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por Fernando Rosemberg Patrocínio

Da fé ingênua à inabalável


Poderíamos separar ou distinguir uma coisa da outra, ou seja, a fé simples da certeza? Seriam elas coisas distintas ou apenas semelhantes, guardando entre si alguma afinidade?

Parece-nos que sim, pois a fé é a simples crença em alguma coisa que, mesmo na ausência de provas mais consistentes ou de evidências claras e objetivas, apresenta-se como algo certo e, por isso, incontestável.

É óbvio que o tema é discutível.

Para nós, porém, os espiritistas, a fé situa-se aquém da certeza. Esta, por sua vez, firma-se na evidência, da qual não se pode escapar nem esquivar, porque se impõe pela própria realidade dos fatos.

Allan Kardec, o grande sábio e inolvidável codificador da Doutrina Espírita, afirma em O Evangelho segundo o Espiritismo (1864):

"Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade."

Ora, uma fé que se associa à razão, munida de provas e, portanto, de evidências incontestáveis, é muito mais do que simples crença. Como ensina, com inteira propriedade, o Sr. Kardec, ela se apoia na evidência, na prova concreta, e não em algo fugidio, que escapa à mais simples sondagem da razão, da lógica ou da consistência matematicamente exata.

Assim, pensamos que a fé simplória de muitos fiéis das mais diversas religiões — embora respeitável — haverá de evoluir e avançar para a fé espírita, positiva e inabalável, por estar firmada em fatos e evidências. Por isso, não se curva nem se abala, tendo alcançado o mais elevado grau de progresso e evolução.

Desse modo, tal fé, não tendo mais como avançar, encontra-se no ponto culminante de seu progresso, que se desenvolve desde o átomo até o sublime arcanjo das vastas alturas celestiais.

Tudo evolui e tudo está sujeito ao progresso e ao aperfeiçoamento, até atingir o mais alto cume da escala evolutiva, onde se encontram o Cristo, as divinas falanges angélicas e, acima de tudo, Deus, nosso Pai.

Finalizando, penso que essa fé inabalável, embora tenha alcançado o seu cume, ainda possui uma tarefa a realizar. Ela não pode dissociar-se do coração. Será preciso, se isso ainda não ocorreu, aprimorá-la e aproximá-la do bem maior de todos nós, que é o amor, porque:

"Deus é amor!" (João 4:8.)


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita