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A infausta banalização das falsas cartas
“consoladoras” do “além” no Movimento Espírita
O Espiritismo, sendo uma ciência de observação e uma
doutrina filosófica, não poderia marchar sem considerar
o progresso das ferramentas humanas. Se, nos primórdios
do Espiritismo, o falso médium se valia de truques
físicos e prestidigitação para simular a presença dos
desencarnados, assistimos atualmente a surgir uma forma
mais perspicaz de embuste: o uso das redes de informação
digital para forjar a identidade dos parentes mortos.
Em face disso, é dever de qualquer espírita ajuizado
separar o grão do joio. A identidade do desencarnado é
um dos maiores desafios da prática mediúnica. Durante
alguns anos, o médium Chico Xavier psicografou
autenticamente cartas consoladoras em que revelava nomes
ou datas íntimas e oferecia provas robustas de
veracidade das informações do além.
Hoje, porém, a vida privada tornou-se um livro aberto
nas "praças públicas virtuais". É exatamente isso: na
internet, os supostos “médiuns” de hoje colhem inúmeros
subsídios de dados pessoais, consultando Facebook,
WhatsApp, YouTube, Instagram, Twitter, LinkedIn,
Pinterest, Google+ (do falecido e de familiares) que
servirão de roteiro para a construção da falsa carta do
“além”.
Se um Espírito, por intermédio de um suposto
“médium”, limita-se a dizer o que já está registrado em
obituários, perfis sociais ou notícias digitais, a prova
de identidade é completamente nula. A astúcia do
espírita cauteloso deve ser proporcional ao atilamento
do falso médium. Até porque o autêntico desencarnado
demonstra sua presença pela sutileza do
pensamento, pelo estilo que lhe era próprio e por
detalhes que a memória digital não foi capaz de
divulgar.
É cruel observar que a dor sagrada daqueles que choram
seus entes queridos sirva de pasto à vaidade ou à
cupidez desses supostos “médiuns” transmissores de
mensagens do mundo cibernético.
Rigorosamente, aqueles que colhem dados nas "grandes
redes sociais" para construir mensagens “mediúnicas”
fictícias e sempre flagrantemente genéricas não cometem
apenas uma claudicação de fato, mas um crime moral que
precisaria constar no Código Penal.
A legítima mediunidade é uma faculdade concedida por
Deus para o bem, e não para espetacularização
teatral visando ao endeusamento e à exaltação de falsos
“intermediários” do além.
Tais supostos “médiuns” perseguem o abominável desejo de
“aparecer”, de serem idolatrados pelos seguidores
fanatizados como "grandes reveladores" ou, considerando
a projeção nas redes sociais (muitos seguidores), obter
vantagens pessoais diretas e indiretas.
Os Espíritos sérios não se prestam a essas encenações;
eles vêm para nos consolar e instruir, e não para
satisfazer a curiosidade ou alimentar o charlatanismo
mediúnico.
Entendo que as lideranças espíritas do Brasil
(palestrantes e alguns presidentes de federações) não
ignoram tais fraudes mediúnicas; portanto, devem
solidarizarem-se com as vítimas das fraudes,
denunciando tais práticas sempre que puderem.
Nesta condição, sugerimos para o Movimento Espírita
Brasileiro alguns critérios de controle para que toda
mensagem que chegue com "provas" fáceis de serem
encontradas por uma pesquisa virtual comum seja
rejeitada ou, no mínimo, seja tratada com extrema
reserva. A mediunidade séria é discreta. Ela não precisa
de artifícios tecnológicos para se impor; ela brilha
pela luz própria do consolo que oferece.
O progresso das comunicações humanas não deve assustar o
espírita, mas torná-lo mais vigilante. Se a fraude se
moderniza, a razão deve se aperfeiçoar. Como sempre
recomendou o Espírito de Verdade, é preferível rejeitar
dez verdades a admitir uma única mentira como princípio.
A fé inabalável é somente aquela que pode encarar a
razão face a face, em todas as épocas da humanidade.
Sugerimos a quem já possui sua carta “consoladora”
que confira ou providencie o confronto dos dados nas
redes sociais de familiares; seguramente poderão ter
alguma surpresa, talvez sintam um vazio de um segundo
luto, infelizmente! Isso é cruel, mas… segurem na “Mão
de Deus” porque nosso Criador não abdicou do comando da
vida.
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