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por João Márcio F. Cruz

 

Impacto dos sonhos no corpo físico


Kardec narra o seguinte relato:

Um engenheiro de 30 anos estava na Bretanha para visitar uma mina. Resolveu pernoitar em um albergue simples. Estava cansado. Foi cedo para a cama e não tardou a dormir. Sonhou que estava na mina. Durante sua experiência onírica, entrou nela e fez um esboço, uma espécie de mapa que ajudaria a andar com segurança por ela. Cumprido o trabalho, começou a subir quando o cabo foi cortado. Tomado de desespero e angústia, ele tentou, de várias formas, sair da mina. Tentou de todas as formas e foi, bem devagar, subindo. Quando chegou em cima, deu um grito de alegria e alívio e acordou.

Ao final do relato, Kardec conclui a narrativa:

“O grito o acordou. A horrível aventura não passara de um sonho. Mas estava num estado horroroso, banhado de suor, respirando com dificuldade, incapaz do menor movimento.

Enfim, pôde tocar a campainha e lhe vieram em socorro. Mas as pessoas do albergue quase se recusavam a reconhecê-lo. Seus cabelos negros estavam grisalhos. Ao pé da cama se achava, esboçada por ele, a planta dessa mina que ele não conhecia. A planta era de uma exatidão maravilhosa.” (Revista Espírita – Setembro de 1866)

Através de um sonho, esse engenheiro conseguiu, com exatidão, desenhar o mapa da mina, mesmo sem nunca ter estado lá no estado de vigília. Por si só, já é algo impressionante. Mas algo mais inexplicável ocorreu com ele. As outras pessoas do albergue quase não o reconheceram. Seus cabelos, antes escuros, tinham ficado grisalhos. Como alguém envelhece tão rápido em apenas uma noite? Que tipo de explicação poderia haver para acelerar o processo de coloração dos fios de cabelo?

Kardec dá uma explicação dos efeitos dos fluidos sobre o corpo no momento da emancipação. Quero, por um momento, me deter nessa relação entre corpo e alma durante os sonhos.

Durante a Antiguidade, Fílon de Alexandria, com seu grupo de terapeutas, sempre deu importância aos sonhos, e sua interpretação era indispensável no tratamento de doenças. Essa ideia foi esquecida até ser trazida à tona com a prática clínica de Sigmund Freud. Durante milênios, julgavam-se os sonhos como “meros resquícios do cotidiano” ou “produtos desconexos da imaginação”. O célebre neurologista, criador da psicanálise, escreveu sobre sonhos e mostrou sua relevância no processo terapêutico. O oncologista Bernie Siegel utiliza os sonhos de seus pacientes em processos diagnósticos; inclusive, no livro Amor, medicina e milagres, ele narra que identificou o câncer de uma paciente analisando sonhos. No livro Por que sonhamos?, o neurologista Rahul Jandial investiga décadas de pesquisas para mostrar o impacto que os sonhos têm em nossa vida e em nossa saúde física e mental. Os sonhos nos ajudam a regular as emoções, processam e armazenam memórias e podem até prever doenças como Parkinson e Alzheimer antes do surgimento dos primeiros sintomas. O espiritismo sempre levou a sério a vida de emancipação da alma. As experiências oníricas podem ser atividades da alma fora do corpo, junto a grupos de resgate, ou encontros com entes falecidos.

Se organizarmos em categorias, seriam:

· sonhos biológicos (processo digestivo, doenças cerebrais, deficiências físicas, influências hormonais etc.) são fatores que criam esse tipo de sonho;

· sonhos psicológicos (traumas, fobias, depressão, neuroses, previsão para o futuro, realização de desejos inconscientes, regressão de vidas passadas) são as causas mais comuns desse segundo tipo de sonho;

· sonhos espirituais (emancipação da alma, sequestros perispirituais, implantes astrais, desacoplamento de corpos e duplos, abduções etc.) são causas frequentes desses sonhos.

No sonho relatado por Kardec acima, seja pelo esboço da mina, seja pelos cabelos brancos, podemos conjecturar que foi um “sonho espiritual”. O homem saiu do corpo durante a noite, foi até a mina e registrou tudo num mapa. E seus cabelos brancos? Isso chama-se, em apometria, contaminações oníricas.

Uma jovem de 19 anos sofria de uma recorrente infecção urinária, com prurido persistente e líquido fétido. Já tinha feito vários tratamentos. Melhorava e, depois de algumas semanas, voltava toda a sintomatologia. Tamanho era o prurido que ela nem conseguia trabalhar sem encher de pomada suas roupas íntimas e tomar um comprimido diário. Um tio, que era espírita, procurou auxílio na casa espírita. Os mentores da casa prometeram visitar a jovem ainda naquela semana. Assim eles fizeram. Aproveitaram para cercar a jovem pelas 2 horas da madrugada, durante o sono terreno. Constataram que ela ainda não tinha tido sua primeira experiência sexual. Descartou-se a ideia de uma infecção material. Acompanharam, então, a jovem durante o período de emancipação.

Quando ela dormia, como espírito, visitava lugares de baixa vibração no plano astral. Ambientes de energias tóxicas, com a presença de inúmeros seres afins com aquela vibração baixa. Participava, em seus sonhos, de orgias espirituais. Isso fez com que ela se contaminasse com alguns vibriões desses lugares insalubres do astral. Ao retornar para o corpo, trouxe essa “infecção perispiritual” e somatizou-a em seu organismo físico.

Sem entrar em detalhes para os pais, os mentores deram a devida orientação para a jovem, inclusive de que seria saudável se ela encontrasse um namorado. Esse caso mostra que nossos sonhos têm muita importância. Eles refletem aquilo que somos por dentro. Nossas atividades durante os sonhos podem alterar nosso organismo, seja causando enfermidades, seja alterando a cor dos cabelos.

O espírito nunca dorme. O corpo repousa, mas a alma continua ativa em distintas atividades que podem atrapalhar ou ajudar em nossa evolução.

Bons sonhos!
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita