Assunto urgente
O
que poderia ser urgente a ser tratado diante de tantas
coisas que temos por fazer e realizar todos os dias?
Quais os aspectos mais relevantes que precisamos
observar em nossas vidas? Certamente, para muitos, são
todos aqueles de ordem material, ligados à
sobrevivência.
E
se eu dissesse que, embora todas as coisas sejam
importantes, há uma delas que se sobrepõe a todas: a
busca pelo conhecimento interior? Sim, o
autoconhecimento.
Levando em conta que os rumos da nossa humanidade estão
atrelados aos atos de suas criaturas, só por isso já não
mereceria uma reflexão?
Quando nos quedamos perplexos diante de tantas notícias
desalentadoras sobre as mais diversas ocorrências que
envolvem a sociedade terrena, seja aqui no Brasil, seja
fora dele, deveríamos, antes de nos queixar, parar e
pensar que tudo isso seria evitado, ou sequer
aconteceria, se o homem tivesse maior desenvolvimento
moral, ético e espiritual. E como alcançar esse
desenvolvimento moral, ético e espiritual? Pelo
autoconhecimento.
No
meio espírita, costumamos chamar isso de reforma íntima.
Sim, reforma íntima, ou seja, reconstrução do nosso ser
interior; modificação de comportamentos, muitos deles
milenares, arraigados em nós como verdadeiras ervas
daninhas, impedindo o nosso crescimento espiritual.
Para que possamos pensar em mudanças externas, na
melhoria das condições de vida de milhões de seres que
vivem à margem da sociedade, em maior distribuição das
riquezas, em menos violência e em tantas outras coisas
que ansiamos ver modificadas, será preciso o
autoenfrentamento individual, o autodescobrimento de
quem somos verdadeiramente, para que a melhora se opere
de dentro para fora.
A
humanidade clama pelo colo protetor de um Ser maior, que
lhe proporcione um estado interior de segurança. Aliás,
proteção parece ser, atualmente, a mais básica das
necessidades humanas, diante de tantas ameaças e abusos.
O medo é o sentimento mais presente na Terra e, por
isso, é gritante a necessidade de sentir-se protegido.
Sem
absolutamente desprezar a intervenção divina em nossas
vidas, e se eu dissesse também que essa proteção é de
nossa competência? Explico melhor: todos nós temos os
tesouros divinos plantados em nossos corações; apenas
estão recobertos pelo lodo proveniente de todas as
nossas criações mentais milenares nas faixas sombrias do
inconsciente. Aí encontramos a razão para iniciarmos o
processo de transformação.
Importante ressaltar que a reforma íntima, por se tratar
de um processo, torna trágico acreditar na perfeição
instantânea, depois de milhares de anos de cultivo
intencional de ervas daninhas no solo do coração. Em
tudo deve vigorar o equilíbrio, muito embora, nos
círculos religiosos, haja uma predisposição natural para
acobertar as mazelas internas. A inaceitação da
realidade individual traz uma penosa angústia
existencial, justificada pela disparidade entre o modelo
proposto pelas diretrizes doutrinárias e aquilo que se
é.
De
toda forma, se quisermos uma humanidade melhor, o
caminho será cada qual começar a limpar as leiras
internas, transformando-se gradativamente, por meio de
uma análise severa e, ao mesmo tempo, indulgente.
Quando Jesus afirma o valioso ensino: “Conhecereis a
verdade, e ela vos libertará”, o Mestre, evidentemente,
referia-se à verdade que atinge as mais distantes
regiões do coração: a verdade sobre nós mesmos, a nossa
realidade.
Portanto, culparmo-nos pelo mal que ainda não
conseguimos vencer em nada nos melhora. Melhora real só
obteremos com autoestima, valorizando, aí sim,
severamente, "a parte boa" que possuímos, fixando as
crenças no "homem novo" que já decidimos ser, mantendo o
"olhar mental" na meta gloriosa de ser hoje melhor do
que ontem, sem nos distrairmos com os chamados
inferiores do "homem velho", que agoniza, mas teima em
ressuscitar.
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