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por João Márcio F. Cruz

 

Doença e saúde... é uma questão de sorte?


Nossas escolhas e hábitos de vida têm uma grande influência sobre nosso organismo. Desde pensamentos, alimentação, estresse, atividades físicas, tudo isso pode ser importante ferramenta na preservação da saúde. A oração, também, já foi objeto de estudos que mostram seus benefícios, assim como a meditação, a yoga e a massagem corporal podem minimizar toda uma gama de sintomatologia.

Se o texto terminasse aqui, caros leitores, vocês se sentiriam onipotentes em relação à sua saúde, e cada resfriado, gastrite, crise hipertensiva desencadearia culpas profundas. Se adoecer é uma questão de escolha, então você seria o único responsável por todas as enfermidades que lhe acometem. Isso parece bem agradável e confortável de ler até que entendemos as consequências disso na vida prática.

– Fiz um exame. Estou com osteoporose!

Logo, você pensa: “Essa pessoa fez alguma coisa errada.”

– O médico diagnosticou depressão...

Você pensa: “Que triste! Ele deve ter pouca fé e ser desequilibrado.”

Sempre que alguém doente surgir diante de você, seu primeiro pensamento será culpabilizar o paciente. Afinal, tudo é uma questão de “escolha”.

Com um pouco mais de zelo e cuidado, estudando fisiopatologia, anatomia, epigenética, podemos avançar nessa linha de raciocínio e perceber algumas incongruências. Pessoas que nunca beberam, nunca fumaram, comem verduras, legumes e fazem exercícios físicos descobrem um câncer gravíssimo. Outros, que bebem há 30 anos, fumam há 30 anos, são sedentários e não têm nem dor de dente. Por que pessoas tão caridosas e filantropas, que se dedicaram a vida inteira em prol da família, nunca tiveram saúde?

Se você vive numa família tóxica, em meio a uma sociedade doente, dificilmente você sairá isento. Você trata o indivíduo, mas o ambiente é insalubre. Você afasta-se da família sanguínea, muda de cidade, de país, mas o planeta continua sendo de provas e expiações. Uma nuvem de energias negativas cobre esse mundo e influencia a todos. Alguns sofrerão mais do que outros, mas todos estão sujeitos a essas “contaminações fluídicas”.

Se você reencarna numa família que tem genes do câncer de mama (BRCA1, 2), você já tem 50% de chances de adoecer. Numa família de diabéticos, seu pâncreas já funciona diferente, seguindo o padrão familiar. A genética não determina nada, mas ela influencia e limita. Seu livre-arbítrio existe dentro dos limites que seu corpo (fruto do DNA do pai e da mãe) lhe deu. O Espiritismo diz que o próprio espírito “pede” certas doenças como provação e oportunidade de aprendizado, ou seja, não importam suas escolhas agora se algo já foi determinado na erraticidade. Saúde é questão de ESCOLHA + SORTE. Uma mistura de ambos. Tem gente que não se importa com prevenção, mas tem sorte. Outros se cuidam, mas faltou-lhes a sorte. Como espiritualistas, você pode substituir a palavra “sorte” por destino, karma, expiação, planejamento reencarnatório etc. (*) Dá no mesmo. Todas elas são fatores que estão além do seu controle “consciente” no agora.

A conclusão é que devemos fazer o possível para prevenir doenças e cuidar do nosso organismo, na certeza de que a saúde não depende exclusivamente de você e de suas escolhas pessoais. Lembro de uma médica com anos de experiência, convicta dessas teorias de autoajuda em que “cada um cria sua doença”, que falou isso para um paciente. O indivíduo não se fez de rogado e respondeu:

– A senhora usa óculos há anos. Eu fico pensando qual a razão que a senhora escolheria para ir perdendo a visão!

Ela respondeu:

– Muita leitura, estudo. O tempo, a idade... tudo isso prejudica a visão.

O paciente saiu de lá convicto de que “para os outros”, responsabilidade sua; quando é para mim, é coisa da idade, do tempo e etc... crenças bem convenientes para alguém que insiste em sentir-se no centro do mundo e julga-se mais poderoso do que se é. Uma vez encarnados, estamos sujeitos às leis da matéria (que também são leis divinas e naturais); logo, ter saúde depende de você e de todos os fatores ambientais que estão longe do seu controle pessoal.

Cuide de sua saúde.

Te desejo muita sorte.


(*) O autor utiliza neste artigo a palavra “sorte” no seu significado usual, porque segundo os autores espíritas sérios, a exemplo de André Luiz e Joanna de Ângelis, não há na vida sorte, azar ou acaso.

 

João Márcio F. Cruz, palestrante e escritor, reside na cidade de Canindé, Ceará.
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita