Artigos

por José Reis Chaves

 

Monoteísmo e politeísmo, no fundo, são iguais


Todas as religiões têm por objetivo louvar e adorar a Deus, sob a influência, principalmente, da mitologia, que era a ciência da época.

Os espíritos que se manifestavam no passado, através dos pneumatos, palavra grega antiga que significa “espírito”, “sopro” e “vento”, eram também designados pelas expressões “do espírito”, “do sopro” e “do vento” (é também o antigo complemento restritivo da Gramática Portuguesa e o genitivo latino, indicando posse). Os espíritos comunicantes através dos pneumatos eram tidos como sendo os deuses do politeísmo. Cremos que isso também contribuiu muito para o surgimento do politeísmo. Kardec passou a chamar os pneumatos de médiuns.

Mas mesmo os hagiógrafos ou autores da Bíblia, que geralmente eram médiuns, pensavam que todo espírito comunicante com eles fosse o Espírito do próprio Deus Javé, do judaísmo, ou o Deus Pai do cristianismo. Os espíritos manifestantes por meio dos pajés e xamãs dos índios são tidos, também, como sendo deuses. Aliás, como os meus queridos leitores sabem, a própria Bíblia nos chama, igualmente, de deuses (Salmo 82:6 e João 10:34).

Espírito ou alma, no original bíblico em grego do Novo Testamento, é “daimon”, no plural “daimones”.

Na mitologia e, como vimos, até na Bíblia, nós, almas ou espíritos encarnados e desencarnados, somos também deuses. Ora, se são tantos assim os deuses, isso parece pesar a favor do politeísmo. Mas não é bem assim. Deus verdadeiro é um só, ou seja, o Deus Pai único, absoluto, incriado e causa sem causa, ensinado pelo cristianismo. E nós seríamos deuses, sim, mas criados e relativos, como afirmam a Bíblia e o cristianismo: semelhantes a Deus Pai, mas não deuses iguais a Ele!

Também as religiões do Oriente não cristãs têm seus deuses, mas, igualmente, elas têm seu Deus único e semelhante ou igual ao nosso Deus Pai, ao qual elas dão o nome de Brâman, que não deve ser confundido com o deus relativo Brama da trindade delas. A trindade do Egito antigo tem também o seu deus maior e chefe, Osíris. Quanto ao Islamismo, que não tem trindade, é muito claro seu monoteísmo, com seu Deus único, Alá.

Como acabamos de ver neste texto, o Deus verdadeiro, único e absoluto é mesmo um só para todas as religiões, pois todas, apesar de umas terem seus deuses, que chamaríamos de secundários ou relativos, têm também seu Deus, propriamente dito, único, o que faz o monoteísmo e o politeísmo serem mesmo, no fundo, iguais ou, pelo menos, semelhantes!
  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita