Ante a orfandade
Cultivarás a semente nobre que te supre o pão.
Protegerás a árvore respeitável que te assegura a bênção
do reconforto.
E plantarás na infância o porvir que te espera.
Recolhe, sim, a criança que chora a ausência do braço
paterno ou que se lastima ante a falta do regaço materno
que a morte suprimiu.
A dor dos que vagueiam sem rumo é grito de aflição que
clama no seio augusto da Eterna Bondade.
Não abandones à orfandade moral os corações pequeninos
que o Céu te confia ao apoio e à vizinhança.
Não te julgues exonerado do dever de assistir todos
aqueles que, em plena aurora da vida humana, te
defrontam a marcha.
Todos eles aguardam-te a palavra de instrução e carinho
e a tua demonstração de solidariedade e de amor.
Orientam-se por teus passos, guiam-se por teu verbo e
atendem por teu chamado.
Agora assimilam-te os gestos e ouvem-te as assertivas e,
mais tarde, reconduzir-te-ão a mensagem do exemplo às
existências de que se rodeiam.
O mundo de hoje é o retrato fiel dos homens de ontem que
no-lo transmitiram com as qualidades e os defeitos de
que se nutriam no campo das próprias almas.
A Terra de amanhã será, inelutavelmente, o reflexo de
nós mesmos.
Não te comovas tão somente perante o sofrimento que
sufoca milhares de pequeninos. Faze algo.
Começa diante daqueles que o Senhor te localiza junto
aos próprios sonhos, no instituto doméstico, para que as
tuas esperanças no bem não se resumam à fantasia.
Recorda que os meninos da atualidade estão endereçados à
posição de senhores do lar que te acolherá no grande
futuro e neles encontrarás a colheita do que houveres
semeado, de vez que a lei é sempre a lei multiplicando
os bens e os males da vida, conforme a plantação que
fizermos, no descaso ou na vigilância, no trabalho ou na
preguiça, nos precipícios da sombra ou nas eminências da
luz.
Do livro Família, obra
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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