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Reprodução da espécie
humana para evoluir
A reprodução é um processo biológico para a perpetuação
das espécies que, segundo a Ciência, divide-se em
sexuada e assexuada.
A reprodução sexuada é realizada pela fusão de gametas,
células reprodutivas masculinas e femininas, como o
espermatozoide e o óvulo, para formar novo ser. Esse
processo ocorre por meio de meiose e fecundação, gerando
novo organismo, o zigoto.
A reprodução assexuada gera outros seres geneticamente
idênticos a partir de único progenitor. Esse mecanismo
multiplica as espécies com rapidez, sem necessidade de
parceiro ou troca de material genético. São exemplos:
bactérias, leveduras, amebas e plantas.
A lei de reprodução está inserida em O Livro dos
Espíritos, de Allan Kardec, na Terceira Parte, “Das
leis morais”, porque a ótica espírita dessa lei está
nesse contexto.
Essa lei expressa a procriação como ato natural e
essencial para a continuidade da vida e da evolução
intelectual, moral e espiritual, por meio da qual os
Espíritos encontram a oportunidade de reencarnar em um
novo corpo físico para progredir.
A reprodução é lei da natureza e ato essencial para que
o mundo corporal continue existindo. Sem ela, a vida
física no planeta pereceria, conforme a resposta dos
Espíritos Superiores para a questão
686, em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Ao gerar nova vida, homem e mulher tornam-se
instrumentos do plano espiritual para que outros
Espíritos tenham a chance de progredir, em que a
paternidade e a maternidade são vistas como ato de amor,
serviço e caridade. Por essa visão espírita, há um
propósito espiritual de reprodução além da função
biológica.
Pela Doutrina Espírita, sabe-se que o corpo procede do
corpo e o Espírito tem origem divina, sendo imortal, sem
fim, por conseguinte não há reprodução entre Espíritos
para o surgimento do ser espiritual.
A reprodução biológica, que perpetua a espécie humana na
Terra, é inerente da carne, que recebe o Espírito na
encarnação.
O perispírito, corpo espiritual, elemento semimaterial,
serve de envoltório ao Espírito, ligando a alma ao
corpo. Ele é sutil, seguindo a forma humana, sendo
invisível no seu estado normal, cuja natureza se eteriza
à medida que se depura e eleva na escala espírita.
O Espírito encarnado no corpo constitui a alma. Quando o
deixa, por ocasião da morte, sai dele com o perispírito,
conservando a forma humana e, nas aparições espirituais,
traz a aparência conhecida na vida material.
Pela questão 132, os Espíritos Superiores esclarecem que
Deus impõe a encarnação ao Espírito com o fim de fazê-lo
chegar à perfeição. Para alcançar essa perfeição, tem
que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal.
Visa, ainda, outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito
em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da
criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o
Espírito um instrumento de harmonia com a matéria
essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele
ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que,
concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.
Cada Espírito tem a sua individualidade, mantendo-a em
todas as existências.
Na questão 689, somos informados de que são os mesmos
Espíritos que voltam para se aperfeiçoar em novos
corpos, mas que ainda estão longe da perfeição. A atual
raça humana, que, pelo seu crescimento, tende a invadir
toda a Terra e a substituir as raças que se extinguem,
terá sua fase de decrescimento e de desaparição. Elas
serão substituídas por outras raças mais aperfeiçoadas,
que descenderão da atual, como os homens civilizados de
hoje descendem dos seres brutos e selvagens dos tempos
primitivos.
O Espírito Miramez, no
livro Filosofia Espírita, na psicografia de João
Nunes Maia, Volume XIV, Capítulo 26 – Criação nova –,
comenta a questão 689 de O
Livro dos Espíritos:
“Às raças sucedem raças, cada vez mais aperfeiçoadas, e
são os mesmos Espíritos que, de corpo em corpo, se
mostram mais aptos a maior entendimento das coisas
espirituais. Compete a nós outros nos esforçarmos todos
os dias no sentido de vencermos a nós mesmos e
descobrirmos o tesouro espiritual existente em nossos
corações.
As raças primitivas tendem a desaparecer em quase todos
os seus aspectos. Se as almas crescem espiritualmente,
elas devem encontrar corpos compatíveis com a sua
evolução. Isso é justiça. Não há regressão do Espírito,
que sempre se encontra no empuxo para frente. (...)
É da lei crescer e multiplicar, mas sempre melhor hoje
do que ontem.”
Assim, pela lei de reprodução, percebemos a evolução dos
Espíritos e das espécies ao longo dos tempos.
Esclarece a Doutrina Espírita que os germens da espécie
humana já se encontravam entre os elementos orgânicos na
Terra e que o homem veio a seu tempo.
Espalhados pela Terra, os seres humanos absorveram os
elementos necessários à sua própria formação para os
transmitir segundo as leis de reprodução. O mesmo se deu
com as diferentes espécies de seres vivos.
O ser humano é um ser à parte, diferindo dos animais por
sua inteligência na satisfação de suas necessidades e
para a sua conservação.
O Espírito imortal do ser humano está destinado, pelo
progresso intelectual e moral, à perfeição, de maneira
progressiva, em pluralidade de existências de sucessivas
reencarnações, onde cada vida oferece as experiências
necessárias para o aprendizado e a superação de suas
imperfeições.
Nenhum Espírito foi criado perfeito, mas todos trazem o
gérmen da perfeição e a capacidade de aprender e
melhorar.
O tempo que cada um leva para atingir a perfeição
depende de seus esforços e escolhas.
As reencarnações sucessivas garantem que todos tenham as
mesmas oportunidades de reparação, aprendizado e
evolução espiritual para alcançar um estado de
aperfeiçoamento espiritual, superando as imperfeições
para atuar como ser pleno de sabedoria e amor, em
harmonia com as leis do Universo.
É nesse processo evolutivo que se encontra a lei de
reprodução, que vai além da conservação biológica como
instrumento de continuidade da espécie, permitindo que
os Espíritos possam conduzir o seu destino, fazendo com
que o corpo biológico dependa de outro na busca de apoio
mútuo no contexto de fraternidade humana.
Nesse sentido, o processo biológico de reprodução
transcende para além da vida animal, vegetal e de outros
reinos, abrangendo situações morais, tais como de
maternidade, paternidade, família, casamento e relação
existente entre pessoas para que continue o ciclo de
aprendizado das futuras gerações.
Essa é a lei de reprodução da espécie humana para
evoluir.
Bibliografia:
BÍBLIA SAGRADA.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon
Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª
Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira,
2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon
Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição.
Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
MIRAMEZ (Espírito); na psicografia de
João Nunes Maia. Filosofia espírita: comentários às
perguntas de O Livro dos Espíritos. Volume XIV. 1ª
Edição. Belo Horizonte-MG. Editora Fonte Viva, 1990.
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