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Natural de Bebedouro (SP), onde também reside,
Iberê Rodrigues Fernandes (foto) é
graduado em Engenharia Civil pela Fundação
Educacional de Bebedouro, espírita de infância e
vinculado aos Centros Espíritas “Do Calvário ao
Céu” e “Allan Kardec”, ambos da mesma cidade,
atuando como colaborador e sem cargos diretivos.
Conheçamos sua vivência espírita.
Tendo nascido em família espírita, o que mais
lhe chamou atenção no Espiritismo durante a
vida?
A possibilidade da fé raciocinada. O ensinamento
de buscar ver o mundo com outros olhos, sem a
pressão do tempo biológico que dispomos, de
poder investir em metas por vezes consideradas
inalcançáveis. Por fim, a sustentação emocional
para continuar em frente, mesmo quando o caminho
se apresentou íngreme e áspero.
E como situa a experiência de estudar o
Espiritismo?
É imprescindível estudar qualquer campo do
conhecimento humano que se queira atuar. Não
poderia ser diferente como o Espiritismo,
lembrando a orientação de Kardec: “Temos dito
que a melhor maneira de adquirir conhecimentos
sobre Espiritismo é estudar-lhe a teoria. Os
fatos virão depois, naturalmente, e serão
compreendidos, qualquer que seja a ordem que os
tragam as circunstâncias.” E assim tem
sido.
E a atividade de diálogo com os espíritos, como
a sente após esses anos de experiência?
Atividade fantástica, que nos dá inúmeras
comprovações das afirmações da nossa Santa
Doutrina. Sinto um misto de gratidão, de
satisfação em poder participar das correntes do
Bem, e a constante preocupação de estar
suficientemente preparado para bem fazer o
trabalho de orientação de almas em situação de
extrema fragilidade emocional. É gratificante
participar do esforço de toda equipe – material
e espiritual – em auxiliar uma entidade,
prisioneira das próprias imperfeições, a
repensar e redirecionar caminhos.... São
indescritíveis as emoções que cercam o ambiente
quando se alcança sucesso nos casos atendidos.
E, ainda que não se alcance sucesso, ouvir de
uma entidade endurecida: “...não me convenci
das suas propostas, mas, orem por mim!”, nos
oferece as energias para continuar insistindo e
crendo na premissa de S. Benedito (L dos Médiuns
Cap XXXI, item V): “...crede que o mais
céptico, o mais ateu, o mais incrédulo, enfim,
tem sempre no coração um cantinho que ele
desejara ocultar de si mesmo. Esse cantinho que
é preciso procurar, é preciso achar. É o lado
vulnerável que se deve atacar. É uma
"brechazinha" que Deus intencionalmente deixa
aberta, para facilitar à sua criatura o meio de
Lhe voltar ao Seio. “
Como podemos entender uma autêntica Maturidade
Espiritual?
Seria presunção de minha parte oferecer
“receita” para uma autêntica maturidade
espiritual. Parece-me razoável considerar que
esta condição seja muito variável, ligada às
características e nível evolutivo individual.
Não dá para exigir de uma criança o mesmo
comportamento de um adulto, tanto quando do
indivíduo criado em um ambiente bruto, a fineza
de outro crescido em meio socializado. O caminho
está balizado. Creio que podemos atingir o grau
de maturidade possível, para a nossa condição
espiritual atual, na busca constante em cumprir
as leis de Deus, resumida por Jesus no “Amar a
Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a
si mesmo.”
Há uma receita prática para desenvolvê-la?
Instruir-se doutrinariamente, tanto quanto na
formação acadêmica a que se dedica. Entender a
vida física como escola instrutiva, fonte de
experiências a serem somadas ao patrimônio
espiritual de cada um e, os bens materiais como
ferramentas de trabalho desse desenvolvimento.
Caminhar exercendo sua liberdade com
responsabilidade, fórmula segura de não deixar
para trás vínculos infelizes, resultantes das
ações inconsequentes. Avaliar constantemente o
próprio comportamento e evolução naqueles pontos
que sabemos ser portadores de deficiências,
reconduzindo nossas vidas ao caminho balizado.
Considera que o que mais nos falta é vontade
perseverante e iniciativa nessa direção? Mas e
as intensas influências externas tão variadas?
A leitura que faço é mais amena. Falta-nos
estímulo ao desenvolvimento religioso. A escola
de formação acadêmica nos prepara para sermos
“guerreiros” do mundo material, sem a
contrapartida das questões espirituais. A carga
horária das grades curriculares, quando
contemplam, nos parecem insuficientes para uma
forte formação ética e filosófica capaz oferecer
sustentação emocional diante das dificuldades do
mundo material. Essa realidade influencia e
contamina os interesses da grande maioria, que
foca suas energias exclusivamente no “vencer”
materialmente.
Considerando os diferentes estágios de
maturidade espiritual entre nós encarnados e
também entre os desencarnados, como conciliar
uma vivência de paz e harmonia?
Promovendo paz e harmonia. Desenvolvendo
comportamento que propicie esta condição íntima.
Estar vigilante quanto aos estímulos e
informações que permito, adentrem meu pensamento
e sentimentos, bloqueando aqueles que possam
estimular minhas imperfeições. Ter consciência
de que entre os desencarnados com os quais
estamos vinculados, existem aqueles que nos
querem bem, outros que se aproximam por terem os
mesmos interesses – viciosos ou saudáveis – e
aqueles que vieram cobrar reparação ao mal que
lhes causamos. Buscar sintonia com clima
emocional de coragem, confiança em Deus e no
fato de que é da vontade do Pai que alcancemos a
felicidade – conquista do nosso esforço e
merecimento. Enxergar na espiritualidade amiga o
suporte às nossas necessidades de energia, não
os executores das tarefas que nos competem.
De sua vivência nesses anos todos, o que mais se
destaca a seu ver? Por que?
A evolução que, mesmo lenta, aos poucos se
instala em todos os setores da sociedade.
Deixamos a condição de nômades para o homem
atual, que comercializa sementes que nem foram
plantadas. O conceito de espiritualidade que
adentra as diversas correntes da religião,
eliminando preconceitos enfrentados nos
primórdios da Codificação. Os relevantes estudos
publicados sob o tema “medicina e
espiritualidade”, que começam a ser divulgados
sem embargo, indicando a reaproximação da
ciência e religião. E que a Lei do Progresso se
impõe, de forma gradual, malgrado as influências
daqueles que se mantêm contrários às Leis de
Deus, vencendo mesmo a nossa indisciplina em
aplicar os conceitos adquiridos.
Algo marcante para relatar?
As confirmações do que está na codificação, em
muitos episódios particulares. Dentre eles
destaco uma comunicação recebida em um momento
que atravessava, particularmente, uma situação
muito difícil. O mentor, ao concluir mensagem a
mim dirigida, faz uma observação muito
interessante:
“...em tempo, este hábito que você mantém
durante suas viagens e trabalho no campo, de
raciocinar sobre os temas das exposições e
diálogos que enfrentou dificuldades de
argumentação, é muito salutar. Saiba que estamos
juntos nesses momentos!”
Este meu hábito não era, até então, conhecido
por quaisquer dos presentes a esse encontro.
Suas palavras finais.
Há muita luz à nossa volta. A vida é um desafio
constante. Não importa de que "lado” dela esteja
o espírito. Intercala, consoante ao grau de
aprimoramento individual, momentos de
dificuldades, vitórias, tristezas e alegrias...
Buscamos a iluminação que é a formação integral
do ser alicerçada no desenvolvimento do
intelecto tanto quanto da moral e dos
sentimentos, sublimando os instintos, nos
espiritualizando. Para tanto, ainda que não
percebamos, há sim muita luz à nossa volta,
embora nossos padrões interiores nos avizinhem,
perigosamente, das sombras. Somos uma centelha
Divina que muitos, infelizmente, demoram a
colocá-la a brilhar escondendo-a sob o guante de
muitas imperfeições, reflexo do trabalho de
educação por fazer.
Amadurecer, crescer, evoluir é tarefa árdua e
não poderia ser diferente pois trata-se do
embate mais aguerrido que podemos enfrentar -
vencer a nós mesmos!
Assim quis Deus, para que o patrimônio do saber
fosse conquista individual.
Não estamos sós, procuremos a luz à nossa volta
para alcançar patamar de entendimento onde “a
obediência às leis de Deus ocorra por concessão
da razão e a devoção por concessão do coração”.
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