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por Rogério Miguez

 

Os sonâmbulos vivos 


“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e o Cristo te esclarecerá.” Paulo (Efésios, 5:14.)  


Muitos creem que a existência humana se confirma apenas pela satisfação destes dois instintos básicos: conservação e reprodução, duas importantes leis divinas.

Pensam viver tão-somente por que cuidam e protegem o corpo físico: se alimentando sem excessos e nas horas adequadas, mantendo a sua limpeza e higiene, protegendo-o de perigos imediatos e das temperaturas excessivas no frio e no calor, tomando os remédios recomendados pelos médicos, suplementando a sua dieta, regularmente, com a gama imensa de opções de compostos vitamínicos e minerais tão em moda nestes tempos modernos, descansando por conta das jornadas do imprescindível trabalho e de estudos e, finalmente, procriando, reproduzindo-se, atendendo ao chamamento do Antigo Testamento inscrito no livro de Gênesis - crescei e multiplicai-vos.

É tudo! Estou vivendo como Deus deseja, asseveram. Alguns acreditam mesmo que cumprindo estas poucas obrigações terão lugar assegurado no céu, lugar dos justos e cumpridores dos deveres do Criador.

Infelizmente, ainda não compreendem que o que fazem nada mais é do que o esperado para todos, pois o corpo físico é o nosso precioso instrumento de evolução, desta forma devemos mantê-lo funcionando, e mais, ele é empréstimo divino para o nosso próprio crescimento espiritual, assim, teremos de prestar contas de seu uso, pois o cuidado com o corpo é mandatório, mas há que se atentar também para o progresso espiritual. Pode-se dizer que, acomodados, cuidam e mantém apenas alguns dos talentos que Deus nos concedeu, as capacidades da: visão, audição, mobilidade..., oferecidas pelos implementos biológicos, esquecendo que o principal objetivo da reencarnação é o progresso do ser imortal, e este, para tanto, deve aproveitar ao máximo a passagem pela carne. Em linhas gerais, suas condutas assemelham-se ao padrão de existência da animalidade irracional.

Entretanto, há outro grupo de humanos, bem menor, que também faz tudo isso, basicamente a mesma rotina diária, contudo, além disso, pensa, reflete sobre as situações da vida, busca entender por quais razões ou motivos, acontecimentos tão díspares se sucedem ao longo da existência, alcançando uns e não a outros. Buscam, dentro de suas limitações, pois ainda estão distantes da perfeição relativa, encontrar respostas para fundamentais questões existenciais, ou seja: de onde veio, o que faz na Terra, quais são os seus reais desejos, qual a sua particular missão, pois todos as possuem e, por fim, qual o seu destino final. Este grupo vive ao invés de apenas existir.

É uma diferença imensa, entre a grande maioria que constitui o primeiro da minoria formadora do segundo grupo e, talvez, seja esta uma das principais razões desta humanidade e do planeta se apresentarem atualmente em condições tão conturbadas e desfavoráveis.

O grande grupo atravessa a existência como verdadeiros sonâmbulos vivos, e se indagados se estão dormindo, respondem não, estou acordado! Não percebem que estão entorpecidos pelo predomínio da matéria, dormem e não sabem, assim, não conseguem responder questões diversas sobre si mesmos, não entendem que estão hipnotizados pela satisfação dos sentidos físicos, há bom tempo.

Agem como se já tivessem morrido: de olhos bem fechados para as oportunidades de aprendizado que Deus oferece a todos e em abundância, assistem o tempo passar e quando nada fazem de produtivo ficando ociosos, buscam atividades em que possam matar o tempo, um verdadeiro crime diante das tantas ocasiões de praticar o bem que se apresentam, a todo momento, para si mesmos e para os próximos.

Compreende-se esta conduta para os ditos materialistas e niilistas, todos descrentes na ordem superior a que se encontram submetidos, queiram ou não. Sabem que pensam, desta forma existem, mas deveriam indagar com cuidado com que finalidade, usando o seu intelecto, em muitos casos privilegiado.

Mas em relação aos crentes e, particularmente, aos seguidores do Cristo é incompreensível esta atitude de desleixo em relação a vida que passa, e corre célere, só se percebendo que ela de fato acabou quando o momento da destruição do corpo físico se aproxima, inexorável, mas então, já é tarde, passam, assim, a lastimar o tempo perdido.

São religiosos de aparência, candidatos a preencher as pesquisas estatísticas, pois indagados sobre qual religião seguem, que credo esposam, respondem convictos: sou cristão – católicos, protestantes, espíritas, umbandistas... -, e atualmente estes ditos cristãos somam 2,3 bilhões de pessoas. Nesta hora, alguém poderia lembrar que se espera algo a mais dos seguidores do Cristo.

Ademais, para acontecer a grande transição de mundo de provas e expiações em mundo de regeneração, a Terra precisa de todos nós acordados, atentos, e não dormindo, tais quais sonâmbulos, inconscientes, como tantos se apresentam, paralisados, com as faculdades superiores anestesiadas.

O tempo urge!

Não basta ir à missa de domingo para receber a hóstia; não basta ir ao templo para cantar e repetir frases do Antigo Testamento; não basta acender velas, muito mesmos as virtuais; não basta ir aos centros para receber o passe semanal ou ser defumado com aromas especiais: não basta!

É preciso que os ensinos do Cristo se enraízem e frutifiquem em nosso íntimo, independentemente de qual credo professamos, para que possamos enfim dizer que já não somos nós que existimos por nós mesmos, mas sim o Cristo que governa e vive em nós.


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita