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por Cláudio Bueno da Silva

 

O propósito de Jesus continua em curso


Homem de carne e osso e sangue nas veias. Vida simples, de família operária, nascido de parto natural em Nazaré, cidadezinha na Galileia, região então não muito bem conceituada, habitada por gentios, pagãos. Conviveu no meio do povo pobre e oprimido, e fez da defesa dos direitos dos sofredores o ponto alto da sua missão na Terra. Um homem em meio aos homens, chamado Jesus.

Jesus teve pai, mãe, irmãos. Nada leva a crer que ele tivesse constituído família própria. A família de Jesus foi a humanidade. As histórias de possível relacionamento com Maria Madalena bem possivelmente não passam de lendas.

Emocionalmente muito equilibrado, seus sentimentos de alegria ou contrariedade eventual devem ter sido sempre permeados pelo espírito de compreensão e tolerância. Imagino Jesus sorrindo, jamais gargalhando, mais orientando do que censurando ou julgando.

A partir do século quarto e ao longo dos séculos seguintes, a igreja cristã passa a mostrar o Jesus-Deus, partícipe da Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo), filho Unigênito, detentor de poderes milagrosos, salvador messiânico, nascido de virgem, depois de morto ressuscitado em corpo de carne, e outras tantas “construções” convenientes aos interesses do poder do Estado e do poder religioso, que serviram para tirar dele a humanidade natural e revesti-lo de santidade, de sobrenaturalidade. Um ser agraciado por Deus com a pureza, sem ter passado pelos percalços comuns à trajetória humana.

O passar do tempo acabou escondendo a natureza humana de Jesus, característica esta que seria um estímulo para segui-lo. Séculos de doutrinação mostrando um Jesus mitificado, deificado, cultuado na ideia do sagrado, moldaram a figura do Mestre entre os cristãos, e entre os espíritas também, mais recentemente.

Grande parte dos espíritas bebeu nessa fonte e muitos não conseguem desapegar-se da simbologia da cruz salvadora, do produtor de milagres. O mundo cristão desconstruiu o Jesus real, o homem que existiu, nascido de mulher, e construiu quase que um ser imaginário que para muitos está distante, apenas idealizado.

A maioria dos cristãos se prende mais aos fatos e fenômenos que cercaram a vida de Jesus do que propriamente à sua doutrina, à missão educadora do Espírito na Terra, empenhada em fazer conhecer a Lei de Amor que rege a vida, em fazer progredir os hábitos e costumes humanos.

A descaracterização do perfil e da doutrina original de Jesus gerou atraso no progresso espiritual da humanidade, mas de maneira alguma invalidou seu propósito, que continua em curso, de inspirar os homens a serem mais fraternos, pacíficos e solidários.

 

Matéria embasada em artigo de José Herculano Pires, publicado no jornal Mensagem, ano I, nº6, dezembro de 1975.

 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita