos de aprendizado?

Já fui mais ansiosa e insegura. Hoje, acho que a Doutrina Espírita me trouxe uma tranquilidade espiritual e a certeza de que tudo caminha conforme o necessário. Temos inúmeras lutas na vida, mas, sem comodismo ou conformismo, saber que ninguém morre, nenhum amor se perde e que todos temos um destino rumo à felicidade, para mim, é inspirador e não me faz perder o entusiasmo, apesar do momento difícil que estamos passando como humanidade.

A experiência mediúnica, para mim, é aprendizado todos os dias. No intercâmbio com os Espíritos, sejam mentores ou necessitados, sempre aprendemos sobre justiça, amor e empatia.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Gostaria de convidar a todos a procurarem conhecer e entender a Doutrina Espírita, porque ela nos traz liberdade, consolo e esperança todos os dias. Com ela, muitos esclarecimentos chegam para acalentar nossa alma.

Suas palavras finais.

Quero agradecer e dizer que me sinto muito honrada por esta oportunidade. Que Deus os abençoe sempre nesse trabalho de divulgação da nossa Doutrina Espírita.

 
 

 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita