Três questões objetivas sobre a evangelização infantil
Referindo-nos ao tema da evangelização infantil, temos
de nos debruçar acerca das seguintes questões:
· Por
que é importante evangelizar nossos filhos?
· Quando
a evangelização infantil deve ser iniciada?
· Onde
a evangelização da criança deve ser realizada?
O tema tem sido objeto na imprensa espírita de inúmeras
matérias, mas, dada a sua importância, é sempre bom
voltar a ele, buscando dessa forma esclarecer as pessoas
que se interessam realmente em se aprofundar no
conhecimento da doutrina espírita.
Eis o que os ensinos espíritas nos dizem a respeito do
assunto:
1. Por
que é importante evangelizar nossos filhos?
O primeiro e principal motivo é o fato de que a criança
é um Espírito que está voltando a uma nova experiência
reencarnatória e, como todos nós, traz qualidades e
também imperfeições e inclinações que necessitam ser
aprimoradas. Nesse desiderato, nada supera o que Jesus
nos ensinou, como Allan Kardec registrou de forma clara
logo na Introdução d’O Evangelho segundo o
Espiritismo:
“Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas
nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os
milagres; as predições; as palavras que foram tomadas
pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o
ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de
controvérsias; a última, porém, conservou-se
constantemente inatacável.
Diante desse código divino, a própria incredulidade se
curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se,
estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer
que sejam suas crenças, porquanto jamais ele constituiu
matéria das disputas religiosas, que sempre e por toda a
parte se originaram das questões dogmáticas. Aliás, se o
discutissem, nele teriam as seitas encontrado sua
própria condenação, visto que, na maioria, elas se
agarram mais à parte mística do que à parte moral, que
exige de cada um a reforma de si mesmo.
Para os homens, em particular, constitui aquele código
uma regra de proceder que abrange todas as
circunstâncias da vida privada e da vida pública, o
princípio básico de todas as relações sociais que se
fundam na mais rigorosa justiça. E, finalmente e acima
de tudo, é o roteiro infalível para a felicidade
vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos
oculta a vida futura. Essa parte é a que será objeto
exclusivo desta obra.” (O Evangelho segundo o
Espiritismo, Introdução, parte I.) (Negritamos.)
O ensino moral contido nos Evangelhos é, segundo o
codificador da doutrina espírita, o roteiro infalível
para a felicidade! Ora, transmitir a uma criança
esse ensino e educá-la convenientemente para que o
assimile e pratique, eis uma providência sobre a qual
nada mais é preciso dizer, se é que desejamos para os
nossos filhos que eles trilhem na vida o caminho da
felicidade.
2. Quando a evangelização infantil deve ser iniciada?
Ela deve ser iniciada na infância, um período da
existência corpórea que existe exatamente para isso,
para que possamos preparar nossos filhos com relação às
lutas, às peripécias e aos desafios que enfrentarão em
sua nova experiência reencarnatória.
A respeito desse período, Emmanuel escreveu: "A
juventude pode ser comparada a esperançosa saída de um
barco para uma longa viagem. A velhice será a chegada ao
porto. A infância é a preparação". (Negritamos.)
Aprendemos com o Espiritismo que durante a infância o
Espírito “é mais acessível às impressões que recebe,
capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que
devem contribuir os incumbidos de educá-lo". (Cf. O
Livro dos Espíritos, item 383.) Corroborando esse
pensamento, Emmanuel asseverou:
"O período infantil é o mais sério e o mais propício à
assimilação dos princípios educativos. Até os sete anos,
o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação
para a nova existência. Ainda não existe uma
integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas
recordações do plano espiritual são, por isto, mais
vivas, tornando-se mais suscetível de renovar o caráter
e estabelecer novo caminho. Passada a época infantil,
atingida a maioridade, só o processo violento das provas
rudes, no mundo, pode renovar o pensamento e a concepção
das criaturas, porquanto a alma encarnada terá retomado
o seu patrimônio nocivo do pretérito e reincidirá nas
mesmas quedas, se lhe faltou a luz interior dos sagrados
princípios educativos." (O Consolador, pergunta
109). (Negritamos.)
3. Onde a evangelização da criança deve ser realizada?
Ela deve realizar-se no lar, que será sempre, de acordo
com o Espiritismo, a melhor escola para a preparação das
almas encarnadas. Nesse sentido, o apoio da instituição
religiosa, seja ela espírita, católica ou protestante,
terá o caráter de complementação, o que será sempre de
grande valia para todos, pais e filhos.
A esse respeito escreveu Santo Agostinho:
"Oh! espiritistas, percebei o grande papel da
Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a
alma que nele se encarna vem do espaço para progredir.
Cumpri com os vossos deveres e empregai o vosso amor
em aproximar essa alma de Deus. Essa a missão que
vos foi conferida e da qual recebereis a recompensa, se
a cumprirdes fielmente." (O Evangelho segundo o
Espiritismo, cap. 14, item 9.) (Negritamos.)
Emmanuel ensinou-nos também: "As noções religiosas, com
a exemplificação dos mais altos deveres da vida,
constituem a base de toda educação, no sagrado instituto
da família". (Cf. O Consolador, pergunta 108.)
Os resultados desse esforço, quando realizado com boa
vontade e perseverança, não tardam a aparecer, como o
próprio Allan Kardec declarou publicamente em uma de
suas palestras:
"É notável verificar que as crianças educadas nos
princípios espíritas adquirem uma capacidade de
raciocinar precoce que as torna infinitamente mais
fáceis de serem conduzidas. Nós as vimos em grande
número, de todas as idades e dos dois sexos, nas mais
diversas famílias onde fomos recebidos e pudemos fazer
essa observação pessoalmente. Isso não as priva da
natural alegria, nem da jovialidade. Todavia, não existe
nelas essa turbulência, essa teimosia, esses caprichos
que tornam tantas outras insuportáveis. Pelo contrário,
revelam um fundo de docilidade, de ternura e respeito
filiais que as leva a obedecer sem esforço e as torna
responsáveis nos estudos." (Viagem Espírita em
1862, pág. 30.)
|