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Encarando
a morte com naturalidade
A perspectiva da morte
ainda assusta
sobremaneira a mente de
grande número de
pessoas. Como
confessou-me
recentemente um
mecânico: - “Ah!
Doutor. Tenho um medo
danado da morte”. De
fato, o temor do
“desconhecido” apavora
as mentes incautas, que
simplesmente evitam
pensar no irremediável.
Com efeito, a morte
chega para todos, mais
cedo ou mais tarde, e
nada pode impedir isso.
Diante desse fato
concreto, resta-nos –
pela lógica –
desvendá-la e assimilar
o seu significado. Nesse
sentido, importa antes
primordialmente
considerar, para que
tenhamos uma “boa
morte”, como
efetivamente vivemos.
Afinal de contas, viver
e morrer são dois
fenômenos naturais
entrelaçados, e que
permeiam a trajetória de
todas as almas que
envergam um corpo nesta
dimensão. Desse modo, o
“saber viver” é
determinante para um
retorno vencedor e
abençoado à vida
espiritual.
Diante das sábias leis
espirituais que regem
nossos destinos,
precisamos, pois, viver
existências dignas,
decentes e realizadoras
no campo do bem. São
tais conquistas, e
apenas elas - cabe
frisar -, que nos
facultarão o louro da
real vitória. São elas,
ainda, que nos
credenciam a receber o
socorro e assistência
espiritual imediatas na
transição para o
além-túmulo,
independente da maneira
como ocorra a nossa
desencarnação. Justo
prêmio dado, aliás,
àqueles que se empenham
em ser criaturas humanas
melhores, extinguindo ou
pelo menos mitigando as
suas imperfeições.
Por outro lado, é de bom
alvitre estarmos
mentalmente preparados
para a possibilidade de
desencarnarmos a
qualquer momento de
nossas vidas. Vemos, a
propósito, pessoas de
todas as faixas etárias
e extratos sociais
perecerem diariamente
pelas mais diferentes
razões e motivos. E tais
acontecimentos deveriam
nos estimular a pensar
sobre a nossa hora de
voltar ao Mundo Maior,
que também fatalmente
chegará para nós, talvez
até mesmo de forma
inesperada. Posto isto,
é fundamental vivermos
uma existência ativa e
profícua sob todos os
aspectos – únicas
garantias para um
retorno, digamos, menos
atribulado.
Esses imperativos de
vida levam-me a
recorrer, uma vez mais,
à metáfora do cinema –
que, em muitas ocasiões,
imita a vida real. Mais
especificamente, ao
filme O Resgate do
Soldado Ryan, talvez
o melhor desse gênero já
produzido, dirigido pelo
talentoso cineasta
Steven Spielberg.
Resumidamente, o drama
inicia com o desembarque
das tropas americanas na
Normandia – o chamado
dia D da 2ª Guerra
Mundial –, na praia de
Omaha, em 6 de junho de
1944, sob intenso fogo
cruzado das tropas
alemãs ali
entrincheiradas. O
personagem principal do
enredo, o Capitão John
Miller, estrelado pelo
excelente ator Tom
Hanks, tem a missão de
liderar seus homens
nessa espinhosa tarefa
de sobreviver ao assalto
à referida praia.
Superado os sangrentos
combates à custa de
pesadas baixas, diga-se,
o Capitão recebe outra
missão especial:
resgatar o soldado James
Ryan, interpretado por
outro astro do cinema
americano, o ator Matt
Damon.
Ryan era o único filho
sobrevivente de uma
família de quatro
soldados, cujo paradeiro
provável era atrás das
linhas inimigas. Por
isso, o Exército
americano decide pelo
seu resgate e mobiliza
todos os recursos nesse
propósito. Posto isto, o
Capitão Miller e o seu
pelotão são incumbidos
de salvar Ryan numa
missão de altíssimo
risco. Ele e os seus
homens enfrentam
situações extremas e
muitos sucumbem pelo
caminho – vítimas das
armadilhas do inimigo.
No entanto, no final,
ele cumpre o dramático
objetivo, mas a um preço
brutal. No seu último
sopro de vida, ele
consegue ainda dizer a
Ryan: - “Faça por
merecer”.
Passam-se os anos e
vemos Ryan, já bem
envelhecido, acompanhado
de seus familiares no
Cemitério e Memorial
Americano da Normandia.
Ele algo claudicante
inclina-se para um
jazigo, cujo nome
estampado era o do
Capitão John Miller, e
declara: - “Tentei
viver minha vida da
melhor maneira possível.
Espero que isso tenha
sido suficiente. Espero
que, pelo menos aos seus
olhos, eu tenha merecido
tudo o que vocês fizeram
por mim". Nesse
comenos, a sua esposa
lentamente se aproxima,
e ele, muito emocionado,
lhe pergunta se tinha
sido um bom homem e se
havia feito por merecer.
Assim sendo, creio que
poderíamos fazer algo
semelhante e, de tempos
em tempos, indagar às
nossas consciências se
estamos correspondendo
às expectativas de Deus
na encarnação em
decurso, assim como
fazendo por merecer toda
a ajuda recebida da
espiritualidade. Nesse
processo, o que
realmente conta é como
vivemos.
Cumpre destacar que há
conteúdos
extraordinários
disponibilizados pela
literatura espírita a
respeito da morte que
merecem ser apreciados.
Por exemplo, o Espírito
Emmanuel alerta, na
introdução da obra No
Mundo Maior, ditada
pelo Espírito André Luiz
(psicografia de
Francisco Cândido
Xavier):
“A morte a ninguém
propiciará passaporte
gratuito para a ventura
celeste. Nunca promoverá
compulsoriamente homens
a anjos. Cada criatura
transporá essa aduana da
eternidade com a
exclusiva bagagem do que
houver semeado, e
aprenderá que a ordem e
a hierarquia, a paz do
trabalho edificante, são
característicos
imutáveis da Lei, em
toda a parte.
“Ninguém, depois do
sepulcro, gozará de um
descanso a que não tenha
feito jus, porque “o
Reino do Senhor não vem
com aparências
externas”.
“[...].
“É natural; porém, cada
lavrador respira o ar do
campo que escolheu.”
Por fim, arremata com
profunda sabedoria a
mesma ilustre entidade
espiritual, em outra
obra ditada pelo
Espírito André Luiz,
Missionários da Luz (também
psicografada por
Francisco Cândido
Xavier):
“A morte física não é o
fim. É pura mudança de
capítulo no livro da
evolução e do
aperfeiçoamento. Ao seu
influxo, ninguém deve
esperar soluções finais
e definitivas, quando
sabemos que cem anos de
atividade no mundo
representam uma fração
relativamente curta de
tempo para qualquer
edificação na vida
eterna.”
Concluindo, a morte é
simplesmente a mudança
de endereço, no qual
deixamos uma dimensão –
a material – para
adentrarmos em outra - a
espiritual. Assim sendo,
cuidemos para que o
nosso retorno seja
espiritualmente glorioso
por meio da paz na
consciência.
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