|
José Aparecido da Silva nasceu em Sandovalina
(SP) e reside em João Pessoa (PB). Formado em
Ciências Contábeis e fiscal tributário
aposentado, vincula-se à União Espírita Chico
Xavier, na cidade de Conde (PB), respondendo
pelas mídias digitais e pelo boletim informativo
da instituição.
José é marido de Célia Ávalos da Silva, que
reside em Dourados (MS). Coordenadora pedagógica
de profissão, vincula-se igualmente à União
Espírita Chico Xavier, na mesma cidade do
marido, onde ministra cursos e auxilia na
assistência social, atuando também como
palestrante.
Entrevistamos o casal (foto), que
responde alternadamente às questões, trazendo
muita riqueza de informações em suas respostas.
Nelas, o leitor compreenderá por que o casal
indicou duas cidades distantes como residência.
Acompanhe.
José Aparecido, como se tornou espírita?
Tornei-me espírita em 1986, em Dourados (MS).
Passei por um processo que a medicina dizia ser
depressivo, com picos de pânico. Durante esse
tratamento médico, estive internado em várias
ocasiões; houve períodos em que fiquei 23 dias
internado em hospital psiquiátrico, sem
encontrar solução. Não melhorando, passei a
frequentar igrejas das mais diversas
denominações, também sem qualquer melhora. Foi
no Centro Espírita que consegui melhorar e
desenvolver minha mediunidade, daí estar bem até
os dias de hoje. Tenho muita gratidão à
Espiritualidade por tudo isso.
E você, Célia, como foi sua adesão ao
Espiritismo?
Com o sofrimento de meu esposo e o enfrentamento
das dificuldades severas que esse mal requeria,
diria que fui levada a aceitar, porque foi no
Centro Espírita que ele ficou bem. A princípio,
eu era muito cética e não confiava em nada dos
fenômenos. Com o tempo, vendo as manifestações e
as psicografias que ele recebia, fui me
convencendo de que aquilo era muito real e
verdadeiro. Passei então a frequentar o Centro e
a estudar inicialmente as obras básicas. Hoje
sou estudiosa da Doutrina e dedico praticamente
todos os meus dias a ela, que me ajudou a vencer
e a me tornar outra pessoa, muito mais
espiritualizada e vendo a vida sob uma ótica
totalmente diferente da que tinha antes.
José Aparecido, quando se casaram já eram
espíritas?
Não. Toda a minha família era evangélica e não
aceitava o Espiritismo de forma alguma. Também
passei a frequentar igrejas e ali cantava e
trabalhava com a música. Mas era uma coisa muito
fria, porque sentia que me faltava algo. Minhas
curiosidades não eram esclarecidas e, por vezes,
eu era repreendido por fazer perguntas que, para
eles, não eram oportunas. Mas foram momentos de
aprendizado e oportunidades também. Hoje sei que
o acaso não existe e que tudo contribuiu para o
nosso crescimento.
Como lhe surgiu, Célia, o interesse pela música?
Não sabia nada de música. De tanto vê-lo cantar
e participar dos avivamentos nas igrejas,
comecei a me interessar. Não tinha noção alguma.
No Centro Espírita, algumas mensagens
psicografadas por ele eram musicadas, e eu
gostava tanto dessas letras que passei a querer
cantar também. Então comecei a fazer palestras
nas casas espíritas em Dourados (MS). No início,
ele fazia a harmonização sozinho. Com esse
interesse pela música, resolvemos cantar juntos
e fazer também palestras lítero-musicais. E até
hoje estamos alegremente cantando e levando
alegria às pessoas.
José Aparecido, como foi estruturado o trabalho
da produção musical?
Quando íamos realizar palestras musicais nas
casas para as quais éramos convidados, as
pessoas vinham até nós e perguntavam se não
tínhamos algum material para levarem. Então
pensamos em gravar alguma coisa. Como eu recebia
muitos poemas mediunicamente, transformamo-los
em músicas e assim gravamos o primeiro CD, com o
título O Amor. A renda obtida com a venda desses
CDs era destinada integralmente às casas onde
nos apresentávamos, para custear alguma despesa
ou trabalho social por elas desenvolvido. Depois
veio o segundo álbum, Amor e Paz, e estamos com
o terceiro, Amor, Bondade e Paz, praticamente
pronto. Em breve estaremos lançando-o nas
plataformas digitais e divulgando-o nas redes
sociais das quais participamos.
Informe, Célia, qual é o canal que vocês mantêm
no YouTube e qual o conteúdo em destaque.
Nosso canal - @joseaparecidoecelia - nos traz
muitas alegrias. Postamos diariamente mensagens
espíritas. O já conhecido Bom Dia com Alegria
tem muitas visualizações e faz muito bem às
pessoas, conforme os depoimentos que recebemos,
o que nos incentiva muito a continuar esse
trabalho. Também postamos nossas palestras e
vídeos musicais. Hoje contamos com quase 7 mil
inscritos e uma ótima abrangência.
Fale-nos, José Aparecido, sobre a origem das
letras de suas canções.
Determinamos que nossas canções falariam muito
de amor e paz, tanto que esses temas estão
presentes em todos os nossos trabalhos: O Amor,
Amor e Paz e o atual Amor, Bondade e Paz. Isso
porque, em gratidão ao que a Doutrina fez por
nós, trazendo-nos essa bandeira de crescimento e
superação durante os momentos mais difíceis de
nossas vidas. Como falei, as mensagens que
recebia nas sessões ficavam em minha mente;
chegava em casa, pegava o violão ou o teclado e
as transformava em canções. Depois íamos
aprimorando-as até alcançarem a forma que
desejávamos.
E a seleção de temas, Célia, como é feita?
Fizemos o Evangelho Musicado e trabalhamos todos
os 28 capítulos de O Evangelho segundo o
Espiritismo. Temos absoluta certeza de que a
Espiritualidade estava sempre presente e nos
intuía a falar do Evangelho e a levar a música
aliada à palavra, o que trazia muita emoção aos
ambientes em que realizávamos esses eventos.
Como está a repercussão, José Aparecido?
A repercussão é muito boa. As pessoas, a cada
dia, aceitam mais a música nas casas espíritas.
No início tivemos algumas dificuldades, porque
era algo novo e toda mudança costuma encontrar
resistências. Mas o movimento espírita cresceu e
progrediu muito, e isso já não acontece com a
mesma intensidade. Desde 1986, quando me tornei
espírita (a Célia alguns anos depois), tenho
trabalhado com a música, porque sou músico desde
a adolescência, tendo participado de bandas e de
diversos festivais da época. Então, o que eu
tinha para oferecer eram esses dons que Deus me
proporcionou e que a Espiritualidade, com
certeza, refinou, dando mais luz a essa arte que
tanto amamos.
Comente, Célia, sobre as apresentações musicadas
feitas nas casas espíritas.
Fazemos nossas palestras musicadas nas casas que
nos convidam em Dourados e em diversas cidades
do Estado. Como estamos aposentados, hoje
moramos metade do ano em Dourados (MS) e metade
em João Pessoa (PB), continuando esse trabalho
de levar o Evangelho com muita disposição.
Também realizamos atualmente duas lives
semanais. Na segunda-feira participamos da live
promovida pelo canal Renovando Consciências,
estudando a obra Triunfo Pessoal, de Joanna de
Ângelis, a convite da querida Kátia Gomes, que
coordena esse trabalho. Nas quintas-feiras
apresentamos o programa O Evangelho por
Emmanuel, em que realizamos esse estudo aliado à
música e à arte.
Algo marcante, José Aparecido, para relatar
nessa vivência toda?
Muito marcantes para nós são os momentos em que
as pessoas relatam o bem que nossa mensagem lhes
faz. Muitos depoimentos falam das transformações
que realizam em suas vidas. Outros relatam que
estavam prestes a se separar matrimonialmente e,
após nos ouvirem, deram a si mesmos a
oportunidade de um novo recomeço. As pessoas
assistem aos vídeos diários que fazemos desde o
início da pandemia e que, naquela época, foram
consolo e fortalecimento para muitos. Nunca
paramos e até hoje continuamos postando essas
mensagens. Já são mais de 3.500 publicações no
canal, com grande alcance, graças a Deus. Todas
as manhãs, às 5 horas, está no ar o nosso Bom
Dia com Alegria. Isso aumenta muito nossa
responsabilidade e a vontade de trabalhar na
seara de Jesus.
E quanto a você, Célia, algo mais a nos dizer?
Somente agradecer a Deus pela vitória. Todos os
dias estamos sendo vencedores. A cada dia
estamos mais felizes e convictos de que estamos
no caminho certo: o caminho de servir, de
oferecer um pouco daquilo que possuímos em
nossos corações: amor, bondade e paz.
Concluindo esta entrevista, fiquem ambos à
vontade para suas palavras finais.
Ficamos imensamente felizes em receber o contato
do querido Orson, pessoa que admiramos tanto e a
quem queremos profundamente. Conhecemo-lo em
Dourados, nas Semanas Espíritas que ali se
realizam há 10 anos consecutivos, tendo como
idealizador o saudoso Munir Hajj, que nos deixou
há pouco tempo.
Nunca almejamos sucesso nesse trabalho no
sentido de projeção pessoal, mas sempre no ideal
de servir às pessoas que tanto necessitam do
afago, da palavra amiga e do abraço. E isso a
música proporciona, porque talvez onde a palavra
não chegue, a música mansamente se instale no
coração.
Gostaríamos de agradecer pelo incentivo e
carinho, bem como dizer que, para nós, é uma
honra ter esta entrevista publicada em um órgão
de divulgação tão importante quanto a revista O
Consolador. Colocamo-nos também à disposição
para, juntos, participarmos desse ideal de
trabalhar, servir e praticar o bem.
Gratidão sempre! Só gratidão...
 |