O valor da fé
Discutirás em nome da fé, contudo, quase sempre, ao fim
de preciosos duelos verbais, não terás atirado ao
caminho dos semelhantes senão a labareda da violência ou
o veneno do despeito e do ódio.
Combaterás por ela, mobilizando armas e tribunais
terrestres, no entanto, ao término da luta, muitas
vezes, não recolhes senão as brasas do desespero e o fel
da desilusão.
E fácil ser-nos-á sempre criticar em seu nome,
desaprovar ou ferir, pretendendo exaltá-la, e perturbar
e destruir, na suposição de favorecer-lhe o
desenvolvimento e a ascensão, porque todos somos capazes
da atitude obstinada ou da palavra contundente para
consolidar-lhe os princípios, segundo o nosso modo
personalista de ser.
Entretanto, Jesus ensinou-nos a cultivar o verdadeiro
tipo de fé suscetível de erguer-nos da sombra para a
luz.
Ele, que mantinha inalterável comunhão com o Pai
Celeste, jamais guerreou em Seu Nome, a pretexto de
advogar-Lhe a soberania.
Em nome da fé, entregou-se, incansável, ao serviço de
amparo às necessidades humanas, antes de veicular-lhes
os avisos e ensinamentos.
Consagrando-a, passou no mundo, auxiliando e amando,
servindo e perdoando, infinitamente, sem mesmo recorrer
a qualquer proteção legal da justiça, quando escarnecido
na prisão injusta e dilacerado na cruz do crime.
É que o Mestre, em silêncio, revelou-nos, sublime, que a
coragem real da fé será sempre aquela que plasma no
exemplo vivo de trabalho e abnegação, humildade e
renúncia, a mensagem fundamental de sua irresistível
lição.
Do livro Indulgência, obra
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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