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Natural de Monte Azul Paulista e residente em
São José do Rio Preto, ambos municípios do
interior paulista, Weber José Depieri Júnior (foto) formou-se
em Direito e exerce a profissão de advogado.
Vincula-se ao Centro Espírita Cairbar Schutel,
na cidade onde reside. Atua como colaborador na
condução das palestras públicas às
quartas-feiras e também nas tarefas de passe.
Dedica-se, ainda, à divulgação espírita por meio
de palestras na cidade e na região.
Entrevistamo-lo sobre sua vivência espírita.
Como se tornou
espírita?
O primeiro contato com o Espiritismo ocorreu na
minha infância, por intermédio de minha
genitora, que começou a trabalhar no Centro
Espírita Allan Kardec, na cidade de Olímpia
(SP). Ao acompanhá-la, fui encaminhado para a
evangelização infantil. Já na adolescência,
tendo vários questionamentos acerca do mundo
invisível, ela me orientou a ingressar em um
grupo de estudos, no qual, por volta dos 14
anos, comecei minha trajetória no movimento
espírita.
Esse conhecimento lhe respondeu às perguntas
interiores?
O conhecimento adquirido trouxe mais um
reajustamento emocional e espiritual na minha
forma de analisar o mundo do que,
necessariamente, respostas às indagações
interiores, pois são essas perguntas sem
resposta que, de alguma forma, nos mobilizam a
continuar a caminhada. A beleza está no processo
dessa trajetória, e não no fim. Sempre fiz do
Espiritismo uma escola de aprendizado.
Em que centros espíritas atua na cidade?
Atualmente trabalho no Centro Espírita Cairbar
Schutel, de São José do Rio Preto (SP), embora
já tenha atuado em outros centros da cidade.
Como palestrante, sou convidado para ministrar
palestras em outras instituições espíritas,
estando cadastrado junto ao programa de
palestrantes da USE da cidade.
E qual a percepção sobre as atividades das
instituições a que se vincula?
Faço parte de uma instituição espírita que
realiza diversas atividades, cujas instalações
são adequadas para recepcionar e atender todos
aqueles que procuram auxílio emocional,
tratamento espiritual e conhecimento na área
espírita. Ou seja, a casa é bastante receptiva.
E do público participante? Como sente a
expectativa, o interesse, o conhecimento e a
interação desse público?
Percebo que os frequentadores se interessam
pelas palestras e se identificam com o conteúdo
apresentado pelos expositores. Inclusive,
algumas pessoas os procuram para agradecer ou
comentar alguma passagem considerada relevante.
Relate sua experiência como palestrante, bem
como sua preferência e escolha dos temas, o
preparo das apresentações e o retorno do
público.
Confesso que prefiro ministrar palestras a
ouvi-las. Os assuntos que escolho para abordar
normalmente decorrem de situações vivenciadas.
Por exemplo, após o desencarne de meu avô, criei
o tema “Educação para o desencarne”; quando me
retirei do escritório de advocacia em que
trabalhava, desenvolvi o tema “Aceitar as
mudanças”. Todos os assuntos, porém, estão
baseados no Evangelho de Cristo, exemplificados
com as obras espíritas, além de abordarem fatos
contemporâneos do nosso cotidiano, justamente
para que haja identificação por parte dos
ouvintes.
Que ângulo de abordagem mais lhe chama a
atenção, tanto em suas palestras quanto nas dos
demais expositores que costuma ouvir?
O conhecimento do Evangelho de Cristo e o estudo
aprofundado da Doutrina Espírita são as bases
que considero importantes para quem exerce a
função de expositor. Entretanto, para mim, são
inadequadas as palestras baseadas na vida
pessoal do palestrante ou em determinados
aspectos profissionais, sem conteúdo
esclarecedor ou doutrinário, transformando a
exposição em um ato de promoção pessoal
(marketing).
E como é a condução da palestra pública e dos
passes no Cairbar Schutel?
Tanto os passes quanto as palestras são
conduzidos por pessoas comprometidas, alinhadas
com os preceitos espíritas.
Na atividade dos passes, o que gostaria de
dizer?
O passista é um instrumento para a transmissão
dos fluidos cósmicos universais, devendo
preparar-se desde o início do dia para os
trabalhos da noite. Observo que algumas pessoas
adentram o centro poucos minutos antes do início
dos passes, sem interesse pela palestra.
Entretanto, o passe é um complemento das
atividades da casa espírita, e não o seu
objetivo principal. É fundamental compreender
que a reforma íntima representa o caminho para a
cura interior e para o progresso moral.
Alguma passagem marcante que gostaria de
relatar?
Como disse anteriormente, para mim, a casa
espírita está mais voltada para uma escola de
aperfeiçoamento moral e espiritual do que para
um hospital. Muito embora o centro se constitua
em um ambiente de amparo e alívio das chagas
provenientes da alma, a proposta espírita é
muito mais ampla, trazendo direcionamento a
todos os que necessitam de paz.
Algo mais a acrescentar?
O Espiritismo não deve apenas ser lido, mas
estudado, pois ler não é a mesma coisa que
estudar. Por isso, muitos deixam de lado o
aspecto filosófico da doutrina, não vivenciam de
forma completa sua proposta e acabam
interpretando-a de maneira superficial, a ponto
de rejeitá-la sem ao menos compreender seu real
significado.
Suas palavras finais.
Finalizo minhas palavras citando uma frase
contida no capítulo VI de O Evangelho
segundo o Espiritismo: “Espíritas!
Amai-vos, eis o primeiro ensinamento;
instruí-vos, eis o segundo.”
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