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por Hugo Alvarenga Novaes

Saudades


Maio de 1997.

Morreu minha mãe.

Saudades ficaram.

É horrível adentrar a casa e saber que nunca mais veremos nossa mãe.

Aí o Consolador, o Espiritismo, imediatamente nos conforta através da consciência, fazendo-nos ver que essa separação é momentânea e que, um dia, ambos - mãe e filho -tornarão a se encontrar.

Mas a saudade não desaparece imediatamente.

Durante algum tempo, tudo parece lembrar aquela que partiu.

Um lugar da casa, um objeto, uma palavra, uma fotografia. Pequenas coisas, que antes passavam despercebidas, tornam-se capazes de trazer à memória a presença de quem já não está fisicamente conosco.

E sentimos falta.

Sentimos falta da voz, dos gestos, das conversas e até daquelas coisas que, enquanto convivíamos, talvez não soubéssemos valorizar devidamente.

A morte, porém, não apagou minha mãe.

Apagou apenas a possibilidade de vê-la com os olhos do corpo.

O Espiritismo nos ensina que somos Espíritos imortais e que a existência corporal é apenas uma etapa de nossa caminhada.

O corpo morre, mas o Espírito continua vivendo.

Esta compreensão modifica profundamente a maneira como encaramos a morte.

Não significa que deixaremos de sentir saudades. Significa que passaremos a compreender a saudade de outra maneira.

Aquele que amamos não deixou de existir. Está seguindo o seu caminho, assim como nós seguimos o nosso.

Talvez esteja no Plano Espiritual, preparando-se para novas experiências. Talvez já tenha retornado à Terra para uma nova existência.

Não sabemos. E talvez não seja necessário saber.

O que sabemos é que os verdadeiros laços de afeição não dependem da presença física.

Podemos continuar amando aqueles que partiram. Podemos lembrar-nos deles. Podemos orar por eles. E podemos confiar em Deus.

Quando chegar a nossa vez de deixar este mundo, não estaremos caminhando para o nada. Estaremos apenas dando continuidade à existência em outro plano.

E então, em algum momento, nossos caminhos poderão novamente cruzar-se.

Talvez não reconheçamos imediatamente aquele que amamos. Talvez ele esteja em outro corpo, vivendo outra existência. Mas os sentimentos verdadeiros não dependem apenas da memória consciente. Os vínculos construídos pelo amor permanecem.

É por isso que a saudade, embora dolorosa, pode também ser uma forma de testemunharmos o amor.

Sentimos saudades porque amamos. E se o amor permanece depois da morte, então a morte não conseguiu realizar aquilo que tantas vezes imaginamos que ela faria: separar definitivamente aqueles que se amam.

Maio de 1997.

Minha mãe morreu.

As saudades ficaram.

Mas o Espiritismo ensinou-me que ela não desapareceu.

Apenas seguiu adiante.

E eu também seguirei.

Até que, um dia, nossos caminhos novamente se encontrem.
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita