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por Martha Triandafelides Capelotto

 

Assunto urgente


O que poderia ser urgente a ser tratado diante de tantas coisas que temos por fazer e realizar todos os dias? Quais os aspectos mais relevantes que precisamos observar em nossas vidas? Certamente, para muitos, são todos aqueles de ordem material, ligados à sobrevivência.

E se eu dissesse que, embora todas as coisas sejam importantes, há uma delas que se sobrepõe a todas: a busca pelo conhecimento interior? Sim, o autoconhecimento.

Levando em conta que os rumos da nossa humanidade estão atrelados aos atos de suas criaturas, só por isso já não mereceria uma reflexão?

Quando nos quedamos perplexos diante de tantas notícias desalentadoras sobre as mais diversas ocorrências que envolvem a sociedade terrena, seja aqui no Brasil, seja fora dele, deveríamos, antes de nos queixar, parar e pensar que tudo isso seria evitado, ou sequer aconteceria, se o homem tivesse maior desenvolvimento moral, ético e espiritual. E como alcançar esse desenvolvimento moral, ético e espiritual? Pelo autoconhecimento.

No meio espírita, costumamos chamar isso de reforma íntima.

Sim, reforma íntima, ou seja, reconstrução do nosso ser interior; modificação de comportamentos, muitos deles milenares, arraigados em nós como verdadeiras ervas daninhas, impedindo o nosso crescimento espiritual.

Para que possamos pensar em mudanças externas, na melhoria das condições de vida de milhões de seres que vivem à margem da sociedade, em maior distribuição das riquezas, em menos violência e em tantas outras coisas que ansiamos ver modificadas, será preciso o autoenfrentamento individual, o autodescobrimento de quem somos verdadeiramente, para que a melhora se opere de dentro para fora.

A humanidade clama pelo colo protetor de um Ser maior, que lhe proporcione um estado interior de segurança. Aliás, proteção parece ser, atualmente, a mais básica das necessidades humanas, diante de tantas ameaças e abusos. O medo é o sentimento mais presente na Terra e, por isso, é gritante a necessidade de sentir-se protegido.

Sem absolutamente desprezar a intervenção divina em nossas vidas, e se eu dissesse também que essa proteção é de nossa competência? Explico melhor: todos nós temos os tesouros divinos plantados em nossos corações; apenas estão recobertos pelo lodo proveniente de todas as nossas criações mentais milenares nas faixas sombrias do inconsciente. Aí encontramos a razão para iniciarmos o processo de transformação.

Importante ressaltar que a reforma íntima, por se tratar de um processo, torna trágico acreditar na perfeição instantânea, depois de milhares de anos de cultivo intencional de ervas daninhas no solo do coração. Em tudo deve vigorar o equilíbrio, muito embora, nos círculos religiosos, haja uma predisposição natural para acobertar as mazelas internas. A inaceitação da realidade individual traz uma penosa angústia existencial, justificada pela disparidade entre o modelo proposto pelas diretrizes doutrinárias e aquilo que se é.

De toda forma, se quisermos uma humanidade melhor, o caminho será cada qual começar a limpar as leiras internas, transformando-se gradativamente, por meio de uma análise severa e, ao mesmo tempo, indulgente.

Quando Jesus afirma o valioso ensino: “Conhecereis a verdade, e ela vos libertará”, o Mestre, evidentemente, referia-se à verdade que atinge as mais distantes regiões do coração: a verdade sobre nós mesmos, a nossa realidade.

Portanto, culparmo-nos pelo mal que ainda não conseguimos vencer em nada nos melhora. Melhora real só obteremos com autoestima, valorizando, aí sim, severamente, "a parte boa" que possuímos, fixando as crenças no "homem novo" que já decidimos ser, mantendo o "olhar mental" na meta gloriosa de ser hoje melhor do que ontem, sem nos distrairmos com os chamados inferiores do "homem velho", que agoniza, mas teima em ressuscitar.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita