Monoteísmo e politeísmo, no fundo, são
iguais
Todas as religiões têm por objetivo louvar e adorar a
Deus, sob a influência, principalmente, da mitologia,
que era a ciência da época.
Os espíritos que se manifestavam no passado, através dos
pneumatos, palavra grega antiga que significa
“espírito”, “sopro” e “vento”, eram também designados
pelas expressões “do espírito”, “do sopro” e “do vento”
(é também o antigo complemento restritivo da Gramática
Portuguesa e o genitivo latino, indicando posse). Os
espíritos comunicantes através dos pneumatos eram tidos
como sendo os deuses do politeísmo. Cremos que isso
também contribuiu muito para o surgimento do politeísmo.
Kardec passou a chamar os pneumatos de médiuns.
Mas mesmo os hagiógrafos ou autores da Bíblia, que
geralmente eram médiuns, pensavam que todo espírito
comunicante com eles fosse o Espírito do próprio Deus
Javé, do judaísmo, ou o Deus Pai do cristianismo. Os
espíritos manifestantes por meio dos pajés e xamãs dos
índios são tidos, também, como sendo deuses. Aliás, como
os meus queridos leitores sabem, a própria Bíblia nos
chama, igualmente, de deuses (Salmo 82:6 e João 10:34).
Espírito ou alma, no original bíblico em grego do Novo
Testamento, é “daimon”, no plural “daimones”.
Na mitologia e, como vimos, até na Bíblia, nós, almas ou
espíritos encarnados e desencarnados, somos também
deuses. Ora, se são tantos assim os deuses, isso parece
pesar a favor do politeísmo. Mas não é bem assim. Deus
verdadeiro é um só, ou seja, o Deus Pai único, absoluto,
incriado e causa sem causa, ensinado pelo cristianismo.
E nós seríamos deuses, sim, mas criados e relativos,
como afirmam a Bíblia e o cristianismo: semelhantes a
Deus Pai, mas não deuses iguais a Ele!
Também as religiões do Oriente não cristãs têm seus
deuses, mas, igualmente, elas têm seu Deus único e
semelhante ou igual ao nosso Deus Pai, ao qual elas dão
o nome de Brâman, que não deve ser confundido com o deus
relativo Brama da trindade delas. A trindade do Egito
antigo tem também o seu deus maior e chefe, Osíris.
Quanto ao Islamismo, que não tem trindade, é muito claro
seu monoteísmo, com seu Deus único, Alá.
Como acabamos de ver neste texto, o Deus verdadeiro,
único e absoluto é mesmo um só para todas as religiões,
pois todas, apesar de umas terem seus deuses, que
chamaríamos de secundários ou relativos, têm também seu
Deus, propriamente dito, único, o que faz o monoteísmo e
o politeísmo serem mesmo, no fundo, iguais ou, pelo
menos, semelhantes!