Obra de amor
A bandeira de luz, desfraldada por Ismael, no Brasil,
não convocou, em vão, os servos do Cristo ao trabalho da
concórdia e do amor. [1]
A revivescência do Evangelho abre a porta dos corações
aos Espíritos do Senhor; e as realizações cristãs, como
sementeiras abençoadas do Celeiro Divino, surgem como
elevados tentames dos cooperadores humanos em luta com o
joio do mundo velho.
Por vezes, as iniciativas são vacilantes e o esforço dos
que se propõem à edificação sofre limitações que
circunscrevem os cometimentos no campo material,
entretanto, ao influxo de Ismael, compreendemos mais
cedo, no Brasil, que a Doutrina Consoladora não se reduz
a simples órgão de experimentação científica ou de
reajustamento filosófico, nos quadros do conhecimento
humano.
Por mercê do Senhor, reconhecemos que a sua mensagem
sublime consubstancia o apelo generoso do Céu para que a
luz divina resplandeça na Terra, o convite de Mais Alto
para que o planeta se integre no Reino de Deus.
Daí, o característico religioso dos nossos trabalhos, a
substância sublime do nosso depósito espiritual.
Com semelhante assertiva, não menosprezamos o
racionalismo. Destacamos apenas a prioridade do serviço
redentor do sentimento.
No coração permanece a seiva da vida. E é necessário
purificar a seiva para que o fruto regenere e alimente.
O objetivo fundamental de Jesus, em seu apostolado
terrestre foi sempre o homem:
“Levanta-te e anda.”
“A tua fé te salvou.”
“Não temas.”
“Segue-me tu.”
Seus apelos diretos ao coração ressoam na esteira dos
séculos.
Não possuímos outra base para construir o mundo melhor,
e as Forças Divinas não se aproximam de nós com o fim de
arrebatar-nos a Esferas superiores que não merecemos
ainda, mas sim como embaixadas de colaboração excelsa,
de modo a concretizarmos o paraíso que nos será próprio.
Solucionemos os problemas exteriores da vida, estudemos
os fenômenos da evolução, recorramos à análise no
aprimoramento intelectual necessário, mas
convertamo-nos, antes de tudo, ao bem, fazendo-nos
melhores, engrandecendo a vida e o mundo a que fomos
chamados.
Diante da civilização perturbada e empobrecida pelos
abusos do poder, pela extensão do egoísmo e pelos
desvarios da inteligência materialista, temos nós, os
cooperadores humildes do Espiritismo Evangélico,
gigantesca tarefa de reconstrução, iniciada há mais de
meio século.
Dádivas sublimes do Mestre constituem nosso crédito na
atualidade. E, recebendo excessivamente da Divina
Bondade, é lícito sejamos convocados a maiores
testemunhos.
Dilatemos, em vista disso, nossa capacidade receptiva e
iluminemos o santuário de nossa compreensão para que o
Senhor se valha de nós como seus instrumentos.
É razoável que as interpretações se diferenciem na
exposição das afirmativas individuais.
Nas letras sagradas, a escada de Jacob não é símbolo
inútil.
Cada ser descortinará o horizonte, segundo a posição em
que se encontre na jornada ascendente do Espírito.
Instalemos, desse modo, o Reinado de Deus em nós mesmos,
respondendo aos títulos da confiança que nos foi
conferida.
Ainda que estejamos aparentemente distanciados uns dos
outros no setor das definições doutrinárias,
encontramo-nos substancialmente identificados na mesma
realização, porque somos discípulos imperfeitos do mesmo
Mestre e humildes servos do mesmo Senhor.
Reunidos em espírito, sob o estandarte de Ismael,
atendamos ao chamado divino, compreendendo que não fomos
trazidos ao campo de trabalho para as inutilidades da
casuística, mas para as atividades sublimes de auxílio,
fraternidade e entendimento, na obra infinita do amor.
[1] A divina inscrição da bandeira de
Ismael, anjo protetor do Brasil, é: “Deus, Cristo e
Caridade.”
Do livro Comandos do amor, obra psicografada pelo
médium Francisco Cândido Xavier.
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