De João a Francisco
A
história bíblica nos conta que, após a prisão e a
decapitação de João Batista, Jesus começou a convocar
discípulos entre os homens simples que viviam em
Jerusalém ou nas imediações. Com sua amorosidade,
convidava pessoas para acompanhá-lo em sua trajetória
messiânica, homens do povo como João e Tiago, filhos de
Zebedeu, assim como Pedro, que eram pescadores. Eram
eles homens humildes e simples do lago de Genesaré.(1)
Os filhos
de Zebedeu e Salomé eram jovens com muita energia,
dispostos a aprender e trabalhar em prol do bem,
realizando a caridade para com o semelhante. Quando
Jesus convidou João, percebeu o potencial que aquele
jovem tinha em termos de equilíbrio para levar adiante
sua proposta de renovação.
(1)
João teve
a oportunidade de conviver diretamente com Jesus; esse
fato foi fundamental para capacitá-lo a escrever seu
testemunho, ou o Evangelho, a partir de seu entendimento
da convivência com Jesus e das informações
compartilhadas com os outros apóstolos, como Mateus, que
também anotava tudo o que Jesus dizia.
Podemos
destacar a seguinte passagem, na qual João Evangelista
se refere a Jesus, quando escreveu:
E o
Verbo se fez carne, e habitou entre nós...
...A
glória de Jesus como Filho Unigênito de Deus é revelada,
cheia de graça e de verdade, confirmando o testemunho de
João. (vv. 1-15)
(2)
Entre as
revelações que João presenciou, podemos destacar
algumas, como a transformação da água em vinho nas bodas
de Caná, a transfiguração de Jesus no Monte Tabor, a
conversa reservada de Jesus com Nicodemos, a cura de
Verônica, a mulher que sofria de hemorragia constante, e
o milagre de Zara, a filha de Jairo. Isso sem levar em
conta que foi o único apóstolo que teve coragem de
permanecer junto a Maria, mãe de Jesus, Maria de Magdala
e Maria Cleofas na crucificação do Mestre até sua morte.
O
compromisso assumido por João junto à crucificação de
Jesus, de acolher Maria até o final de sua existência,
levou João a se afastar dos outros apóstolos, apesar de
continuar a propagação do cristianismo na região da Ásia
Menor, em Éfeso.
Com a
morte de Jesus, Maria se retira para Bataneia, onde
parentes próximos a cercaram de carinho. Depois de algum
tempo, João foi visitá-la e ofereceu sua proteção
amorosa. Convidou-a para ir estar com ele em Éfeso, em
uma pequena casinha que lhe fora doada por um convertido
ao amor do Cristo, que se distanciava três léguas da
cidade, de onde se podia avistar o mar. João nunca
esquecera as recomendações de Jesus na cruz e ansiava
por proteger Maria como filho, em expressivo amor
universal; ela aceitou o oferecimento com imensa
satisfação.
A
encarnação como João, filho de Zebedeu, foi fundamental,
porque teve um contato muito direto com o Mestre,
presenciando diversos fenômenos que o amadureceriam como
espírito para escrever o quarto Evangelho, o Apocalipse
e suas epístolas. Também não podemos nos esquecer da
convivência com a mãe de Jesus e do trabalho de
acolhimento aos peregrinos e necessitados na Igreja
Cristã Primitiva que fundaram em Éfeso e também na
casinha onde moravam, que passou a ser conhecida como
“Casa da Santíssima”.
Procurou
dar seu testemunho de fé, contribuindo, assim, para que
sua vida tivesse um final muito diferente dos outros
apóstolos. Não foi supliciado como os outros; foi
exilado na ilha de Patmos, no mar Egeu, e acabou
morrendo de velhice, com idade muito avançada para a
época, segundo relatos.
Conforme
nos contam os livros de História, na Itália, no século
XII, na cidade de Assis, nasce um filho varão na família
do comerciante italiano Pietro di Bernardone. Seu pai
era um comerciante bem-sucedido e deu-lhe o nome de
Giovanni di Pietro di Bernardone. Os pais de Francisco
faziam parte da burguesia da cidade de Assis e, graças a
negócios bem-sucedidos na Provença e na França,
conquistaram riqueza e bem-estar.
(3)
A
realidade nessa nova encarnação passa a ser bem
diferente. Inicialmente, o jovem Francisco viveu uma
vida dentro dos padrões de um jovem filho de uma família
burguesa da época, até ser sagrado cavaleiro, portando o
brasão das armas da família. Foi enviado a um conflito
feudal na Itália, quando uma guerra começou entre as
cidades de Perugia e Assis. Nesse momento, foi preso e
adoeceu gravemente, quando teve uma revelação
espiritual, retornando para casa em total confusão
mental. (3)
Francisco
ouviu uma voz sobrenatural. Esta lhe pedia para ele
servir ao amor e ao Servo. Pouco a pouco, com muita
oração, Francisco sentiu em seu coração a necessidade de
vender seus bens e comprar a pérola preciosa,
sobre a qual ele lera no Evangelho.
Inicialmente taxado de covarde pelo seu pai e, depois,
de ter enlouquecido, na verdade estava despertando para
uma nova missão de renascimento espiritual, na qual o
jovem Francesco Bernadone se transforma no Pobre de
Assis.
Em um dos
momentos de êxtase, ouviu uma voz que pedia para ele
restaurar a igreja de São Damião. Vendeu tudo o que
tinha e levou o dinheiro ao padre da Igreja, e pediu
permissão para viver com ele. Francisco tinha vinte e
cinco anos.
Francisco, ao largo da sua trajetória corporal, tudo de
si investiu para que o modelo crístico fosse a sua
referência, na sede que demonstrava de segui-Lo, de
imitá-Lo. Trabalhou, sofreu, chorou muito, sem que
tivesse imposto a ninguém qualquer dor, qualquer
sofrimento. Ao contrário, ocultava suas lágrimas
pessoais, quando se tratava de atender a terceiros. Ele
conhecia e convivia com o Espírito do Cristo, mas
entendia que o semelhante deveria ver o Cristo por meio
das suas ações amorosas.(4)
Como o cantador de Deus, escreveu os doces versos que o
espírito Camilo denomina A Carta Magna da Paz,
que inicia com: Senhor, faze-me um instrumento da
tua paz.... Daí desdobram-se rogativas corajosas e
estelares, desvelando a pujança das acrisoladas virtudes
do Pobrezinho de Assis, virtudes que marcariam sua
existência até os momentos finais de sua vida terrena.
São
Francisco de Assis morreu em 3 de outubro de 1226, aos
44 ou 45 anos, na Porciúncula, Itália, devido a uma
combinação de saúde frágil, incluindo provável malária
crônica, doenças graves no fígado e no baço. Ele também
estava quase cego por uma infecção ocular grave
adquirida no Oriente Médio.
Ali
estiveram depositados seus restos mortais até dois anos
depois da canonização, em 1228, pelo Papa Gregório IX.
Em 1230, foi secretamente trasladado para a grande
basílica construída pelo irmão Elias. Sua festa é
celebrada em 4 de outubro.
Neste
ano de 2026, completam-se 800 anos da morte de Francisco
de Assis.
Referências:
-
XAVIER, Francisco
Cândido.
Boa Nova
(1940); 04 - A Família Zebedeu: 30 – Maria; Ed. FEB.
-
OLIVEIRA FILHO,
Astolfo O. de.
O Evangelho
Segundo João (Texto de reflexão).
Ed. O Consolador, Londrina, PR.
-
MAIA, João Nunes.
Francisco de
Assis, pelo
espírito
Miramez
(1985); 10 – Nasce Francisco e 11 - Despertar; Ed.
Fonte Viva.
-
TEIXEIRA, Raul.
A Carta Magna da
Paz (2002); Int. -
A carta magna da paz;
pelo espírito
Camilo.
Frater Editora.
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