Artigos

por Anselmo Ferreira Vasconcelos

 

Os efeitos da prece


Recentemente consultei a IA do Google (Gemini), já que não descobri nenhum censo a respeito sobre quantas pessoas no Brasil cultivam o hábito de orar. A resposta ao meu prompt veio rápida: cerca de 90% dos brasileiros, segundo essa fonte, têm esse hábito, sendo 70% diariamente. Portanto, são cerca de 203 milhões de pessoas no país que oram, o que é muito positivo. No entanto, ainda há muita gente que não recorre a esse recurso. Uma delas é uma pessoa das minhas relações, que vive – ou pelo menos vivia – uma vida bem conturbada com o marido, filhas, netos, trabalho etc. Ou seja, as coisas andavam bem mal para o lado dela e, por extensão, nada estava funcionando a contento. Numa de nossas conversas, tive a intuição de perguntar-lhe se orava e a resposta foi surpreendente:

- De vez em quando faço o sinal da cruz antes de deitar.

Não satisfeito ainda lhe indaguei: você não faz pelo menos um Pai Nosso antes de dormir para agradecer o dia ou de manhã para enfrentar uma nova jornada?

E a resposta dela foi contundente:

- Não.

Seguiu-se daí, de minha parte, um autêntico arrazoado dos efeitos positivos da prece em nossa vidas como instrumento de ligação com o Criador, sobretudo para (1) pedir ajuda e assistência perante os problemas ordinários que nos afligem, bem como (2) agradecer os benefícios recebidos do mais Alto.

Lembro-me de ter frisado a célebre frase relatada no Evangelho de Mateus (7, 7-8),  “batei, e abrir-se-vos-á”, que trata exatamente dessa conexão indispensável que devemos cultivar com o Senhor. E ainda expliquei-lhe que se a criatura humana não estabelecer esse liame, sua vida tende a ficar bem mais complicada - possivelmente sem um rumo.

Com efeito, os maiorais da espiritualidade são muito claros a respeito dos salutares benefícios da prece. Por exemplo, Emmanuel esclarece, em Vinha de Luz (psicografia de Francisco Cândido Xavier), que:


“A oração é divina voz do espírito no grande silêncio.

“Nem sempre se caracteriza por sons articulados na conceituação verbal, mas, invariavelmente, é prodigioso poder espiritual comunicando emoções e pensamentos, imagens e ideias, desfazendo empecilhos, limpando estradas, reformando concepções e melhorando o quadro mental em que nos cabe cumprir a tarefa a que o Pai nos convoca.

“[...].

“A prece tecida de inquietação e angústia não pode distanciar-se dos gritos desordenados de quem prefere a aflição e se entrega à imprudência, mas a oração tecida de harmonia e confiança é força imprimindo direção à bússola da fé viva, recompondo a paisagem em que vivemos e traçando rumos novos para a vida superior.”


Emmanuel ainda acrescenta na mesma obra que:


“A oração refrigera, alivia, exalta, esclarece, eleva, mas, sobretudo, afeiçoa o coração ao serviço divino. Não olvidemos, porém, de que os atos íntimos e profundos da fé são necessários e úteis a nós próprios.

“[...].

“Se erraste, é preciso procurar a porta da retificação.

“Se ofendeste a alguém, corrige-te na devida reconciliação.

“Se te desviaste da senda reta, volta ao caminho direito.

“Se te perturbaste, harmoniza-te de novo.

“Se abrigaste a revolta, recupera a disciplina de ti mesmo.

“Em qualquer posição de desequilíbrio, lembra-te de que a prece pode trazer-te sugestões divinas, ampliar-te a visão espiritual e proporcionar-te consolações abundantes; todavia, para o Senhor não bastam as posições convencionais ou verbalistas.

“O Mestre confere-nos a Dádiva e pede-nos a Iniciativa.”    


Posto isto, usar de forma diligente e sistemática desse recurso transcendental denota, antes de tudo, a posse de inteligência espiritual do indivíduo, que já descobriu que pouco ou nada consegue realizar de útil e digno de nota sem as bençãos do Senhor.

A minha amiga me informou, há pouco tempo, que passou a orar com frequência e fervor tendo colhido excelentes resultados. Ou seja, está dormindo melhor, os netos e as filhas estão calmos e até o companheiro está mais atencioso.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita