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por Hugo Alvarenga Novaes

 

O medo


Geralmente, os Espíritos menos adiantados sentem medo daquilo que desconhecem ou daquilo que acreditam poder lhes causar algum mal. Diferentemente daqueles que já compreenderam que Deus é “Soberanamente Justo e Bom”[1] e que nada ocorre fora de Suas Leis.

Talvez por isso sejam comuns expressões tais como: “não cai um fio de cabelo da nossa cabeça sem a permissão de Deus” ou “não cai uma folha da árvore sem que Deus permita”. Não são citações literais do Evangelho, mas traduzem uma ideia presente nos ensinamentos de Jesus, como: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”[2] A Providência Divina não se ausenta de nada.

Essas afirmações não eliminam as dificuldades da existência. Indicam outra coisa: nada ocorre sem causa, sem finalidade, sem estar dentro das Leis Divinas. Quando isso se torna claro, o medo perde espaço.

Jesus afirmou: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”[3].

Não há razão para temer aqueles que atingem apenas a carne. A vida verdadeira pertence ao Espírito.

Quanto à advertência final, pode-se entendê-la como linguagem simbólica. O “inferno”, nesse contexto, é o sofrimento que nasce das próprias escolhas, do erro repetido, do afastamento das Leis Divinas.

Esse entendimento se aproxima da afirmação do Mestre: “...a cada um segundo as suas obras”[4]. Cada Espírito responde pelo caminho que constrói.

Assim, o medo nasce da incerteza e da incompreensão. À medida que o entendimento cresce e a confiança em Deus se fortalece, ele perde sua razão de ser. Não porque a vida se torne fácil, mas porque passa a ser compreendida como parte de um processo de evolução.

Quem confia em Deus não deixa de enfrentar provas. Apenas deixa de se sentir sozinho diante delas.


 


[1] O Livro dos Espíritos, questão 13.

[2] Mateus 10,30.

[3] Mateus 10,28.

[4] Mateus 16,27.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita