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Da fé ingênua à inabalável
Poderíamos separar ou distinguir uma coisa da outra, ou
seja, a fé simples da certeza? Seriam elas coisas
distintas ou apenas semelhantes, guardando entre si
alguma afinidade?
Parece-nos que sim, pois a fé é a simples crença em
alguma coisa que, mesmo na ausência de provas mais
consistentes ou de evidências claras e objetivas,
apresenta-se como algo certo e, por isso, incontestável.
É óbvio que o tema é discutível.
Para nós, porém, os espiritistas, a fé situa-se aquém da
certeza. Esta, por sua vez, firma-se na evidência, da
qual não se pode escapar nem esquivar, porque se impõe
pela própria realidade dos fatos.
Allan Kardec, o grande sábio e inolvidável codificador
da Doutrina Espírita, afirma em O Evangelho segundo o
Espiritismo (1864):
"Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a
razão face a face, em todas as épocas da humanidade."
Ora, uma fé que se associa à razão, munida de provas e,
portanto, de evidências incontestáveis, é muito mais do
que simples crença. Como ensina, com inteira
propriedade, o Sr. Kardec, ela se apoia na evidência, na
prova concreta, e não em algo fugidio, que escapa à mais
simples sondagem da razão, da lógica ou da consistência
matematicamente exata.
Assim, pensamos que a fé simplória de muitos fiéis das
mais diversas religiões — embora respeitável — haverá de
evoluir e avançar para a fé espírita, positiva e
inabalável, por estar firmada em fatos e evidências. Por
isso, não se curva nem se abala, tendo alcançado o mais
elevado grau de progresso e evolução.
Desse modo, tal fé, não tendo mais como avançar,
encontra-se no ponto culminante de seu progresso, que se
desenvolve desde o átomo até o sublime arcanjo das
vastas alturas celestiais.
Tudo evolui e tudo está sujeito ao progresso e ao
aperfeiçoamento, até atingir o mais alto cume da escala
evolutiva, onde se encontram o Cristo, as divinas
falanges angélicas e, acima de tudo, Deus, nosso Pai.
Finalizando, penso que essa fé inabalável, embora tenha
alcançado o seu cume, ainda possui uma tarefa a
realizar. Ela não pode dissociar-se do coração. Será
preciso, se isso ainda não ocorreu, aprimorá-la e
aproximá-la do bem maior de todos nós, que é o amor,
porque:
"Deus é amor!" (João 4:8.)
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