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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

Valorizar a vida ontem, hoje e sempre!


A vida é uma centelha indefectível para todo o sempre.

Desse modo, não se poderá extingui-la ou exterminá-la, porque a existência é física ou espiritual. Ora estaremos em aprimoramento no plano físico, ora no espiritual, pois somos seres pensantes, indissolúveis, perenes e ininterruptos rumo à plena evolução do ser inteligente, e tudo isso se torna providencial ao aprendizado adquirido enquanto permanecermos na categoria de espíritos imperfeitos, conforme nos esclarece a escala espírita (O Livro dos Espíritos, questões 100 a 113) [1].

Equivocar-se-á todo aquele que pensar, programar, ou colocar em ação o plano nefasto de se autodestruir. As estatísticas atuais são preocupantes. Um grande número de pessoas nas faixas etárias desde a infância, juventude até a fase adulta, tem cometido suicídio. A campanha brasileira instituída pelo CVV – Centro de Valorização da Vida, anualmente durante o mês setembro, assinala cada vez mais um contingente suicida preocupante aqui e noutros países. É preciso falar e orientar diversos irmãos de caminhada terrena desalentados perante a vida.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) o suicídio é um problema de saúde pública mundial, e preveni-lo com a distribuição de cartilhas, livretos e informações à população tem surtido efeito por onde percorremos ou participamos de eventos direcionados a esse programa. Profissionais e estudiosos da conduta e saúde humanas têm-se engajado nessa vertente de apoio à vida a fim de elucidar e favorecer a diminuição dos altos índices de mortes abreviadas.

Convidamos os leitores a se firmarem como formadores de opinião em favor da vida diante de nossos escritos, pois, desde que surgimos, como espíritos imortais, nós seguimos diversos estágios até nos firmarmos na fase atual, ainda na categoria inferior em processo progressivo pela Terra, nossa atual morada. Torna-se um aprendizado cada passagem em rápida existência corpórea, porém, ainda neste mundo na categoria de expiação e de provas, com sofrimentos propícios e necessários ao burilamento espiritual.

Escolhemos da obra O Céu e o Inferno[2] – Segunda Parte – Exemplos - capítulo V - Suicidas – subtítulo: Duplo suicídio por amor e por dever, uma surpreendente história passional que envolveu a senhorita Palmyre, o senhor B... e o senhor D...  O caso relatado teve por referência a notícia datada de 13 de junho de 1863, publicada em um jornal francês com a informação da tragédia passional que envolveu o trio citado, e que foi levada para análise na Sociedade Espírita Parisiense, com o propósito de um possível amparo espiritual aos envolvidos.

Tal enredo é centralizado na personagem Palmyre, jovem bem apessoada, que possuía muitos candidatos ao casamento. Naquele tempo o consórcio dos filhos era de responsabilidade dos pais; mesmo assim a moça tinha o seu favorito – o senhor B..., contudo os pais optaram pelo senhor D..., pela condição social dele ser mais favorecida e apresentar-se mais lucrativa, algo natural naquele tempo da sociedade europeia. Entretanto, os dois homens eram amigos. Palmyre casou-se com sr. D..., mas continuou a amar sr. B..., que, devido a amizade com seu esposo, continuou a vê-la. O senhor B... também se casou a fim de esquecê-la, porém essa alternativa não impediu os dois de se tornarem amantes e praticantes do adultério. Diante da situação criada pelos amantes, eles optaram pelos suicídios.

Ambos entenderam as mortes abreviadas como solução do problema, planejaram seus autocídios, morreriam juntos e deixariam uma carta ao sr. D... com o esclarecimento - a ocorrência de um perjúrio por parte da esposa. E pediriam para serem sepultados juntos. O senhor D... encontrou-os asfixiados ao chegar em seu lar. O marido ao se deparar com a cena infeliz atendeu-lhes a solicitação e providenciou o sepultamento deles conjuntamente.

O fato exposto foi apresentado àquela Sociedade Espírita e se tornou objeto de acolhimento pela equipe mediúnica; obteve-se o esclarecimento espiritual de que os suicidas não se encontravam em condições de se manifestarem na reunião; o efeito nocivo da alternativa da autoeliminação lhes propiciaria as expiações em várias reencarnações, sem se reencontrarem até as depurações dos erros. Depois dos resgates de suas faltas eles teriam a oportunidade de se reunirem novamente, no porvir.

Na mesma reunião, transcorridas oito horas, o orientador espiritual informou aos médiuns reunidos sobre a possibilidade de se poder evocar os dois espíritos suicidas. Apesar da perturbação espiritual em que se encontravam (uma vez desconhecedores de suas condições como espíritos desencarnados). Na evocação o espírito de Palmyre se encontrava confuso e respondia que não via o seu amante (ambas entidades estavam próximas). O espírito descrevia o que se passava em seu entendimento limitado, sentia frio e sofria. A repercussão do ato suicida o abalara e recebia as orientações para se arrepender, porém a confusão em que se encontrava era enorme, e Palmyre não entendia o aconselhamento fornecido. Uma médium orou em favor desse espírito, em total desconexão de seu estágio não identificado naquele momento.

Nesse caso, percebe-se o que trata a Questão 956 de O Livro dos Espíritos, muitos homens que se mataram na esperança de reaver a pessoa amada se depararam com a surpresa de não se reencontrarem, como nesse episódio, os amantes foram levados juntos à reunião, e a confusão deles era tamanha, a ponto de não se identificarem.

Allan Kardec esclareceu-nos em nota explicativa que, para o culpado a penalidade demandará tempo, contudo a alternativa do duplo suicídio para se livrarem da culpa pelo adultério os comprometeu perante a justiça divina, ainda ponderou o Codificador que, “A intenção de não faltarem ao dever foi honrada, sem dúvida, e isso lhes será levado em conta mais tarde, mas o verdadeiro mérito teria consistido em vencer o arrastamento, ao passo que fizeram como o desertor, que se esquiva no momento de perigo”. (KARDEC, 2019, p. 222). As expiações dos dois amantes se dariam ao longo dos tempos, se procurariam pelas reencarnações futuras, porém sem se reencontrarem ou se reaverem; fato este, que poderia ser aliviado e amenizado conforme as maneiras pelas quais eles suportariam as provas que ambos enfrentariam no porvir. Faltosos perante a lei de Deus precisariam se reeducar espiritualmente para granjear tais méritos.

À luz do Espiritismo não há penas eternas. As renovações desses seres imortais, aqui apresentados, acontecerão pelos esforços aplicados para se melhorarem, quando despertados pelos atrasos em que se alojaram, uma vez secundados pelas orientações dos benfeitores amigos, em favor de suas renovações e progressos.

Não há privilégio na Criação.

Todas as criaturas tendem à perfeição. Os caminhos para uns são longos e, para outros, tortuosos, sedimentados em angústias para inúmeros indivíduos.

Outros seres, porém, que jornadeiam de forma equilibrada, trilharão o caminho em menores etapas até atingirem a plenitude. Portanto, trabalhar pelo progresso individual deve ser a nossa meta constante. Destacamos que não há retrocesso; o que acontece na maioria dos casos, devido à nossa inferioridade, é a estagnação. No entanto, um novo recomeço sempre estará disponível ao homem.

Com esses apontamentos, compreende-se como o caso exposto no livro O Céu e o Inferno e as demais obras da Codificação contribuíram para o despertamento espiritual das criaturas que estagiam na Terra. Tanto as mensagens dos suicidas no referido capítulo quanto as dos demais espíritos, em suas respectivas categorias organizadas pelo erudito Monsieur Rivail, servem-nos de alerta e elucidação para reflexões sobre condutas salutares diante da vida – que não cessa. Essa jornada ocorre desde quando fomos criados, simples e ignorantes (no pretérito, um “ontem” perdido nas noites do tempo), prossegue no “hoje” e se perpetuará no futuro, para sempre!

Paz e luz a todos!


 

[1] O Livro dos Espíritos.
 

[2] EME.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita