Onde está o amor?
A música “Where is the love”, “Onde está o
amor?”, foi lançada em 1972, cuja letra fala de um casal
questionando a conexão, o carinho e a paixão que um dia
compartilharam.
Essa música fez-me refletir sobre quantas pessoas fazem
a mesma pergunta.
Muitos procuram o amor em coisas, pessoas ou lugares,
como se esse sentimento estivesse fora do seu íntimo.
Isso porque não conseguem identificar ou reconhecer as
suas características essenciais, imaginando algo
totalmente diferente.
O amor está em você, mas a cegueira dominante o encobre
pelo véu do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da soberba,
da indiferença, da raiva, do ódio, do ressentimento,
dentre outros tantos, atuando como barreiras para a
conexão humana e o despertar do afeto.
No livro Garimpo de amor, o Espírito Joanna de
Ângelis, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, no
prefácio, discorre acerca da procura do amor pelas
pessoas, comparando-o a um diamante, um tesouro que
necessita ser procurado, encontrado, explorado,
trabalhado e lapidado para se tornar uma joia preciosa e
brilhante.
No mesmo livro Joanna de Ângelis conta uma lenda persa
de um homem feliz, que residia em uma próspera
propriedade com a sua família e alguns animais.
Em dado momento, passou um religioso pedindo hospedagem,
sendo acolhido por aquele homem.
O visitante perguntou ao anfitrião se ele era feliz e
possuía diamantes ou outras pedras preciosas, as quais
seriam as bases da felicidade.
O homem respondeu que se sentia feliz, pois tinha uma
família amada, saudável e confiante em Deus.
Acrescentou, ainda, que não era ambicioso, dispondo do
necessário e indispensável. Não tinha joias ou outras
pedras preciosas, mas era feliz.
O religioso disse: “Se não possuis diamantes, talvez
jamais os hajas visto, não sabes o que é a felicidade,
tampouco és realmente feliz”, fazendo o homem pensar
e ponderar a respeito do valor dos diamantes,
proporcionando-lhe uma noite mal dormida.
O hóspede, ao despedir-se, sugeriu: “Pensa nos
diamantes, conforme te falei”.
A partir de então, o homem passou a cobiçar diamantes e
perdeu a sua paz.
Como consequência, o homem resolveu vender sua
propriedade, deixou parte do dinheiro com o cunhado, a
quem confiou a família, enquanto seguiu viagem na busca
de diamantes. Percorreu diversos caminhos na busca dos
diamantes, sem jamais os conseguir encontrar.
Envelheceu procurando diamantes e a morte arrebatou-o,
vítima de uma enfermidade, sem alcançar a felicidade das
pedras preciosas. Sua família dispersou-se e sofreu o
abandono, a miséria e a separação.
Quem havia comprado sua propriedade, vivia feliz e era
generoso para com todos.
Depois de um tempo, o religioso retornou àquela
propriedade e procurou o generoso anfitrião, sendo
informado de que ele não mais residia ali.
Convidado a pernoitar naquela mesma residência, após o
jantar, observou algumas pedras que brilhavam sobre a
lareira. Então, perguntou onde tinham encontrado aquelas
pedras, quando responderam que foi no riacho da
propriedade. O hospede exclamou: “Estas pedras são
diamantes”.
Na manhã seguinte, foram ao córrego, onde encontraram
diamantes brutos, negros, brancos e amarelos no leito
das águas transparentes.
Moral da história: “O homem, que era feliz sem
conhecer diamantes, deixou-os no quintal da residência
para ir procurá-los, mundo afora, sem nunca os
encontrar.”
Joanna de Ângelis ensina:
“O mesmo fenômeno ocorre com o amor.
As vidas possuem o amor no seu imo, mas não o conhece.
Necessitam de alguém que as desperte para o significado
profundo e o valor incomparável desse tesouro. No
entanto, muitos se referem ao amor como algo que está em
tal ou qual lugar, apresenta-se nesta ou naquela
situação, sob uma ou outra condição, indicando lugares
onde raramente pode ser encontrado.
O amor radica-se no imo de todos os seres pensantes,
esperando somente ser identificado, para realizar o
mister para o qual se destina.
Não exige sacrifício nem qualquer imposição externa,
pois que pulsa, mesmo quando ignorado, realizando o seu
mister até o momento em que estua de beleza e harmonia,
dominando as paisagens que o agasalham.
La Fontaine escreveu que ‘nada tem poder sobre o amor; o
amor tem-no sobre todas as coisas’.
O amor converte os sentimentos humanos e sublima-os,
tornando-os santificados e libertadores.
Gandhi afirmava que ‘por mais duro que alguém seja,
derreterá no fogo do amor; se não derreter, é porque o
fogo não é bastante forte’.
O amor espera pacientemente no leito do rio existencial
humano até o momento em que seja descoberto, passando
pelo período de desbaste da ganga externa, a fim de que
a sua luminescência esplenda em toda a sua glória
estelar.
Não surge completo, acabado. Necessita ser trabalhado,
aprimorado, bem orientado.
Quanto mais é aplicado, mais se aformoseia, e quanto
mais é repartido, mais se multiplica em poder, valor e
significado.
É o grande desafio para a existência humana, para a
conquista do Espírito imortal.
O amor é um garimpo de diamantes estelares que deve ser
explorado.
Possui gemas de diferentes qualidades e valores muito
diversos.
De acordo com a coragem e a decisão de quem busca
encontrar as suas riquezas insuperáveis, sempre oferece
novos matizes e configurações especiais.”
Joanna de Ângelis, em “Amor e matizes”, esclarece:
“Alcança-se a plenitude terrena quando se consegue amar.
Amar, sem qualquer condicionamento ou imposição,
constitui a meta que todos devem perseguir, a fim de
atingir o triunfo existencial.
O amor é um diamante que, para poder brilhar, necessita
ser arrancado da ganga que o envolve no seu estágio
primário.
Nasce do coração no rumo da vida, expandindo-se na razão
direta em que conquista espaço interno, sempre mais
expressivo e irradiante.
É realização do sentimento que se liberta do egoísmo,
que se transmuda em compaixão, em solidariedade, em
compreensão.
Possuidor de emoções superiores, expressa o nível de
evolução de cada ser, à medida que se agiganta.
Quando alguém empreende a tarefa de ser aquele que ama,
ocorre uma revolução significativa no seu psiquismo, e
todo ele se transforma numa chama que ilumina sem
consumir-se, numa tranquilidade que não se altera. (...)
O amor apresenta-se em variados matizes, que são
resultados das diversas facetas da mesma gema,
refletindo a luz em tonalidades especiais, conforme o
ângulo de sua captação.
Expressa-se num misto de ternura e de companheirismo, de
interesse pelo êxito do outro e de compreensão das suas
dificuldades, de alegria pelas suas conquistas e de
compaixão pelos seus desaires, de generosidade que se
doa e de cooperação que ajuda.
Mesmo quando não aceito, não se entristece nem descamba
em reações psicológicas de autopiedade, preservando-se
do luxo de manter ressentimento, ou de propor o
afastamento de quem o não recebe. (...)
Onde se apresenta o amor, os espectros do ódio, do
ciúme, da cizânia, da maledicência, da perversidade, da
traição, do orgulho se diluem, cedendo-lhe o espaço para
a fraternidade, a confiança irrestrita, a união, a
estimulação, a bondade, a fidelidade, a simplicidade de
coração.
O amor é um tesouro que mais se multiplica, à medida que
se reparte, jamais desaparecendo, porque a sua força
reside na sua própria constituição, que é de origem
divina. (...)
Onde se apresenta o amor, os espectros do ódio, do
ciúme, da cizânia, da maledicência, da perversidade, da
traição, do orgulho se diluem, cedendo-lhe o espaço para
a fraternidade, a confiança irrestrita, a união, a
estimulação, a bondade, a fidelidade, a simplicidade de
coração.
O amor é um tesouro que mais se multiplica, à medida que
se reparte, jamais desaparecendo, porque a sua força
reside na sua própria constituição, que é de origem
divina. (...)
Afinal, sendo de essência divina, nunca será demasiado
repetir-se que o amor é a emanação da Vida, é a alma de
Deus.”
O Mestre Jesus nos ensinou onde encontrar o amor, ao
dizer: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu
pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o
segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como
a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei
e os profetas.” (Mateus, 22: 37-40)
O amor ao próximo será na mesma intensidade do amor a si
mesmo, ou seja, conforme você se ama, ame o seu
semelhante. Assim, o amor nasce dentro de você para,
posteriormente, irradiar amor ao seu redor.
A esse respeito, em “Amor a si mesmo”, Joanna de Ângelis
esclarece:
“O amor que se deve oferecer ao próximo é consequência
natural do amor que se reserva a si mesmo, sem cuja
presença muito difícil será a realização plena do
objetivo da afetividade.
Somente quando a pessoa se ama é que pode ampliar o
sentimento nobre, distribuindo-o com aquelas que a
cercam, bem como estendendo-o aos demais seres vivos e à
mãe Natureza.”
Bibliografia:
BÍBLIA SAGRADA
ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na
psicografia de Divaldo Pereira Franco. Garimpo de
amor. 6ª Edição. Salvador/BA: Editora Leal, 2015.
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