Tema: Amizade; reforma íntima
A Canção da Amizade
Vivia numa linda floresta uma cigarra. Mas era uma
cigarra diferente, pois raramente cantava:
—
Para que cantar? Quem vai me ouvir? — perguntava-se. —
Não tenho amigos para alegrar com minha música.
Certo dia, apareceu um coelho branco, de olhos
vermelhos, que se aproximou como quem não quer nada e
indagou:
—
Será que estou ficando surdo?
—
Quem é você? — perguntou a Cigarra.

—
Ah, surdo não estou; afinal, ouço a sua voz triste —
disse o Coelho. — Permita que me apresente: Coelho
Maestro Feijó, ao seu dispor.
—
Coelho esquisito! Estará surdo ou louco? — indagou a
Cigarra, com ironia e meio zangada.
— É
que esperava ouvi-la cantar... Conheço muitas histórias
de cigarras cantoras. Cante! Cante! Deixe-me ouvir a sua
voz! — disse o Coelho.
—
Cantar? — indagou a Cigarra, surpreendendo-se. — Já não
canto mais; nem sei se me lembro de como é cantar.
—
Mas como se explica isso?! Não pode ser! Uma cigarra que
não se lembra mais de como se canta?
—
Também não sinto vontade! — exclamou a Cigarra, quase
chorando.
—
Perdoe-me, não queria ofendê-la, é que...
Nesse momento, a Cigarra começou a chorar.
—
Ora, ora, não precisa chorar!
—
Sabe, Senhor Coelho — disse a Cigarra, soluçando —, para
que cantar, se não tenho amigos?
—
Amigo não é problema — explicou o Coelho, afetuosamente.
—
Para mim é — reclamou a Cigarra. — Há tempos eu tinha
dois amigos: Dona Sabiá e o Senhor Galo. Mas quem é que
pode aguentar uma Sabiá que vive se envaidecendo de ter
uma voz doce e cristalina? E o Senhor Galo? Era de
deixar todo mundo surdo. Cantar comigo? Não! Isso é
demais para mim!
—
Contudo — aconselhou sabiamente o Coelho —, é preciso
aceitar os amigos do jeito que eles são, valorizando o
que têm de bom e ajudando-os a reparar seus erros. Pense
bem... Deus é nosso maior amigo e Ele nos ama como
somos.
—
Será? — perguntou a Cigarra, que não parecia aceitar
muito o que havia dito o Coelho.
—
Devo lhe confessar — disse o Coelho — que estou há algum
tempo procurando uma solista para o grupo de cantores
que dirijo. Talvez você pudesse se tornar nossa amiga e
vir completar o grupo!
—
Eu até que poderia tentar! — exclamou a Cigarra, com
certo entusiasmo. — No entanto, eu bem sei que foi esse
meu jeito de ser que me afastou dos meus antigos amigos.
Fico logo zangada por qualquer coisa.
—
Tente de novo! Tenho certeza de que dará tudo certo.
Tente. Comece a cantar.
—
Onde estão os seus amigos, o grupo musical que você
dirige?
—
Venha comigo — disse o Coelho alegremente.
Chegaram a um lugar muito bonito da floresta, onde
estavam ensaiando o Senhor Ratinho, Dona Abelha e Dona
Coruja.
—
Amigos — disse o Coelho, alteando a voz —, vejam a mais
nova integrante do grupo: Dona Cigarra!
—
Viva! Viva! — gritaram todos.
—
Sim — disse a Cigarra —, eu aceito a proposta do amigo
Coelho. Estou disposta a melhorar meu humor e a cantar
com meus novos amigos.
Assim, a Cigarra soltou, emocionada, a sua voz
melodiosa.
Algum tempo depois, Dona Sabiá e o Senhor Galo receberam
um convite para a estreia do grupo de cantores do Coelho
Maestro Feijó, tendo como solista Dona Cigarra. Ela
mesma fez questão de assinar o convite, manifestando a
honra de rever os amigos.
A
noite foi de muita festa. O Senhor Coelho entrou no
palco, seguido dos cantores: Senhor Ratinho, Dona
Coruja, Dona Abelha e Dona Cigarra.
Dona Cigarra ofereceu a canção que iria cantar a todos
os seus amigos, especialmente aos antigos amigos, Dona
Sabiá e o Senhor Galo.
Uma
doce música foi ouvida em toda a floresta. Muitos
abraços. Muita emoção.
E,
até hoje, a melodia da amizade é cantada por todos os
bichinhos da floresta.
(História extraída da Apostila de
Evangelização da FEB, 1º ciclo de Infância, 1997.)