Especial

por Marcus De Mario

O amor e a educação


Amor é sentimento, disposição afetiva para com outro ser, não se confunde com o sexo, que é energia e deve estar a serviço do sentimento e não do instinto biológico. Por muitas vezes confundirmos o amor com o sexo, damos origem a variados dramas na vida com alta dose de desgaste emocional e relacional tanto para nós quanto para os outros. Pois bem, sabendo que amor é sentimento, que por sua vez significa disposição afetiva para com outro ser, e que pertence exclusivamente ao ser humano, pois os animais cuidam de suas crias por instinto, já podemos vislumbrar que o professor, a quem cabe importante papel na educação das novas gerações, não pode ser um burocrata do ensino, um obediente servidor do currículo, um passador de conteúdos. Ele é um ser humano que lida com seres humanos! E todo ser humano é dotado de sentimento!

Jesus marcava seus educandos, fossem discípulos diretos, indiretos, interlocutores diversos ou pessoas na multidão, com seu amor e sua inteligência, com sua dedicação e seu fazer pensar, com seu domínio do conhecimento e sua mansuetude e firmeza no ouvir e falar. Deixou claro que o amor é a chave do progresso e da conquista do reino dos céus.

O evangelista e discípulo direto Mateus, transcreve no capítulo 22, versículos 34 a 40 de seu evangelho, diálogo entre um fariseu e Jesus, quando o doutor da lei indaga: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”. Sem se abalar, e com firmeza, Jesus respondeu: “Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, este é o maior e primeiro mandamento”. Fazendo pequena pausa, continuou: “E o segundo (mandamento), semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E para deixar o ensino sem nenhuma dúvida, o Mestre arremata: “Estes dois mandamentos contém toda a lei e os profetas”.

Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo são as duas regras fundamentais da vida, pilares de todo o edifício existencial humano e universal. Por esse motivo o educador Johan Heinrich Pestalozzi (1746-1827) entendeu que “o amor é o eterno fundamento da educação”.

Para entendermos com mais profundidade o amor, vamos transcrever de Léon Denis, em seu livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, trechos do capítulo 25, dedicado ao tema:

 

“Princípio da vida universal, (o amor) fornece à alma, em suas manifestações mais elevadas e mais puras, aquela intensidade de irradiação que reconforta, vivifica tudo à volta dela; é através dele que a alma se sente estreitamente ligada à potência divina, foco ardente de toda vida, de todo amor. (…) acima de tudo, é preciso amar, pois, sem o amor, a vontade e o saber ficariam incompletos e, muitas vezes, estéreis. O amor esclarece-os, fecunda-os, centuplica seus recursos. Não se trata, neste caso, do amor que contempla sem agir, mas daquele que se dedica a difundir o bem e a verdade, no mundo.  (…) A todas as interrogações do homem, a suas hesitações, a seus temores, a suas blasfêmias, uma forte voz, potente e misteriosa, responde: “Aprende a amar”! O amor é o ápice de tudo, o alvo de tudo, o objetivo de tudo. Das alturas, se desdobra e se estende, incessantemente, sobre o Universo, a imensa rede de amor, tecida em ouro e em luz. Amar é o segredo da felicidade. Em uma palavra, o amor resolve todos os problemas, dissipa todas as obscuridades. O amor salvará o mundo; seu calor provocará o derretimento do gelo da dúvida, do egoísmo, do ódio; enternecerá os corações mais duros e mais refratários.”

 

Esse amor de que nos fala Denis, o educador deve desenvolver para melhor desempenhar sua magistral tarefa de ser orientador dos espíritos que reencarnam; deve se dedicar de corpo e alma à elevação moral dos seus educandos, quer sejam seus filhos ou seus alunos; mais especialmente aos que estão na escola, que as vibrações do sentimento do amor possam sensibilizar suas almas, tocar-lhes os corações, ensinando às suas crianças e jovens da necessidade de aprenderem a amar, de deixarem o amor os envolver como o sol radiante da manhã, para que o amor tudo vivifique em redor. De que adianta todo esforço na transmissão de conteúdos curriculares, se os alunos não tiverem sensibilidade para com o outro? De que adianta todo trabalho em avaliar com provas e notas, se os alunos não souberem respeitar o outro? De que adiantam sermões e estresses, se os alunos, ao final, não conseguem amar o seu próximo? Nossa sociedade não é carente de seres humanos com diplomas, mas sim de seres humanos com sentimentos. Essa foi, e continua a ser, a grande preocupação do Mestre Jesus.

O ensino de Jesus é de uma profunda ética de respeito ao ser humano, de paz, de não violência, de amor, de exaltação de suas potencialidades, de encaminhamento de todos nós para Deus. Uma ética sem religião, sem partido, sem discriminação, mas eminentemente educativa da alma. Todo educador deve seguir esse exemplo de amor e ética se, de fato, quer fazer da educação a grande transformadora da humanidade.

Não há outro caminho para moralizar e espiritualizar os homens e mulheres. Somente a educação pode realizar essa transformação. Que educadores e educandos se deem as mãos no aprendizado do amor ao próximo e da vivência ética nas relações, e então iniciaremos a grande marcha para a ascensão da humanidade a patamares nunca antes vistos, apenas sonhados, e que se tornarão realidade.

Jesus é nosso modelo e guia, o ser incomparável, o espírito de luz que veio nos tirar das sombras do egoísmo e do materialismo, e para isso não se isolou em conceituações filosóficas, antes partilhou sua sabedoria e seu amor com todos, fazendo questão de ser simples e amigo, preocupado com que todos, diante de seu processo de ensino, pudessem aprender e interiorizar as verdades imortais da vida. É assim que Cairbar Schutel, em seu livro O Espírito do Cristianismo, nos esclarece:


“Estudando-se a mensagem do Cristo em seu conjunto admirável, vê-se a sua ação vivificadora, primeiro aquecendo para depois iluminar; vitalizando, despertando, curando, para fazer crescer e viver, florescer e frutificar. E assim como a luz atua nas plantas, a luz se faz nas almas, porque a luz é a vida e a vida é a lei do universo.”


Marcus De Mario é escritor, educador, palestrante; coordena o Seara de Luz, grupo on-line de estudo espírita; edita o canal Orientação Espírita no YouTube; é editor-chefe da Revista Educação Espírita; produz e apresenta programas espíritas na internet; possui 41 livros publicados.

 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita