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Os “mornos bonzinhos” no movimento espírita: entre a
aparência e a vivência
O movimento espírita, ao longo de sua trajetória, sempre
valorizou o estudo, a caridade e o esforço pela
transformação moral. Ainda assim, há a liderança dos
“mornos bonzinhos”.
A ideia de mornidão espiritual refere-se àquele
que conhece a Doutrina, mas evita aplicá-la a si mesmo
ou mascara virtude através de palavras e gestos mansos.
Embora frequente a Casa Espírita, resiste à
autotransformação.
Não se trata de praticar o mal deliberadamente, mas de não
avançar no bem , porque mascaram bondade
permanecendo em uma zona confortável de neutralidade
ética. Ou pensam que todos estão errados menos eles…
Allan Kardec nunca separou o Espiritismo do
aprimoramento moral. Ao contrário, estabeleceu um
critério objetivo e inconfundível para identificar o
verdadeiro espírita: “Reconhece-se o verdadeiro
espírita pela sua transformação moral e pelos esforços
que emprega para domar suas más inclinações.”¹
Essa afirmação desloca o centro da vivência espírita do
discurso para a prática, do saber para o ser. O
Espiritismo não se mede pela projeção pessoal, pela
eloquência nem pela frequência às reuniões, mas pelo
trabalho silencioso que cada um realiza sobre si mesmo.
No mornão, a virtude que não é
transparente. O termo “bonzinho” surge porque, em
regra, essas pessoas são “educadas”, “afáveis”,
“respeitosas” e “bem-intencionadas”. No entanto, a
bondade, quando não sustentada pela vigilância interior,
pode permanecer apenas na superfície, confundindo
cordialidade social com virtude moral.
A caridade eventual, o comportamento gentil e a ausência
de conflitos não substituem o esforço contínuo de
superação do orgulho, do egoísmo e da vaidade.
Emmanuel alerta para esse risco sutil: “O bem que não
se renova acaba por estagnar.”² A estagnação
espiritual não é barulhenta, mas é profundamente
limitadora.
É importante destacar: o Espiritismo não condena, não
acusa, não rotula. Ele esclarece, orienta e convida.
Todos nós, em diferentes momentos da caminhada
evolutiva, já experimentamos fases de acomodação moral.
Reconhecer-se, ainda que parcialmente, em
atitudes mornas não deve gerar culpa, mas consciência e
responsabilidade. O progresso espiritual não exige
perfeição imediata, mas esforço honesto e perseverante.
O movimento espírita necessita menos de “bonzinhos
conformados” e mais de trabalhadores conscientes,
dispostos a aprender, cair, levantar-se e seguir adiante
sem omissões.
O Espiritismo não nos chama à santidade aparente, mas
à coerência possível. Não exige heróis morais, mas
discípulos sinceros do Evangelho, comprometidos com a
própria transformação.
A verdadeira superação do mornidão começa quando o
espírita deixa de perguntar apenas “o que a Doutrina
diz?” e passa a refletir diariamente:
“O que estou fazendo, de fato, sem falsas virtudes, com
o que aprendi?”
Notas bibliográficas:
1- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo
o Espiritismo. Capítulo XVII, item 4 – “O homem de
bem”.
2- XAVIER, Francisco Cândido. Fonte
Viva. Pelo Espírito Emmanuel. Federação Espírita
Brasileira (FEB).
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