A sensação de que: “eu nasci para você”
Certo dia, olhando pensativo para com quem se vive, tive
a sensação de que: “eu nasci para você”.
Sensação essa motivada pelo sentimento de forte conexão
expressa de indescritível afinidade e alegria por estar
juntos, como se tivesse marcado esse reencontro de vidas
passadas para o momento atual.
É sentimento maior do que simples atração de pessoas,
transcendendo em amor diferente e inexplicável de
compartilhar a sua existência com alguém especial para
você.
Nessa situação, comum dizer que essas pessoas são almas
gêmeas ou metades da laranja. No entanto, ninguém é
metade, mas um ser pleno com a sua individualidade.
Em vez de uma visão que pode representar a anulação do
parceiro, essas almas preferem compartilhar a vida para
o crescimento mútuo,
em
que cada um se mantenha completo, somando forças para as
suas evoluções.
Espiritualistas descrevem essa sensação como reencontro
de Espíritos afins que já compartilharam laços de
convivência em existências anteriores, reconhecendo
alguém além do tempo, onde a convivência flui de forma
natural.
A Doutrina Espírita esclarece sobre a afinidade
existente entre Espíritos unidos pelo amor e
fundamentada na semelhança entre eles, que se ligam por
afeições particulares, perdurando no plano espiritual, e
caracterizadas como almas gêmeas.
A afeição de dois seres na Terra continua a existir no
mundo espiritual, porquanto a simpatia que atrai um
Espírito ao outro resulta da concordância de seus
pendores e instintos.
Ao tratar de almas gêmeas, o Espírito Emmanuel, no livro
O Consolador, Capítulo 3.3 AMOR, na psicografia
de Francisco Cândido Xavier, esclarece acerca de
Espíritos intimamente ligados em suas experiências
evolutivas, sem significar metades eternas,
acrescentando que o amor dessas almas não constitui
restrição ao amor universal, porquanto, atingida a
culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se
irmanam na conquista do amor divino.
Nesse livro, Emmanuel, na questão 323, ensina:
“No sagrado mistério da vida, cada coração possui no
Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a
viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam,
sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração
suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados
no crime ou na inconsciência, experimentaram a separação
das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida
e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras,
vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais
intimamente, envolvendo umas para as outras, num
turbilhão de ansiedades angustiosas, atração que é
superior a todas as expressões convencionais da vida
terrestre. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos
humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os
seus corações – a da ventura de sua união, pela qual não
trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura
que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova
separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova
Revelação veio dissipar, descerrando para todos os
espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes
eternos da vida.”
Na questão 325, Emmanuel complementa:
“O Universo é o plano infinito que o Pensamento divino
povoou de ilimitadas e intraduzíveis belezas.
Para todos nós, o primeiro instante da criação do ser
está mergulhado num suave mistério, assim como também a
atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma
para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências
e das provas, no caminho infinito do Tempo.
A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso
conhecimento relativo, nos desígnios divinos,
insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte
vital do interesse das criaturas para as edificações da
vida.
Separadas ou unidas, nas experiências do mundo, as almas
irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia
supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde
se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor
divino, finalidades profundas de todas as cogitações do
ser, no dédalo do destino.”
Na questão 326, se a união das almas gêmeas pode
constituir restrição ao amor universal, Emmanuel
responde:
“O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante
restrição, porquanto, atingida a culminância evolutiva,
todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do
amor divino. O amor das almas gêmeas, em suma, é aquele
que o Espírito, um dia, sentirá pela Humanidade
inteira.”
Quanto aos laços de saudade em relação aos Espíritos
amados que deixaram a Terra, Emmanuel responde:
“Os espíritos superiores não ficam propriamente ligados
ao orbe terreno, mas não perdem o interesse afetivo
pelos seres amados que deixaram no mundo, pelos quais
trabalham com ardor, impulsionando-os na estrada das
lutas redentoras, em busca das culminâncias da
perfeição.
A saudade, nessas almas santificadas e puras, é muito
mais sublime e mais forte, por nascer de uma
sensibilidade superior, salientando-se que, convertida
num interesse divino, opera as grandes abnegações do
Céu, que seguem os passos vacilantes do Espírito
encarnado, através de sua peregrinação expiatória ou
redentora na face da Terra.”
Ainda Emmanuel, no livro Mediunidade e sintonia,
no capítulo 11, em “Prática Mediúnica”, esclarece:
“Tudo na vida é afinidade e comunhão, sob as leis
magnéticas que lhe presidem os fenômenos. Tudo gravita
em torno dos centros de atração e sustentação de forças
determinadas e específicas, no plano em que evoluímos
para a Ordem Superior.”
A teoria das almas gêmeas, revelada por Emmanuel,
explica uniões profundas e misteriosas, que arrasta uma
à outra, buscando-se sempre que separadas em suas
jornadas evolutivas, as quais são movidas pelo amor,
cuja atração é superior a todas as expressões da vida na
Terra. Daí a sensação de que: “eu nasci para você”.
Emmanuel afirma que: “No sagrado mistério da vida,
cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua,
companheira divina para a viagem à gloriosa
imortalidade.” E acrescenta: “Para todos nós, o
primeiro instante da criação do ser está mergulhado num
suave mistério, assim como também a atração profunda e
inexplicável que arrasta uma alma para outra, no
instituto dos trabalhos, das experiências e das provas,
no caminho infinito do Tempo.”
Os laços formados por Espíritos unidos pela afeição,
simpatia e semelhança de inclinações, felizes por
estarem juntos, oferecem oportunidades de aprendizado e
evolução para o crescimento mútuo. Esses Espíritos se
buscam uns aos outros.
A encarnação pode separá-los momentaneamente, mas ao
regressarem ao mundo espiritual reúnem-se novamente.
Muitas vezes, uns seguem a outros na encarnação, vindo
aqui se reunir numa mesma família, ou num mesmo círculo,
a fim de trabalharem pelo mútuo adiantamento.
Pelo planejamento reencarnatório, pedirá para renascer
com o antigo companheiro ou companheira a fim de
trabalharem pelo mútuo adiantamento, mediante uma
afeição que une pessoas e segue viva não apenas no plano
físico, mas continua a existir e a se fortalecer no
mundo espiritual, exatamente por se basear na essência
dos sentimentos e não em simples interesses materiais.
Esse laço transcende o tempo e o espaço.
Você já identificou a sua alma gêmea?
Bibliografia:
EMMANUEL (Espírito); na psicografia de
Francisco Cândido Xavier. O Consolador. 29ª
Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira,
2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon
Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª
Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira,
2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon
Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição.
Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
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