Entrevista

por Orson Peter Carrara

Uma vivência espírita, com entendimento  gradativo e constante


Natural de Monte Azul Paulista e residente em São José do Rio Preto, ambos municípios do interior paulista, Weber José Depieri Júnior (foto) formou-se em Direito e exerce a profissão de advogado. Vincula-se ao Centro Espírita Cairbar Schutel, na cidade onde reside. Atua como colaborador na condução das palestras públicas às quartas-feiras e também nas tarefas de passe. Dedica-se, ainda, à divulgação espírita por meio de palestras na cidade e na região. Entrevistamo-lo sobre sua vivência espírita.


Como se tornou espírita?

O primeiro contato com o Espiritismo ocorreu na minha infância, por intermédio de minha genitora, que começou a trabalhar no Centro Espírita Allan Kardec, na cidade de Olímpia (SP). Ao acompanhá-la, fui encaminhado para a evangelização infantil. Já na adolescência, tendo vários questionamentos acerca do mundo invisível, ela me orientou a ingressar em um grupo de estudos, no qual, por volta dos 14 anos, comecei minha trajetória no movimento espírita.

Esse conhecimento lhe respondeu às perguntas interiores?

O conhecimento adquirido trouxe mais um reajustamento emocional e espiritual na minha forma de analisar o mundo do que, necessariamente, respostas às indagações interiores, pois são essas perguntas sem resposta que, de alguma forma, nos mobilizam a continuar a caminhada. A beleza está no processo dessa trajetória, e não no fim. Sempre fiz do Espiritismo uma escola de aprendizado.

Em que centros espíritas atua na cidade?

Atualmente trabalho no Centro Espírita Cairbar Schutel, de São José do Rio Preto (SP), embora já tenha atuado em outros centros da cidade. Como palestrante, sou convidado para ministrar palestras em outras instituições espíritas, estando cadastrado junto ao programa de palestrantes da USE da cidade.

E qual a percepção sobre as atividades das instituições a que se vincula?

Faço parte de uma instituição espírita que realiza diversas atividades, cujas instalações são adequadas para recepcionar e atender todos aqueles que procuram auxílio emocional, tratamento espiritual e conhecimento na área espírita. Ou seja, a casa é bastante receptiva.

E do público participante? Como sente a expectativa, o interesse, o conhecimento e a interação desse público?

Percebo que os frequentadores se interessam pelas palestras e se identificam com o conteúdo apresentado pelos expositores. Inclusive, algumas pessoas os procuram para agradecer ou comentar alguma passagem considerada relevante.

Relate sua experiência como palestrante, bem como sua preferência e escolha dos temas, o preparo das apresentações e o retorno do público.

Confesso que prefiro ministrar palestras a ouvi-las. Os assuntos que escolho para abordar normalmente decorrem de situações vivenciadas. Por exemplo, após o desencarne de meu avô, criei o tema “Educação para o desencarne”; quando me retirei do escritório de advocacia em que trabalhava, desenvolvi o tema “Aceitar as mudanças”. Todos os assuntos, porém, estão baseados no Evangelho de Cristo, exemplificados com as obras espíritas, além de abordarem fatos contemporâneos do nosso cotidiano, justamente para que haja identificação por parte dos ouvintes.

Que ângulo de abordagem mais lhe chama a atenção, tanto em suas palestras quanto nas dos demais expositores que costuma ouvir?

O conhecimento do Evangelho de Cristo e o estudo aprofundado da Doutrina Espírita são as bases que considero importantes para quem exerce a função de expositor. Entretanto, para mim, são inadequadas as palestras baseadas na vida pessoal do palestrante ou em determinados aspectos profissionais, sem conteúdo esclarecedor ou doutrinário, transformando a exposição em um ato de promoção pessoal (marketing).

E como é a condução da palestra pública e dos passes no Cairbar Schutel?

Tanto os passes quanto as palestras são conduzidos por pessoas comprometidas, alinhadas com os preceitos espíritas.

Na atividade dos passes, o que gostaria de dizer?

O passista é um instrumento para a transmissão dos fluidos cósmicos universais, devendo preparar-se desde o início do dia para os trabalhos da noite. Observo que algumas pessoas adentram o centro poucos minutos antes do início dos passes, sem interesse pela palestra. Entretanto, o passe é um complemento das atividades da casa espírita, e não o seu objetivo principal. É fundamental compreender que a reforma íntima representa o caminho para a cura interior e para o progresso moral.

Alguma passagem marcante que gostaria de relatar?

Como disse anteriormente, para mim, a casa espírita está mais voltada para uma escola de aperfeiçoamento moral e espiritual do que para um hospital. Muito embora o centro se constitua em um ambiente de amparo e alívio das chagas provenientes da alma, a proposta espírita é muito mais ampla, trazendo direcionamento a todos os que necessitam de paz.

Algo mais a acrescentar?

O Espiritismo não deve apenas ser lido, mas estudado, pois ler não é a mesma coisa que estudar. Por isso, muitos deixam de lado o aspecto filosófico da doutrina, não vivenciam de forma completa sua proposta e acabam interpretando-a de maneira superficial, a ponto de rejeitá-la sem ao menos compreender seu real significado.

Suas palavras finais.

Finalizo minhas palavras citando uma frase contida no capítulo VI de O Evangelho segundo o Espiritismo: “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo.”


 

 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita