Como ressuscitaremos?
“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da
vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da
condenação.” — Jesus (João, 5:29).
O trecho acima do Evangelho é particularmente especial,
sobretudo nesta hora convulsionada na qual vivemos e
onde espoucam escândalos de toda ordem. Desse modo,
descobre-se que destacados personagens de relevantes
setores da sociedade estão arrolados em tramas
diabólicas, nas quais os cidadãos de bem do país foram
impiedosamente espoliados. Diferentemente de outros
tempos, onde tudo ficava nas densas sombras das
negociatas espúrias, tem-se hoje a vigilância mais
atenta da imprensa, dos onipresentes meios tecnológicos
e da própria população, que passou a cobrar, às vezes de
forma extremamente veemente, os infratores.
No entanto, como podemos claramente observar, o porvir
ainda é um grande desconhecido para a maior parte das
criaturas humanas, especialmente para aquelas que ainda
relutam em abraçar os ideais divinos. Por conseguinte,
muitos continuam pecando em sua conduta e, assim,
atraindo para si mesmos futuras experiências
amargurantes. Lamentavelmente, o imperativo do bem ainda
não anima muitos corações, que insistem por trilhar
caminhos escabrosos, apesar de todos os alertas e
recomendações sensatas da espiritualidade.
Como tais pessoas não cogitam do amanhã como deveriam
fazer, preferem desfrutar de uma existência sem
significado ou fim louvável e, assim, afundam-se, cada
vez mais, no torvelinho de concepções malsãs, emoções
escravizantes ou no cultivo de propósitos e desejos
malignos. Pobres seres, cumpre ressaltar, que não
imaginam o esforço que lhes será exigido para que
recuperem a paz de espírito e a própria dignidade
perante Deus.
Jesus, que nunca mentia, alertou-nos sobre as nossas
reais possibilidades espirituais. Como pondera o
Espírito Emmanuel, na obra Pão Nosso (psicografia
de Francisco Cândido Xavier), em raríssimas passagens do
Evangelho o tema da reencarnação foi tão claramente
explicitado como no versículo acima mencionado. Nele, o
Senhor, essencialmente, alude à ressurreição
(ressurgimento). Mais especificamente, o inspirado
mentor explica a questão como segue:
“As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da
vida em se banhando nas águas da morte corporal. Suas
realizações do porvir seguem na ascensão justa, em
correspondência direta com o esforço perseverante que
desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora,
todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias
possibilidades de ressurreição na luz.
“Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.
“É a volta à lição ou ao remédio.
“Não lhes surge diferente alternativa.”
No citado trecho do Evangelho, a lei de retorno está
implícita, restando ao indivíduo colher as justas
consequências do que semeou ao longo da encarnação. Ou
ainda como explica didaticamente Emmanuel, “Haverá
ressurreição para todos, apenas com a diferença de que
os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova
condenação, decorrente da criação reprovável deles
mesmos”.
Ou seja, Jesus externa aqui os cuidados e atenções que o
ser reencarnado deve adotar para a obtenção, seja no
além-túmulo ou em futuras encarnações, do bem-estar
espiritual ou a colheita dos espinhos dilacerantes
decorrentes de uma existência fracassada por falta de
luz interior. Dito de outro modo, inegavelmente
haveremos de despertar na espiritualidade cedo ou tarde,
dependendo de nós, contudo, se para o merecimento das
alegrias e reencontros com os que nos antecederam ou
para o enfrentamento do justo pesar e desespero
resultante de uma consciência culposa. Há muitos movidos
por destrutivo orgulho e soberba que ainda preferem
caminhar pelas sombras do caminho; enquanto outros já
compreenderam o real significado da vida como
oportunidade de reabilitação e desenvolvimento
espiritual e, nestes aspectos, se esforçam por melhorar.
Seja qual for a nossa escolha, tenhamos a certeza de que
ela apenas refletirá o nosso mais íntimo desejo.
Haveremos, sem dúvida, de ressuscitar um dia, mas em que
condição?
Reflitamos a respeito!
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