Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Guardar mágoa; perdão


A batata


Augusta estava muito chateada porque Lívia havia perdido um filme que levara emprestado. Embora a menina já tivesse pedido desculpas, Augusta não queria brincar com ela.

E, para completar, disse que não a perdoava e que não queria mais falar no assunto.
A mãe de Augusta,
Dona Luísa, não entendia como uma amizade tão antiga e tão bonita poderia acabar de repente por um motivo qualquer.

Sugeriu, então:

— Vamos fazer o seguinte: enquanto você estiver magoada com sua amiga, vai carregar esta batata para todo lado. Ela será sua nova amiga.

Augusta concordou, contanto que não precisasse desculpar Lívia, pois achava que assim daria uma boa lição na garota. Passou, então, a carregar a batata pela casa. Quando foi tomar banho, lavou a batata, colocou perfume e até desenhou uma carinha na nova amiga.

No outro dia, antes de ir para a escola, a mãe perguntou:

— Vai falar hoje com sua amiga Lívia?

— Nem pensar... — respondeu Augusta.

— Então leve a batata para a escola — disse firmemente a mãe.

Augusta achou estranho, mas, no meio da mochila, ninguém iria perceber. Durante o intervalo, lembrou-se de que Lívia era uma amiga muito legal. Teve vontade de desculpá-la, mas era orgulhosa: achava que estava certa e que a amiga devia sofrer.

No dia seguinte, a mãe argumentou que alimentar sentimentos ruins prejudicava somente quem os sentia. Mas nada fazia Augusta mudar de ideia. E, conforme o combinado, enquanto não perdoasse a amiga, carregaria a batatinha.

— Por mim, tudo bem — resmungou a menina, cheia de mágoa.

Porém, no terceiro dia, a batatinha começou a exalar um cheiro esquisito. Perguntaram o que havia na mochila. Augusta desconversou.

— Não dá mais! A batata está cheirando mal! — disse aflita ao chegar a casa.

— Mas foi você quem escolheu carregar a mágoa — disse Dona Luísa.

— E o que isso tem a ver com a batata? — quis logo saber a menina.

Então, calmamente, a mãe explicou que a batatinha simbolizava a mágoa que ela sentia pela amiga. E que os sentimentos ruins não faziam mal a Lívia, mas sim à própria filha, que estava emitindo energias negativas, assim como a batatinha que cheirava mal.

— Quando apenas dizemos que perdoamos, mas não esquecemos o que nos magoou, é como guardar a batatinha no guarda-roupa... Ficamos guardando algo que só nos fará mal. Já pensou depois de um mês?

— Nem quero imaginar!

Augusta finalmente compreendeu que o ódio e a mágoa são sentimentos que prejudicam somente quem os alimenta.

Depois dessa conversa, Augusta perdoou Lívia e esqueceu completamente o que havia acontecido.

Ainda hoje, quando pensa em não perdoar ou em guardar mágoa de alguém, lembra-se logo do cheiro ruim da batata que carregou e trata de perdoar a pessoa e esquecer o ocorrido.


(História de autoria de Claudia Schmidt.)


 


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