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Sofrimentos
"Vinde a mim todos vós
que sofreis e que estais
sobrecarregados, e eu
vos aliviarei. Tomai
sobre vós o meu jugo e
aprendei de mim, que sou
brando e humilde de
coração, e encontrareis
repouso para as vossas
almas; porque o meu jugo
é suave e o meu fardo é
leve.” –
Jesus (Mateus, cap. XI,
vv. 28-30.)
Vemos, na questão 931
de O Livro dos
Espíritos, que os
Espíritos afirmam que
nenhuma classe no mundo
— nem entre os mais
pobres nem entre os mais
abastados — é
perfeitamente feliz.
Aquilo que se supõe ser
felicidade
frequentemente encobre
pungentes sofrimentos; a
dor está por toda parte.
No entanto, dizem eles,
as classes sofredoras
são mais numerosas,
porque a Terra é um
mundo de expiações.
Quando o homem fizer
dela a morada do bem e
dos bons Espíritos, não
mais será infeliz, e a
Terra se tornará um
paraíso relativo.
A dor, realmente, se
manifesta em todas as
direções. Ninguém a
deseja, é claro, mas ela
cumpre a função de
aprimoramento e
crescimento do espírito.
Joanna de Ângelis, no
livro Florações
Evangélicas,
psicografado por Divaldo
Pereira Franco, comenta
que a dor é a mensageira
da esperança, que, após
a crucificação do justo,
ensina como avançar com
segurança. Devemos
recebê-la com paciência,
quaisquer que sejam as
circunstâncias em que a
encontremos, nesta hora
de significativas
transformações para o
espírito em processo de
sublimação.
O sofrimento de qualquer
natureza, quando aceito
com resignação,
especialmente aquele
cujas raízes se
encontram em atos
pretéritos do espírito,
propicia renovação
interior e amplas
possibilidades de
progresso, fator
preponderante de
felicidade.
A dor faculta o desgaste
das imperfeições,
propiciando o
descobrimento de
valiosos recursos do
ser, aliás,
inexauríveis.
Completa Joanna de
Ângelis que, após a
lapidação, fulgura a
gema; burilada a aresta,
ajusta-se a engrenagem;
trabalhado o metal, ele
se converte em
utilidade; e, sublimado
pelo sofrimento
reparador, o espírito se
liberta.
Todos nós já
presenciamos sofrimentos
inúmeros. Observamos que
aqueles vividos em meio
à oração e à fé revelam
resignação profunda,
como se um halo de luz
os envolvesse.
Nosso sempre lembrado
Jerônimo Mendonça, o
“Gigante Deitado”,
desencarnado em 1989,
após cerca de trinta
anos acamado, cego e com
dores intensas,
conservava alegria,
lucidez e notável força
moral. Frequentemente,
quando julgava sua
própria vida difícil,
visitava pessoas em
sofrimento ainda maior
que o seu. Nessas
ocasiões, amigos de
Ituiutaba, sua cidade
natal em Minas Gerais, o
conduziam em sua kombi,
em seu leito, para
encontrar outros
enfermos — entre eles,
alguém que, além de
condições semelhantes às
suas, era também surdo.
Nessas visitas, ele
refletia sobre a
misericórdia divina,
reconhecendo que ainda
podia ouvir as palavras
de conforto e as queixas
dos irmãos que o
procuravam para
desabafar. E, assim, ele
próprio os socorria com
palavras de esperança.
Temos assistido a
inúmeras dores. O
espírita, movido pelo
sentimento de
fraternidade e pela
prática da caridade,
encontra ocasião de
visitar acamados,
pessoas em extrema
pobreza e em grandes
sofrimentos, muitas das
quais oferecem
verdadeiros exemplos de
fé e resignação.
A dor bate à porta de
todos nós. Não importa
se num palácio ou num
casebre: ela se faz
presente.
Certa vez, ao conversar
com um valoroso
trabalhador espírita de
elevada posição social,
este relatou que o pai
se encontrava acamado
havia três anos,
paralisado da cabeça
para baixo, sem
diagnóstico conclusivo,
embora lúcido e
consciente. O filho, em
gesto de profundo amor,
alterna-se com o irmão
nos cuidados diários,
inclusive para
auxiliá-lo em tarefas de
higiene e assistência.
Tudo isso realizado com
carinho e dedicação,
reconhecendo-se ali um
aprendizado da paciência
e da resignação.
Temos também amigos
cujos pais enfrentam a
terrível doença de
Alzheimer, incluindo
casos de pessoas antes
cultas, fluentes em
vários idiomas, hoje
acamadas, sem memória e
dependentes de sondas
para alimentação.
São quadros de dor
pungente. E há muitos
outros: os que sofrem na
miséria, na fome, no
frio e ao relento; os
que enfrentam doenças
psiquiátricas, cada vez
mais frequentes na
Terra. A dor se espalha,
embora momentos de
alegria também existam.
É necessário apegar-se
aos ensinamentos de
Jesus e tê-lo como
modelo e guia, para
atravessar a dor com
vitória espiritual.
Jerônimo Mendonça, o
“Gigante Deitado”,
fortalecia-se no
sofrimento e, mesmo
acamado, cantava,
consolava e alegrava, na
certeza da imortalidade
e da transitoriedade da
dor. Tinha convicção de
que, um dia, a morte lhe
traria a libertação e
ele se levantaria do
leito como um pássaro
livre. Assim aconteceu.
O conhecimento espírita
foi-lhe consolação e
luz.
Que possamos aprender
com os que enfrentam
sofrimentos e os vencem
com dignidade. Que o
conhecimento espírita
seja libertador para
todos nós e que, ao
convivermos com a dor,
possamos manter-nos
fortes e confiantes de
que tudo passa, de que
um dia chegará a
libertação espiritual,
permitindo-nos seguir em
paz.
Estudemos sempre, para
compreender. O
conhecimento liberta.
Compreendamos que o amor
de Deus permite a dor
como instrumento de
aprimoramento. Quando o
mundo se libertar do
orgulho e do egoísmo, e
o amor prevalecer, não
haverá mais necessidade
de dor. O amor será a
companhia de todos nós.
Trabalhemos em nós
mesmos para que esse
futuro não tarde. Ao nos
melhorarmos,
contribuiremos para a
melhoria do mundo. E
isso será uma bênção.
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