A
parábola do
servo
Apresentaremos a
narrativa suprarreferida e constante do livro Estante
da Vida,
ditado por Irmão X, psicografado por Francisco Cândido
Xavier; como um repórter do além-túmulo, tal espírito
nos ofereceu quadros em linguagem figurada, contudo,
muito compatível com habitantes de nosso mundo, que por
aqui se hospedam e mal utilizam suas faculdades morais,
sobretudo querem utilizar as posses materiais, efêmeras
como as existências corpóreas. Nobre espírito se
divisava entre a Terra e o Céu, vislumbrava adentrar
ambiência de luz; no exterior refletia alva aparência,
com fala harmoniosa e pedia passagem ao responsável
instalado em majestoso pórtico, que separava os planos
bem distintos.
Seria necessário se submeter a um instrumento de pesagem
para ingressar na região do firmamento. Foi reprovado;
chorou, lastimou e argumentou junto ao responsável que
lhe propôs retornar à Terra e vivenciar o maior dos
sentimentos. “Desce à Terra e planta o amor cada dia. A
colheita da caridade dar-te-á íntima luz, assegurando-te
a elevação”. (XAVIER, 2008, 162)
A
entidade aceitou a sugestão, reencarnou e, com riqueza
em nova trajetória, cumpria o prometido com extenso
número de criados; com bondade distribuía alimentos,
remédios e roupas; após quase uns cem anos, retornou ao
posto aduaneiro, no mundo espiritual, com a esperança de
transpor o pórtico. Em vão, não estava habilitado.
Novamente deveria regressar ao mundo físico e
experimentar a prática do amor.
O
espírito, decepcionado, preparou-se a uma nova
reencarnação e então se tornou político, aplicou o bem
e os recursos financeiros que tinha em mãos; destinou o
dinheiro volumoso que possuía para obras sociais,
tais como: estradas, escolas, artes e indústria para
geração de empregos. Colaborou em inúmeras doações a
necessitados.
Novo século vivido e ele aportou naquele conhecido
pórtico de ascensão às esferas superiores. Outra vez a
balança de pesagem reprovou-lhe o acesso. O benfeitor e
recepcionista lhe advertiu o título e as benesses que o
cargo de representante público lhe granjeara – porém,
faltou-lhe o amor.
Notemos as negativas, até aqui narradas, e o mesmo item
impeditivo – a falta do sentimento de amor nas
atitudes.
Ao
ressurgir em novo corpo, tratou de juntar dinheiro e
distribuí-lo, admitiu trabalhadores, assalariou
empregados, socorreu e consolou. Após quase um século
vivido, lá se apresentou, na expectativa de ser
finalmente recebido. Todavia, houve novo entrave no
instrumento de precisão. Faltou-lhe amor nas investidas
filantrópicas pela Terra... Ele chorou, rebateu a ordem
de reprovação. Enfim, nova existência seria a resolução
para a elevação almejada.
Voltou à vida física, desprendido da fortuna. Em seu
poder, atendeu a todos indistintamente, limpou feridas
em doentes, reergueu os caídos nas amargas estradas,
neutralizou o crime, dissipou intrigas, sem titubear em
seus tentames caritativos. Rumou, após a morte, ao
conhecido posto de acesso às dimensões superiores. Nesse
retorno, não trajava riqueza, apesar de ter sido rico;
com apuro, deu outra destinação ao bens usufruídos,
apresentava-se maltrapilho e miserável. Ao se submeter à
pesagem, o fiel da balança apontou positivamente, dessa
forma o candidato estava habilitado. Dessa vez ele foi
aprovado, assim poderia transpor o portal iluminado
conduzido pelo anjo emissário responsável. Por
conseguinte, o guardião lhe deu as boas-vindas. E,
nimbado por um halo de luz, elevou-se aos planos
celestes, “Bem-aventurado sejas tu, meu irmão!
Conquistaste o título de Servo. Podes agora atravessar o
limite, demandando a Vida Superior” (IBIDEM, p. 164).
Irmão X (Humberto de Campos), com sua didática
costumeira e maestria de escritor renomado na Terra, nos
apresentou quatro séculos de lutas para se melhorar. Uma
condição para elevação espiritual foi primordial no
contexto – obras com amor; nada adiantaria
doar sem desprender devoção a si e ao semelhante; não
haverá passaporte à vida sublimada, se não aplicarmos o
maior dos sentimentos humanos – o amor em nossos
propósitos cognitivos e existenciais.
As
premissas espíritas vêm demonstrar aos homens, em
peregrinações terrenas, que se deverão ter compromissos
voltados ao sentimento mais puro, praticado pelo Mestre
dos Mestres, e, alicerçado em suas confabulações com
todos aqueles sedentos do alimento espiritual ao se
acercarem dele naquela época.
Jesus diversas vezes comentou sobre a vida futura,
enalteceu o rumo da humanidade ao porvir. Muitos que o
ouviam se esqueceram disso ou não deram a mínima
importância a essa predição.
Eis,
agora, o Consolador, por meio do Espiritismo, a nos
relembrar tudo isso e a despertar-nos ao futuro. Tal
praticidade apresentada na narrativa de Humberto de
Campos não é fácil de se realizar; entretanto, não é
impossível de se colocar em ação. Basta querermos! E
tal recado daquele tempo se estende a todos nós –
peregrinos da atual “viagem” terrestre.
Paz
a todos!