Os sonâmbulos vivos
“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os
mortos e o Cristo te esclarecerá.” Paulo (Efésios,
5:14.)
Muitos creem que a existência humana se confirma apenas
pela satisfação destes dois instintos básicos:
conservação e reprodução, duas importantes leis divinas.
Pensam viver tão-somente por que cuidam e protegem o
corpo físico: se alimentando sem excessos e nas horas
adequadas, mantendo a sua limpeza e higiene,
protegendo-o de perigos imediatos e das temperaturas
excessivas no frio e no calor, tomando os remédios
recomendados pelos médicos, suplementando a sua dieta,
regularmente, com a gama imensa de opções de compostos
vitamínicos e minerais tão em moda nestes tempos
modernos, descansando por conta das jornadas do
imprescindível trabalho e de estudos e, finalmente,
procriando, reproduzindo-se, atendendo ao chamamento do
Antigo Testamento inscrito no livro de Gênesis - crescei
e multiplicai-vos.
É tudo! Estou vivendo como Deus deseja, asseveram.
Alguns acreditam mesmo que cumprindo estas poucas obrigações terão
lugar assegurado no céu, lugar dos justos e cumpridores
dos deveres do Criador.
Infelizmente, ainda não compreendem que o que fazem nada
mais é do que o esperado para todos, pois o corpo físico
é o nosso precioso instrumento de evolução, desta forma
devemos mantê-lo funcionando, e mais, ele é empréstimo
divino para o nosso próprio crescimento espiritual,
assim, teremos de prestar contas de seu uso, pois o
cuidado com o corpo é mandatório, mas há que se atentar
também para o progresso espiritual. Pode-se dizer que,
acomodados, cuidam e mantém apenas alguns dos talentos
que Deus nos concedeu, as capacidades da: visão,
audição, mobilidade..., oferecidas pelos implementos
biológicos, esquecendo que o principal objetivo da
reencarnação é o progresso do ser imortal, e este, para
tanto, deve aproveitar ao máximo a passagem pela carne.
Em linhas gerais, suas condutas assemelham-se ao padrão
de existência da animalidade irracional.
Entretanto, há outro grupo de humanos, bem menor, que
também faz tudo isso, basicamente a mesma rotina diária,
contudo, além disso, pensa, reflete sobre as situações
da vida, busca entender por quais razões ou motivos,
acontecimentos tão díspares se sucedem ao longo da
existência, alcançando uns e não a outros. Buscam,
dentro de suas limitações, pois ainda estão distantes da
perfeição relativa, encontrar respostas para
fundamentais questões existenciais, ou seja: de onde
veio, o que faz na Terra, quais são os seus reais
desejos, qual a sua particular missão, pois todos as
possuem e, por fim, qual o seu destino final. Este grupo
vive ao invés de apenas existir.
É uma diferença imensa, entre a grande maioria que
constitui o primeiro da minoria formadora do segundo
grupo e, talvez, seja esta uma das principais razões
desta humanidade e do planeta se apresentarem atualmente
em condições tão conturbadas e desfavoráveis.
O grande grupo atravessa a existência como verdadeiros
sonâmbulos vivos, e se indagados se estão dormindo,
respondem não, estou acordado! Não percebem que estão
entorpecidos pelo predomínio da matéria, dormem e não
sabem, assim, não conseguem responder questões diversas
sobre si mesmos, não entendem que estão hipnotizados
pela satisfação dos sentidos físicos, há bom tempo.
Agem como se já tivessem morrido: de olhos bem fechados
para as oportunidades de aprendizado que Deus oferece a
todos e em abundância, assistem o tempo passar e quando
nada fazem de produtivo ficando ociosos, buscam
atividades em que possam matar o tempo, um
verdadeiro crime diante das tantas ocasiões de praticar
o bem que se apresentam, a todo momento, para si mesmos
e para os próximos.
Compreende-se esta conduta para os ditos materialistas e
niilistas, todos descrentes na ordem superior a que se
encontram submetidos, queiram ou não. Sabem que pensam,
desta forma existem, mas deveriam indagar com cuidado
com que finalidade, usando o seu intelecto, em muitos
casos privilegiado.
Mas em relação aos crentes e, particularmente, aos
seguidores do Cristo é incompreensível esta atitude de
desleixo em relação a vida que passa, e corre célere, só
se percebendo que ela de fato acabou quando o momento da
destruição do corpo físico se aproxima, inexorável, mas
então, já é tarde, passam, assim, a lastimar o tempo
perdido.
São religiosos de aparência, candidatos a preencher as
pesquisas estatísticas, pois indagados sobre qual
religião seguem, que credo esposam, respondem convictos:
sou cristão – católicos, protestantes, espíritas,
umbandistas... -, e atualmente estes ditos cristãos
somam 2,3 bilhões de pessoas. Nesta hora, alguém poderia
lembrar que se espera algo a mais dos seguidores do
Cristo.
Ademais, para acontecer a grande transição de mundo de
provas e expiações em mundo de regeneração, a Terra
precisa de todos nós acordados, atentos, e não
dormindo, tais quais sonâmbulos, inconscientes, como
tantos se apresentam, paralisados, com as faculdades
superiores anestesiadas.
O tempo urge!
Não basta ir à missa de domingo para receber a hóstia;
não basta ir ao templo para cantar e repetir frases do
Antigo Testamento; não basta acender velas, muito mesmos
as virtuais; não basta ir aos centros para receber o
passe semanal ou ser defumado com aromas especiais: não
basta!
É preciso que os ensinos do Cristo se enraízem e
frutifiquem em nosso íntimo, independentemente de qual
credo professamos, para que possamos enfim dizer que já
não somos nós que existimos por nós mesmos, mas sim o
Cristo que governa e vive em nós.