Doença e saúde... é uma questão de sorte?
Nossas escolhas e hábitos de vida têm uma grande
influência sobre nosso organismo. Desde pensamentos,
alimentação, estresse, atividades físicas, tudo isso
pode ser importante ferramenta na preservação da saúde.
A oração, também, já foi objeto de estudos que mostram
seus benefícios, assim como a meditação, a yoga e a
massagem corporal podem minimizar toda uma gama de
sintomatologia.
Se
o texto terminasse aqui, caros leitores, vocês se
sentiriam onipotentes em relação à sua saúde, e cada
resfriado, gastrite, crise hipertensiva desencadearia
culpas profundas. Se adoecer é uma questão de escolha,
então você seria o único responsável por todas as
enfermidades que lhe acometem. Isso parece bem agradável
e confortável de ler até que entendemos as consequências
disso na vida prática.
–
Fiz um exame. Estou com osteoporose!
Logo, você pensa: “Essa pessoa fez alguma coisa errada.”
– O
médico diagnosticou depressão...
Você pensa: “Que triste! Ele deve ter pouca fé e ser
desequilibrado.”
Sempre que alguém doente surgir diante de você, seu
primeiro pensamento será culpabilizar o paciente.
Afinal, tudo é uma questão de “escolha”.
Com
um pouco mais de zelo e cuidado, estudando
fisiopatologia, anatomia, epigenética, podemos avançar
nessa linha de raciocínio e perceber algumas
incongruências. Pessoas que nunca beberam, nunca
fumaram, comem verduras, legumes e fazem exercícios
físicos descobrem um câncer gravíssimo. Outros, que
bebem há 30 anos, fumam há 30 anos, são sedentários e
não têm nem dor de dente. Por que pessoas tão caridosas
e filantropas, que se dedicaram a vida inteira em prol
da família, nunca tiveram saúde?
Se
você vive numa família tóxica, em meio a uma sociedade
doente, dificilmente você sairá isento. Você trata o
indivíduo, mas o ambiente é insalubre. Você afasta-se da
família sanguínea, muda de cidade, de país, mas o
planeta continua sendo de provas e expiações. Uma nuvem
de energias negativas cobre esse mundo e influencia a
todos. Alguns sofrerão mais do que outros, mas todos
estão sujeitos a essas “contaminações fluídicas”.
Se
você reencarna numa família que tem genes do câncer de
mama (BRCA1, 2), você já tem 50% de chances de adoecer.
Numa família de diabéticos, seu pâncreas já funciona
diferente, seguindo o padrão familiar. A genética não
determina nada, mas ela influencia e limita. Seu
livre-arbítrio existe dentro dos limites que seu corpo
(fruto do DNA do pai e da mãe) lhe deu. O Espiritismo
diz que o próprio espírito “pede” certas doenças como
provação e oportunidade de aprendizado, ou seja, não
importam suas escolhas agora se algo já foi determinado
na erraticidade. Saúde é questão de ESCOLHA + SORTE. Uma
mistura de ambos. Tem gente que não se importa com
prevenção, mas tem sorte. Outros se cuidam, mas
faltou-lhes a sorte. Como espiritualistas, você pode
substituir a palavra “sorte” por destino, karma,
expiação, planejamento reencarnatório etc.
(*)
Dá no mesmo. Todas elas são fatores que estão além do
seu controle “consciente” no agora.
A
conclusão é que devemos fazer o possível para prevenir
doenças e cuidar do nosso organismo, na certeza de que a
saúde não depende exclusivamente de você e de suas
escolhas pessoais. Lembro de uma médica com anos de
experiência, convicta dessas teorias de autoajuda em que
“cada um cria sua doença”, que falou isso para um
paciente. O indivíduo não se fez de rogado e respondeu:
– A
senhora usa óculos há anos. Eu fico pensando qual a
razão que a senhora escolheria para ir perdendo a visão!
Ela
respondeu:
–
Muita leitura, estudo. O tempo, a idade... tudo isso
prejudica a visão.
O
paciente saiu de lá convicto de que “para os outros”,
responsabilidade sua; quando é para mim, é coisa da
idade, do tempo e etc... crenças bem convenientes para
alguém que insiste em sentir-se no centro do mundo e
julga-se mais poderoso do que se é. Uma vez encarnados,
estamos sujeitos às leis da matéria (que também são leis
divinas e naturais); logo, ter saúde depende de você e
de todos os fatores ambientais que estão longe do seu
controle pessoal.
Cuide de sua saúde.
Te
desejo muita sorte.
(*) O autor utiliza neste artigo a palavra “sorte” no
seu significado usual, porque segundo os autores
espíritas sérios, a exemplo de André Luiz e Joanna de
Ângelis, não há na vida sorte, azar ou acaso.
João
Márcio F. Cruz, palestrante e escritor, reside na cidade
de Canindé, Ceará.
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