Amor é sentimento, disposição afetiva para com outro
ser, não se confunde com o sexo, que é energia e deve
estar a serviço do sentimento e não do instinto
biológico. Por muitas vezes confundirmos o amor com o
sexo, damos origem a variados dramas na vida com alta
dose de desgaste emocional e relacional tanto para nós
quanto para os outros. Pois bem, sabendo que amor é
sentimento, que por sua vez significa disposição afetiva
para com outro ser, e que pertence exclusivamente ao ser
humano, pois os animais cuidam de suas crias por
instinto, já podemos vislumbrar que o professor, a quem
cabe importante papel na educação das novas gerações,
não pode ser um burocrata do ensino, um obediente
servidor do currículo, um passador de conteúdos. Ele é
um ser humano que lida com seres humanos! E todo ser
humano é dotado de sentimento!
Jesus marcava seus educandos, fossem discípulos diretos,
indiretos, interlocutores diversos ou pessoas na
multidão, com seu amor e sua inteligência, com sua
dedicação e seu fazer pensar, com seu domínio do
conhecimento e sua mansuetude e firmeza no ouvir e
falar. Deixou claro que o amor é a chave do progresso e
da conquista do reino dos céus.
O evangelista e discípulo direto Mateus, transcreve no
capítulo 22, versículos 34 a 40 de seu evangelho,
diálogo entre um fariseu e Jesus, quando o doutor da lei
indaga: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”. Sem
se abalar, e com firmeza, Jesus respondeu: “Amarás o
senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua
alma, e de todo o teu entendimento, este é o maior e
primeiro mandamento”. Fazendo pequena pausa, continuou:
“E o segundo (mandamento), semelhante a este é: Amarás o
teu próximo como a ti mesmo”. E para deixar o ensino sem
nenhuma dúvida, o Mestre arremata: “Estes dois
mandamentos contém toda a lei e os profetas”.
Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a
si mesmo são as duas regras fundamentais da vida,
pilares de todo o edifício existencial humano e
universal. Por esse motivo o educador Johan Heinrich
Pestalozzi (1746-1827) entendeu que “o amor é o eterno
fundamento da educação”.
Para entendermos com mais profundidade o amor, vamos
transcrever de Léon Denis, em seu livro O Problema do
Ser, do Destino e da Dor, trechos do capítulo 25,
dedicado ao tema:
“Princípio da vida universal, (o amor) fornece à alma,
em suas manifestações mais elevadas e mais puras, aquela
intensidade de irradiação que reconforta, vivifica tudo
à volta dela; é através dele que a alma se sente
estreitamente ligada à potência divina, foco ardente de
toda vida, de todo amor. (…) acima de tudo, é preciso
amar, pois, sem o amor, a vontade e o saber ficariam
incompletos e, muitas vezes, estéreis. O amor
esclarece-os, fecunda-os, centuplica seus recursos. Não
se trata, neste caso, do amor que contempla sem agir,
mas daquele que se dedica a difundir o bem e a verdade,
no mundo. (…) A todas as interrogações do homem, a suas
hesitações, a seus temores, a suas blasfêmias, uma forte
voz, potente e misteriosa, responde: “Aprende a amar”! O
amor é o ápice de tudo, o alvo de tudo, o objetivo de
tudo. Das alturas, se desdobra e se estende,
incessantemente, sobre o Universo, a imensa rede de
amor, tecida em ouro e em luz. Amar é o segredo da
felicidade. Em uma palavra, o amor resolve todos os
problemas, dissipa todas as obscuridades. O amor salvará
o mundo; seu calor provocará o derretimento do gelo da
dúvida, do egoísmo, do ódio; enternecerá os corações
mais duros e mais refratários.”
Esse amor de que nos fala Denis, o educador deve
desenvolver para melhor desempenhar sua magistral tarefa
de ser orientador dos espíritos que reencarnam; deve se
dedicar de corpo e alma à elevação moral dos seus
educandos, quer sejam seus filhos ou seus alunos; mais
especialmente aos que estão na escola, que as vibrações
do sentimento do amor possam sensibilizar suas almas,
tocar-lhes os corações, ensinando às suas crianças e
jovens da necessidade de aprenderem a amar, de deixarem
o amor os envolver como o sol radiante da manhã, para
que o amor tudo vivifique em redor. De que adianta todo
esforço na transmissão de conteúdos curriculares, se os
alunos não tiverem sensibilidade para com o outro? De
que adianta todo trabalho em avaliar com provas e notas,
se os alunos não souberem respeitar o outro? De que
adiantam sermões e estresses, se os alunos, ao final,
não conseguem amar o seu próximo? Nossa sociedade não é
carente de seres humanos com diplomas, mas sim de seres
humanos com sentimentos. Essa foi, e continua a ser, a
grande preocupação do Mestre Jesus.
O ensino de Jesus é de uma profunda ética de respeito ao
ser humano, de paz, de não violência, de amor, de
exaltação de suas potencialidades, de encaminhamento de
todos nós para Deus. Uma ética sem religião, sem
partido, sem discriminação, mas eminentemente educativa
da alma. Todo educador deve seguir esse exemplo de amor
e ética se, de fato, quer fazer da educação a grande
transformadora da humanidade.
Não há outro caminho para moralizar e espiritualizar os
homens e mulheres. Somente a educação pode realizar essa
transformação. Que educadores e educandos se deem as
mãos no aprendizado do amor ao próximo e da vivência
ética nas relações, e então iniciaremos a grande marcha
para a ascensão da humanidade a patamares nunca antes
vistos, apenas sonhados, e que se tornarão realidade.
Jesus é nosso modelo e guia, o ser incomparável, o
espírito de luz que veio nos tirar das sombras do
egoísmo e do materialismo, e para isso não se isolou em
conceituações filosóficas, antes partilhou sua sabedoria
e seu amor com todos, fazendo questão de ser simples e
amigo, preocupado com que todos, diante de seu processo
de ensino, pudessem aprender e interiorizar as verdades
imortais da vida. É assim que Cairbar Schutel, em seu
livro O Espírito do Cristianismo, nos esclarece:
“Estudando-se a mensagem do Cristo em seu conjunto
admirável, vê-se a sua ação vivificadora, primeiro
aquecendo para depois iluminar; vitalizando,
despertando, curando, para fazer crescer e viver,
florescer e frutificar. E assim como a luz atua nas
plantas, a luz se faz nas almas, porque a luz é a vida e
a vida é a lei do universo.”
Marcus De Mario é escritor,
educador, palestrante; coordena o Seara de Luz, grupo
on-line de estudo espírita; edita o canal Orientação
Espírita no YouTube; é editor-chefe da Revista Educação
Espírita; produz e apresenta programas espíritas na
internet; possui 41 livros publicados.