O medo
Geralmente, os Espíritos menos adiantados sentem medo
daquilo que desconhecem ou daquilo que acreditam poder
lhes causar algum mal. Diferentemente daqueles que já
compreenderam que Deus é “Soberanamente Justo e Bom”[1] e
que nada ocorre fora de Suas Leis.
Talvez por isso sejam comuns expressões tais como: “não
cai um fio de cabelo da nossa cabeça sem a permissão de
Deus” ou “não cai uma folha da árvore sem que Deus
permita”. Não são citações literais do Evangelho, mas
traduzem uma ideia presente nos ensinamentos de Jesus,
como: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão
todos contados.”[2] A
Providência Divina não se ausenta de nada.
Essas afirmações não eliminam as dificuldades da
existência. Indicam outra coisa: nada ocorre sem causa,
sem finalidade, sem estar dentro das Leis Divinas.
Quando isso se torna claro, o medo perde espaço.
Jesus afirmou: “E não temais os que matam o corpo, e não
podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer
perecer no inferno tanto a alma como o corpo”[3].
Não há razão para temer aqueles que atingem apenas a
carne. A vida verdadeira pertence ao Espírito.
Quanto à advertência final, pode-se entendê-la como
linguagem simbólica. O “inferno”, nesse contexto, é o
sofrimento que nasce das próprias escolhas, do erro
repetido, do afastamento das Leis Divinas.
Esse entendimento se aproxima da afirmação do Mestre:
“...a cada um segundo as suas obras”[4].
Cada Espírito responde pelo caminho que constrói.
Assim, o medo nasce da incerteza e da incompreensão. À
medida que o entendimento cresce e a confiança em Deus
se fortalece, ele perde sua razão de ser. Não porque a
vida se torne fácil, mas porque passa a ser compreendida
como parte de um processo de evolução.
Quem confia em Deus não deixa de enfrentar provas.
Apenas deixa de se sentir sozinho diante delas.
[1] O
Livro dos Espíritos, questão 13.
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