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por Eder Andrade

 

É possível prevenir a depressão?


Segundo a Agência Internacional de Saúde, no século XXI a depressão será a maior doença incapacitante do planeta, devido a um conjunto de questões que se vêm acumulando desde a Antiguidade. Alguns desses fatores podem ser explicados por questões culturais, nas quais as crenças fortalecem os paradigmas sociais e o atavismo familiar torna-se mais intenso em razão da herança transgeracional.

Os estudos sociopsicológicos ajudam a explicar uma deterioração social promovida pela baixa autoestima da sociedade, principalmente nas grandes cidades, onde a competitividade acentua o sentimento de fracasso e impotência em uma parcela da população que não consegue reproduzir determinado modelo de vida. Esse fenômeno é global, e não apenas característico dos países economicamente menos desenvolvidos.

As pessoas buscam, em algumas correntes religiosas, ajuda para superar suas questões existenciais e enfrentar as pressões do mercado de trabalho, que podem contribuir para o surgimento da depressão.

Tanto na Doutrina Espírita quanto em religiões espiritualistas, muitos adeptos procuram apoio para superar suas questões pessoais, algo bastante natural. Recorrem também a terapias holísticas na esperança de conseguirem enfrentar as pressões sociais que levam ao adoecimento de muitas pessoas.

O estudioso espírita Izaias Claro escreveu em seu livro:

 

A depressão é uma doença somente dos nossos tempos?

Não. A depressão é uma doença tão antiga quanto o homem. Se percorrermos as páginas da história, encontraremos, em todas as épocas, irmãos nossos apresentando um comportamento típico dos depressivos. 1


Nas histórias bíblicas, existem relatos de personagens que enfrentaram profundo sofrimento emocional, como Jó, que, ao perder tudo o que possuía, mergulhou em profunda tristeza e abatimento. Na época, pela ausência de uma terminologia adequada, falava-se em melancolia profunda, condição que levava muitas pessoas ao adoecimento e até à morte.

Não faltam livros de autoajuda propondo dinâmicas e reflexões que nos auxiliem a perceber comportamentos enfermiços de nossa parte. A grande questão, porém, é saber se conseguiremos colocar em prática as sugestões das obras que lemos.

É importantíssimo que a pessoa perceba a possibilidade de estar apresentando sintomas que possam levá-la a um quadro depressivo e procure ajuda clínica, psiquiátrica e terapêutica.

Sob a ótica espiritualista, um fator preponderante que pode nos levar ao adoecimento mais rapidamente estaria relacionado à nossa história espiritual pregressa ou, em outras palavras, à chamada comorbidade espiritual, trazida de outras existências.

Izaias Claro afirma que as estatísticas atuais ultrapassam 15% da população mundial e que, segundo o espírito Joanna de Ângelis, em psicografia de Divaldo Pereira Franco, esse número pode ultrapassar 100 milhões de enfermos. Dados atuais afirmam que a aproximadamente 322 milhões de pessoas no mundo vivem com depressão severa.

Ainda segundo Izaias Claro:

 

...Depressão é um estado de espírito de melancolia, tristeza ou desespero. A intensidade e a duração desse estado dependem da personalidade, dos fatores que desencadeiam o processo e da situação atual da vida do paciente. 1


É muito comum, nas reuniões públicas dos Centros Espíritas, frequentadores solicitarem atendimento fraterno em busca de orientação, perguntando se seria possível prevenir a depressão, realizar um tratamento ou até mesmo um procedimento preventivo.

Por maior que seja a boa vontade do dirigente da casa espírita, nem sempre será possível perceber se a pessoa possui predisposição para desenvolver depressão ou em que grau isso poderá ocorrer.

É necessário estudar e conhecer um pouco mais o que a Doutrina Espírita tem a oferecer, pois, às vezes, nutrimos sentimentos e alimentamos emoções que favorecem nosso adoecimento, nem sempre por conta de questões mal resolvidas, mas também por afinidade mórbida de nossa parte.

Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, deixa a seguinte reflexão:


Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas; acentue-se, ainda, que esses reflexos menos felizes, ao se derramarem sobre o córtex encefálico, produzem alucinações que podem variar da fobia oculta à loucura manifesta, pelas quais os reflexos daqueles companheiros encarnados ou desencarnados, que se nos conjugam ao modo de proceder e de ser, nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou indiretas, conduzindo-nos a deploráveis fenômenos de alienação mental, na obsessão comum, ainda mesmo quando, no jogo das aparências, possamos parecer pessoas espiritualmente sadias. 
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Esse relato de Emmanuel leva-nos a repensar nosso comportamento para com o semelhante, e a passagem bíblica “orai e vigiai” passa a fazer sentido de forma mais ampla. Dessa maneira, precisamos buscar atitudes altruístas que nos auxiliem a mudar nossa forma de pensar e de enxergar o próximo.

O exercício da caridade e a prática do amor ao próximo funcionam como uma reeducação de valores morais. Emmanuel enfatiza a necessidade da caridade e da ajuda ao semelhante, atitudes que podem nos favorecer em momentos de necessidade. A vida é uma via de mão dupla: recebemos de volta aquilo que oferecemos aos outros.


Ajudar com o sentimento, com a ideia, com a palavra e com a ação, ajudar a todos e melhorar sempre é invocar, em nosso favor, o apoio integral da vida. Não nos esqueçamos, pois, de que o auxílio que prestamos às criaturas, sem exigência e sem paga, é a nossa rogativa silenciosa ao Socorro Divino, que nos responde, invariavelmente, com a luz da cooperação e do suprimento.
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Referências:

1) Depressão: Causas, Consequências e Tratamento — Claro, Izaias. Depressão: Causas, Consequências e Tratamento (1998). Cap. 1 — “Primeiras anotações: Doença de todos os tempos”. Editora Clarim. E-book Kindle (2019).

2) Pensamento e Vida — Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida (1958), pelo espírito Emmanuel. Cap. 15 (“Saúde”) e Cap. 23 (“Auxílio”). Editora FEB.


 

 

     
     

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