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por José Reis Chaves

 

O Cristianismo antes do Espírito Santo trinitário


O Espírito Santo foi concebido para completar o trio necessário à formulação da doutrina da Santíssima Trindade. Essa doutrina foi instituída, em parte, para aproximar o cristianismo das religiões trinitárias dos gentios e, assim, facilitar sua aceitação da mensagem de Jesus.

Antes da formulação da doutrina da Santíssima Trindade, nos primeiros séculos do cristianismo, não existia a crença no Espírito Santo como a Terceira Pessoa trinitária. Jesus e os apóstolos não se referiam a essa concepção, mas aos espíritos, que podem ser maus (atrasados) ou bons (evoluídos).

A esse respeito, encontra-se em São João Evangelista (Primeira Carta, 4:1) a orientação de que se devem examinar os espíritos, para verificar se são bons ou não, dando-se crédito apenas aos bons, pois o mundo já estaria repleto de falsos profetas — entendidos como médiuns que recebiam inspirações de espíritos inferiores.

Essa ideia é associada também a passagens do Antigo Testamento, como em Números 11:26, em que Eldade e Medade, considerados “pneumatós” (médiuns), profetizavam sob inspiração espiritual. Moisés, segundo o texto, teria inclusive expressado o desejo de que todo o povo pudesse profetizar.

Como se observa, tanto em João quanto em Moisés, haveria a defesa do contato entre os espíritos e os chamados vivos do nosso mundo, por intermédio dos “pneumatós”, posteriormente denominados médiuns na codificação espírita por Allan Kardec.

Contudo, é necessário, segundo essa visão, examinar os espíritos manifestantes, dando crédito apenas aos bons e evoluídos. Os espíritos inferiores, ainda em processo de desenvolvimento moral e intelectual, seriam identificados como “maus” ou “enganadores”, enquanto os mais elevados corresponderiam aos chamados anjos. Entre estes e aqueles haveria diferentes graus de evolução espiritual, incluindo arcanjos e figuras reconhecidas pela tradição religiosa como santos.

Os teólogos dos primeiros períodos de consolidação da doutrina da Santíssima Trindade ensinavam que, para as autoridades eclesiásticas — especialmente bispos reunidos em concílios ecumênicos e o papa —, haveria manifestações de espíritos santos. Com o tempo, a repetição dessa ideia teria contribuído para a consolidação da expressão “Espírito Santo” como referência à Terceira Pessoa da Trindade.

Assim, segundo essa interpretação, o Espírito Santo trinitário teria sido definido e sistematizado ao longo da tradição teológica, tornando-se mais enfatizado na doutrina oficial do que a concepção de espírito universal ligado a Deus Pai, entendido como princípio incriado.

Enquanto isso, o Espírito Santo da Terceira Pessoa passou a ser compreendido como entidade distinta e integrante da Santíssima Trindade, conforme a formulação teológica posterior.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita