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Natural de São João da Boa Vista (SP), onde
também reside, Sonia Mara Gualtieri Valim Zilli
(foto) é formada em Pedagogia para
Excepcionais e atua como analista de Educação
Ambiental na CETESB. Vincula-se ao Grupo da
Fraternidade Espírita Irmão Joseph, onde exerce
o cargo de coordenadora de Educação Espírita.
Entrevistamo-la sobre sua vivência espírita.
Como conheceu o Espiritismo?
Conheci o Espiritismo por intermédio da família
de minha mãe, que é espírita. Então, sempre tive
acesso às conversas e orientações dela e dos
meus tios. Tinha também acesso à literatura e li
muitos livros antes de começar a frequentar
assiduamente o Centro.
E o que mais lhe chama a atenção no tríplice
aspecto do Espiritismo?
A lógica racional e, ao mesmo tempo, a liberdade
da Doutrina. E, principalmente, o seu caráter
dinâmico. Não é uma Doutrina pronta. Ela nos
acompanha e se expande conforme vamos entendendo
e nos aprofundando em suas verdades.
Fale-nos de seu vínculo com a instituição a que
se dedica atualmente.
Minha mãe e minha avó frequentavam a casa desde
o início. O Movimento da Fraternidade sempre foi
muito caro ao meu coração. Sinto que é um ideal
de alma. Comecei a frequentar o G. F. Irmão
Joseph quando tinha 18 anos e percebi sinais de
minha mediunidade. É, com certeza, a minha Casa
de coração.
Fiquei longe por 14 anos, quando me casei e fui
morar em São Paulo, mas com muita saudade desse
ambiente. Voltei para São João em 1995 e, com
alegria, também retornei ao trabalho do Centro,
junto com meu marido, minha filha e todos os
amigos-irmãos do Joseph.
Conte-nos aspectos históricos importantes da
instituição.
Os Grupos da Fraternidade começaram a ser
formados em Belo Horizonte, na década de 1950,
para tratamentos e curas, sob orientação da
Espiritualidade Maior, por intermédio de
médiuns, entre eles Peixotinho, e com alguma
participação de Chico Xavier também. Foram
informados de que se tratava de um movimento
idealizado e orientado por André Luiz, para a
expansão da Fraternidade no mundo.
O Grupo Irmão Joseph foi o segundo a ser criado
dentro desse movimento. Neste ano, em setembro,
completará 70 anos de trabalhos doutrinários e
de atendimento assistencial e fraterno
ininterruptos.
A sede reformada ficou muito bonita, agradável,
acolhedora. Fale-nos dessa experiência.
Foi um desafio que a atual diretoria precisou
assumir, pois o prédio é de 1956 e, até então,
só havia passado por algumas manutenções e
pequenas reformas necessárias. Mas, com o tempo,
a deterioração foi acontecendo no reboco, na
instalação elétrica, nos pisos e nas janelas.
Até que a Prefeitura Municipal nos cobrou a
construção de uma rampa e de um banheiro
acessível.
Então, com a imensa ajuda da Espiritualidade
Maior, conseguimos realizar a reforma e
trabalhamos em conjunto, com harmonia, nas
decisões necessárias. Hoje, nossa sede está
pronta e segura para muitos outros anos de
trabalho.
Dessa vivência toda, ao longo das décadas, o que
gostaria de relatar aos leitores?
Gostaria que todos refletissem sobre duas frases
que, para mim, foram muito importantes:
-
Do livro Nosso Lar: “Quando o
trabalhador está pronto, o trabalho
aparece.”
-
De O Evangelho segundo o Espiritismo:
“Fé inabalável é somente aquela que pode
encarar a razão face a face, em todas as
épocas da Humanidade.”
Sendo assim, não tenhamos medo, porque a
Espiritualidade Maior estará sempre ao nosso
lado quando trabalhamos na obra de Jesus. Não
estamos desamparados nunca.
Da convivência com Raul Teixeira, que aspecto
mais marcou a vida familiar?
Raul é um amigo muito querido do nosso coração.
Ele chegou às nossas vidas quando ainda éramos
jovens, tanto na vida quanto na Doutrina. Fui
coordenadora da Mocidade do Irmão Joseph e, por
isso, nos engajamos nos encontros de Unificação
da USE/SP. Raul, apesar de também ser jovem, já
fazia palestras nessa época, em 1982, e já era
bem conhecido e respeitado no ambiente espírita,
além de estar envolvido com as Mocidades.
E foi assim que nos encontramos. Foi como
encontrar um amigo, irmão e mestre. Ele, apesar
de morar em Niterói e nós, em São João/São
Paulo, já tinha convivido mais com meu marido,
que o acompanhava em viagens de trabalho
doutrinário. Eu, porém, só estreitei nossa
amizade quando ele fez doutorado em São Paulo e
ficava nos fins de semana em nossa casa.
Como marcou nossa vida! Sempre com muito carinho
e afeto. Hoje, apesar de nos vermos muito menos,
sei que tenho um irmão cuja amizade me emociona
e com quem, graças à internet, podemos nos dizer
“bom dia” todos os dias.
De sua experiência doutrinária e mediúnica, o
que se sobressai em termos de aprendizado?
Já fui mais ansiosa e insegura. Hoje, acho que a
Doutrina Espírita me trouxe uma tranquilidade
espiritual e a certeza de que tudo caminha
conforme o necessário. Temos inúmeras lutas na
vida, mas, sem comodismo ou conformismo, saber
que ninguém morre, nenhum amor se perde e que
todos temos um destino rumo à felicidade, para
mim, é inspirador e não me faz perder o
entusiasmo, apesar do momento difícil que
estamos passando como humanidade.
A experiência mediúnica, para mim, é aprendizado
todos os dias. No intercâmbio com os Espíritos,
sejam mentores ou necessitados, sempre
aprendemos sobre justiça, amor e empatia.
Algo mais que gostaria de acrescentar?
Gostaria de convidar a todos a procurarem
conhecer e entender a Doutrina Espírita, porque
ela nos traz liberdade, consolo e esperança
todos os dias. Com ela, muitos esclarecimentos
chegam para acalentar nossa alma.
Suas palavras finais.
Quero agradecer e dizer que me sinto muito
honrada por esta oportunidade. Que Deus os
abençoe sempre nesse trabalho de divulgação da
nossa Doutrina Espírita.
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