Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Amizade; reforma íntima


A Canção da Amizade


Vivia numa linda floresta uma cigarra. Mas era uma cigarra diferente, pois raramente cantava:

— Para que cantar? Quem vai me ouvir? — perguntava-se. — Não tenho amigos para alegrar com minha música.

Certo dia, apareceu um coelho branco, de olhos vermelhos, que se aproximou como quem não quer nada e indagou:

— Será que estou ficando surdo?

— Quem é você? — perguntou a Cigarra.

— Ah, surdo não estou; afinal, ouço a sua voz triste — disse o Coelho. — Permita que me apresente: Coelho Maestro Feijó, ao seu dispor.

— Coelho esquisito! Estará surdo ou louco? — indagou a Cigarra, com ironia e meio zangada.

— É que esperava ouvi-la cantar... Conheço muitas histórias de cigarras cantoras. Cante! Cante! Deixe-me ouvir a sua voz! — disse o Coelho.

— Cantar? — indagou a Cigarra, surpreendendo-se. — Já não canto mais; nem sei se me lembro de como é cantar.

— Mas como se explica isso?! Não pode ser! Uma cigarra que não se lembra mais de como se canta?

— Também não sinto vontade! — exclamou a Cigarra, quase chorando.

— Perdoe-me, não queria ofendê-la, é que...

Nesse momento, a Cigarra começou a chorar.

— Ora, ora, não precisa chorar!

— Sabe, Senhor Coelho — disse a Cigarra, soluçando —, para que cantar, se não tenho amigos?

— Amigo não é problema — explicou o Coelho, afetuosamente.

— Para mim é — reclamou a Cigarra. — Há tempos eu tinha dois amigos: Dona Sabiá e o Senhor Galo. Mas quem é que pode aguentar uma Sabiá que vive se envaidecendo de ter uma voz doce e cristalina? E o Senhor Galo? Era de deixar todo mundo surdo. Cantar comigo? Não! Isso é demais para mim!

— Contudo — aconselhou sabiamente o Coelho —, é preciso aceitar os amigos do jeito que eles são, valorizando o que têm de bom e ajudando-os a reparar seus erros. Pense bem... Deus é nosso maior amigo e Ele nos ama como somos.

— Será? — perguntou a Cigarra, que não parecia aceitar muito o que havia dito o Coelho.

— Devo lhe confessar — disse o Coelho — que estou há algum tempo procurando uma solista para o grupo de cantores que dirijo. Talvez você pudesse se tornar nossa amiga e vir completar o grupo!

— Eu até que poderia tentar! — exclamou a Cigarra, com certo entusiasmo. — No entanto, eu bem sei que foi esse meu jeito de ser que me afastou dos meus antigos amigos. Fico logo zangada por qualquer coisa.

— Tente de novo! Tenho certeza de que dará tudo certo. Tente. Comece a cantar.

— Onde estão os seus amigos, o grupo musical que você dirige?

— Venha comigo — disse o Coelho alegremente.

Chegaram a um lugar muito bonito da floresta, onde estavam ensaiando o Senhor Ratinho, Dona Abelha e Dona Coruja.

— Amigos — disse o Coelho, alteando a voz —, vejam a mais nova integrante do grupo: Dona Cigarra!

— Viva! Viva! — gritaram todos.

— Sim — disse a Cigarra —, eu aceito a proposta do amigo Coelho. Estou disposta a melhorar meu humor e a cantar com meus novos amigos.

Assim, a Cigarra soltou, emocionada, a sua voz melodiosa.

Algum tempo depois, Dona Sabiá e o Senhor Galo receberam um convite para a estreia do grupo de cantores do Coelho Maestro Feijó, tendo como solista Dona Cigarra. Ela mesma fez questão de assinar o convite, manifestando a honra de rever os amigos.

A noite foi de muita festa. O Senhor Coelho entrou no palco, seguido dos cantores: Senhor Ratinho, Dona Coruja, Dona Abelha e Dona Cigarra.

Dona Cigarra ofereceu a canção que iria cantar a todos os seus amigos, especialmente aos antigos amigos, Dona Sabiá e o Senhor Galo.

Uma doce música foi ouvida em toda a floresta. Muitos abraços. Muita emoção.

E, até hoje, a melodia da amizade é cantada por todos os bichinhos da floresta.


(História extraída da Apostila de Evangelização da FEB, 1º ciclo de Infância, 1997.)


 


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