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por Anselmo Ferreira Vasconcelos

 

Como ressuscitaremos?


“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” — Jesus (João, 5:29).


O trecho acima do Evangelho é particularmente especial, sobretudo nesta hora convulsionada na qual vivemos e onde espoucam escândalos de toda ordem. Desse modo, descobre-se que destacados personagens de relevantes setores da sociedade estão arrolados em tramas diabólicas, nas quais os cidadãos de bem do país foram impiedosamente espoliados. Diferentemente de outros tempos, onde tudo ficava nas densas sombras das negociatas espúrias, tem-se hoje a vigilância mais atenta da imprensa, dos onipresentes meios tecnológicos e da própria população, que passou a cobrar, às vezes de forma extremamente veemente, os infratores.

No entanto, como podemos claramente observar, o porvir ainda é um grande desconhecido para a maior parte das criaturas humanas, especialmente para aquelas que ainda relutam em abraçar os ideais divinos. Por conseguinte, muitos continuam pecando em sua conduta e, assim, atraindo para si mesmos futuras experiências amargurantes. Lamentavelmente, o imperativo do bem ainda não anima muitos corações, que insistem por trilhar caminhos escabrosos, apesar de todos os alertas e recomendações sensatas da espiritualidade.

Como tais pessoas não cogitam do amanhã como deveriam fazer,  preferem desfrutar de uma existência sem significado ou fim louvável e, assim, afundam-se, cada vez mais, no torvelinho de concepções malsãs, emoções escravizantes ou no cultivo de propósitos e desejos malignos. Pobres seres, cumpre ressaltar, que não imaginam o esforço que lhes será exigido para que recuperem a paz de espírito e a própria dignidade perante Deus.

Jesus, que nunca mentia, alertou-nos sobre as nossas reais possibilidades espirituais. Como pondera o Espírito Emmanuel, na obra Pão Nosso (psicografia de Francisco Cândido Xavier), em raríssimas passagens do Evangelho o tema da reencarnação foi tão claramente explicitado como no versículo acima mencionado. Nele, o Senhor, essencialmente, alude à ressurreição (ressurgimento). Mais especificamente, o inspirado mentor explica a questão como segue:

“As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz.

“Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.

“É a volta à lição ou ao remédio.

“Não lhes surge diferente alternativa.”

No citado trecho do Evangelho, a lei de retorno está implícita, restando ao indivíduo  colher as justas consequências do que semeou ao longo da encarnação. Ou ainda como explica didaticamente Emmanuel, “Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos”.

Ou seja, Jesus externa aqui os cuidados e atenções que o ser reencarnado deve adotar para a obtenção, seja no além-túmulo ou em futuras encarnações, do bem-estar espiritual ou a colheita dos espinhos dilacerantes decorrentes de uma existência fracassada por falta de luz interior. Dito de outro modo, inegavelmente haveremos de despertar na espiritualidade cedo ou tarde, dependendo de nós, contudo, se para o merecimento das alegrias e reencontros com os que nos antecederam ou para o enfrentamento do justo pesar e desespero resultante de uma consciência culposa. Há muitos movidos por destrutivo orgulho e soberba que ainda preferem caminhar pelas sombras do caminho; enquanto outros já compreenderam o real significado da vida como oportunidade de reabilitação e desenvolvimento espiritual e, nestes aspectos, se esforçam por melhorar.

Seja qual for a nossa escolha, tenhamos a certeza de que ela apenas refletirá o nosso mais íntimo desejo. Haveremos, sem dúvida, de ressuscitar um dia, mas em que condição?

Reflitamos a respeito!


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita