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por Juan Carlos Orozco

Reprodução da espécie humana para evoluir


A reprodução é um processo biológico para a perpetuação das espécies que, segundo a Ciência, divide-se em sexuada e assexuada.

A reprodução sexuada é realizada pela fusão de gametas, células reprodutivas masculinas e femininas, como o espermatozoide e o óvulo, para formar novo ser. Esse processo ocorre por meio de meiose e fecundação, gerando novo organismo, o zigoto.

A reprodução assexuada gera outros seres geneticamente idênticos a partir de único progenitor. Esse mecanismo multiplica as espécies com rapidez, sem necessidade de parceiro ou troca de material genético. São exemplos: bactérias, leveduras, amebas e plantas.

A lei de reprodução está inserida em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na Terceira Parte, “Das leis morais”, porque a ótica espírita dessa lei está nesse contexto.

Essa lei expressa a procriação como ato natural e essencial para a continuidade da vida e da evolução intelectual, moral e espiritual, por meio da qual os Espíritos encontram a oportunidade de reencarnar em um novo corpo físico para progredir.

A reprodução é lei da natureza e ato essencial para que o mundo corporal continue existindo. Sem ela, a vida física no planeta pereceria, conforme a resposta dos Espíritos Superiores para a questão 686, em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Ao gerar nova vida, homem e mulher tornam-se instrumentos do plano espiritual para que outros Espíritos tenham a chance de progredir, em que a paternidade e a maternidade são vistas como ato de amor, serviço e caridade. Por essa visão espírita, há um propósito espiritual de reprodução além da função biológica.

Pela Doutrina Espírita, sabe-se que o corpo procede do corpo e o Espírito tem origem divina, sendo imortal, sem fim, por conseguinte não há reprodução entre Espíritos para o surgimento do ser espiritual.

A reprodução biológica, que perpetua a espécie humana na Terra, é inerente da carne, que recebe o Espírito na encarnação.

O perispírito, corpo espiritual, elemento semimaterial, serve de envoltório ao Espírito, ligando a alma ao corpo. Ele é sutil, seguindo a forma humana, sendo invisível no seu estado normal, cuja natureza se eteriza à medida que se depura e eleva na escala espírita.

O Espírito encarnado no corpo constitui a alma. Quando o deixa, por ocasião da morte, sai dele com o perispírito, conservando a forma humana e, nas aparições espirituais, traz a aparência conhecida na vida material.

Pela questão 132, os Espíritos Superiores esclarecem que Deus impõe a encarnação ao Espírito com o fim de fazê-lo chegar à perfeição. Para alcançar essa perfeição, tem que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal. Visa, ainda, outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

Cada Espírito tem a sua individualidade, mantendo-a em todas as existências.

Na questão 689, somos informados de que são os mesmos Espíritos que voltam para se aperfeiçoar em novos corpos, mas que ainda estão longe da perfeição. A atual raça humana, que, pelo seu crescimento, tende a invadir toda a Terra e a substituir as raças que se extinguem, terá sua fase de decrescimento e de desaparição. Elas serão substituídas por outras raças mais aperfeiçoadas, que descenderão da atual, como os homens civilizados de hoje descendem dos seres brutos e selvagens dos tempos primitivos.

O Espírito Miramez, no livro Filosofia Espírita, na psicografia de João Nunes Maia, Volume XIV, Capítulo 26 – Criação nova –, comenta a questão 689 de O Livro dos Espíritos:

“Às raças sucedem raças, cada vez mais aperfeiçoadas, e são os mesmos Espíritos que, de corpo em corpo, se mostram mais aptos a maior entendimento das coisas espirituais. Compete a nós outros nos esforçarmos todos os dias no sentido de vencermos a nós mesmos e descobrirmos o tesouro espiritual existente em nossos corações.

As raças primitivas tendem a desaparecer em quase todos os seus aspectos. Se as almas crescem espiritualmente, elas devem encontrar corpos compatíveis com a sua evolução. Isso é justiça. Não há regressão do Espírito, que sempre se encontra no empuxo para frente. (...)

É da lei crescer e multiplicar, mas sempre melhor hoje do que ontem.”

Assim, pela lei de reprodução, percebemos a evolução dos Espíritos e das espécies ao longo dos tempos.

Esclarece a Doutrina Espírita que os germens da espécie humana já se encontravam entre os elementos orgânicos na Terra e que o homem veio a seu tempo.

Espalhados pela Terra, os seres humanos absorveram os elementos necessários à sua própria formação para os transmitir segundo as leis de reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.

O ser humano é um ser à parte, diferindo dos animais por sua inteligência na satisfação de suas necessidades e para a sua conservação.

O Espírito imortal do ser humano está destinado, pelo progresso intelectual e moral, à perfeição, de maneira progressiva, em pluralidade de existências de sucessivas reencarnações, onde cada vida oferece as experiências necessárias para o aprendizado e a superação de suas imperfeições.

Nenhum Espírito foi criado perfeito, mas todos trazem o gérmen da perfeição e a capacidade de aprender e melhorar.

O tempo que cada um leva para atingir a perfeição depende de seus esforços e escolhas.

As reencarnações sucessivas garantem que todos tenham as mesmas oportunidades de reparação, aprendizado e evolução espiritual para alcançar um estado de aperfeiçoamento espiritual, superando as imperfeições para atuar como ser pleno de sabedoria e amor, em harmonia com as leis do Universo.

É nesse processo evolutivo que se encontra a lei de reprodução, que vai além da conservação biológica como instrumento de continuidade da espécie, permitindo que os Espíritos possam conduzir o seu destino, fazendo com que o corpo biológico dependa de outro na busca de apoio mútuo no contexto de fraternidade humana.

Nesse sentido, o processo biológico de reprodução transcende para além da vida animal, vegetal e de outros reinos, abrangendo situações morais, tais como de maternidade, paternidade, família, casamento e relação existente entre pessoas para que continue o ciclo de aprendizado das futuras gerações.

Essa é a lei de reprodução da espécie humana para evoluir.

 

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MIRAMEZ (Espírito); na psicografia de João Nunes Maia. Filosofia espírita: comentários às perguntas de O Livro dos Espíritos. Volume XIV. 1ª Edição. Belo Horizonte-MG. Editora Fonte Viva, 1990.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita