Impacto dos sonhos no corpo físico
Kardec narra o seguinte relato:
Um
engenheiro de 30 anos estava na Bretanha para visitar
uma mina. Resolveu pernoitar em um albergue simples.
Estava cansado. Foi cedo para a cama e não tardou a
dormir. Sonhou que estava na mina. Durante sua
experiência onírica, entrou nela e fez um esboço, uma
espécie de mapa que ajudaria a andar com segurança por
ela. Cumprido o trabalho, começou a subir quando o cabo
foi cortado. Tomado de desespero e angústia, ele tentou,
de várias formas, sair da mina. Tentou de todas as
formas e foi, bem devagar, subindo. Quando chegou em
cima, deu um grito de alegria e alívio e acordou.
Ao
final do relato, Kardec conclui a narrativa:
“O
grito o acordou. A horrível aventura não passara de um
sonho. Mas estava num estado horroroso, banhado de suor,
respirando com dificuldade, incapaz do menor movimento.
Enfim, pôde tocar a campainha e lhe vieram em socorro.
Mas as pessoas do albergue quase se recusavam a
reconhecê-lo. Seus cabelos negros estavam grisalhos. Ao
pé da cama se achava, esboçada por ele, a planta dessa
mina que ele não conhecia. A planta era de uma exatidão
maravilhosa.” (Revista Espírita – Setembro de 1866)
Através de um sonho, esse engenheiro conseguiu, com
exatidão, desenhar o mapa da mina, mesmo sem nunca ter
estado lá no estado de vigília. Por si só, já é algo
impressionante. Mas algo mais inexplicável ocorreu com
ele. As outras pessoas do albergue quase não o
reconheceram. Seus cabelos, antes escuros, tinham ficado
grisalhos. Como alguém envelhece tão rápido em apenas
uma noite? Que tipo de explicação poderia haver para
acelerar o processo de coloração dos fios de cabelo?
Kardec dá uma explicação dos efeitos dos fluidos sobre o
corpo no momento da emancipação. Quero, por um momento,
me deter nessa relação entre corpo e alma durante os
sonhos.
Durante a Antiguidade, Fílon de Alexandria, com seu
grupo de terapeutas, sempre deu importância aos sonhos,
e sua interpretação era indispensável no tratamento de
doenças. Essa ideia foi esquecida até ser trazida à tona
com a prática clínica de Sigmund Freud. Durante
milênios, julgavam-se os sonhos como “meros resquícios
do cotidiano” ou “produtos desconexos da imaginação”. O
célebre neurologista, criador da psicanálise, escreveu
sobre sonhos e mostrou sua relevância no processo
terapêutico. O oncologista Bernie Siegel utiliza os
sonhos de seus pacientes em processos diagnósticos;
inclusive, no livro Amor, medicina e milagres,
ele narra que identificou o câncer de uma paciente
analisando sonhos. No livro Por que sonhamos?, o
neurologista Rahul Jandial investiga décadas de
pesquisas para mostrar o impacto que os sonhos têm em
nossa vida e em nossa saúde física e mental. Os sonhos
nos ajudam a regular as emoções, processam e armazenam
memórias e podem até prever doenças como Parkinson e
Alzheimer antes do surgimento dos primeiros sintomas. O
espiritismo sempre levou a sério a vida de emancipação
da alma. As experiências oníricas podem ser atividades
da alma fora do corpo, junto a grupos de resgate, ou
encontros com entes falecidos.
Se
organizarmos em categorias, seriam:
· sonhos
biológicos (processo digestivo, doenças cerebrais,
deficiências físicas, influências hormonais etc.) são
fatores que criam esse tipo de sonho;
· sonhos
psicológicos (traumas, fobias, depressão, neuroses,
previsão para o futuro, realização de desejos
inconscientes, regressão de vidas passadas) são as
causas mais comuns desse segundo tipo de sonho;
· sonhos
espirituais (emancipação da alma, sequestros
perispirituais, implantes astrais, desacoplamento de
corpos e duplos, abduções etc.) são causas frequentes
desses sonhos.
No
sonho relatado por Kardec acima, seja pelo esboço da
mina, seja pelos cabelos brancos, podemos conjecturar
que foi um “sonho espiritual”. O homem saiu do corpo
durante a noite, foi até a mina e registrou tudo num
mapa. E seus cabelos brancos? Isso chama-se, em
apometria, contaminações oníricas.
Uma
jovem de 19 anos sofria de uma recorrente infecção
urinária, com prurido persistente e líquido fétido. Já
tinha feito vários tratamentos. Melhorava e, depois de
algumas semanas, voltava toda a sintomatologia. Tamanho
era o prurido que ela nem conseguia trabalhar sem encher
de pomada suas roupas íntimas e tomar um comprimido
diário. Um tio, que era espírita, procurou auxílio na
casa espírita. Os mentores da casa prometeram visitar a
jovem ainda naquela semana. Assim eles fizeram.
Aproveitaram para cercar a jovem pelas 2 horas da
madrugada, durante o sono terreno. Constataram que ela
ainda não tinha tido sua primeira experiência sexual.
Descartou-se a ideia de uma infecção material.
Acompanharam, então, a jovem durante o período de
emancipação.
Quando ela dormia, como espírito, visitava lugares de
baixa vibração no plano astral. Ambientes de energias
tóxicas, com a presença de inúmeros seres afins com
aquela vibração baixa. Participava, em seus sonhos, de
orgias espirituais. Isso fez com que ela se contaminasse
com alguns vibriões desses lugares insalubres do astral.
Ao retornar para o corpo, trouxe essa “infecção
perispiritual” e somatizou-a em seu organismo físico.
Sem
entrar em detalhes para os pais, os mentores deram a
devida orientação para a jovem, inclusive de que seria
saudável se ela encontrasse um namorado. Esse caso
mostra que nossos sonhos têm muita importância. Eles
refletem aquilo que somos por dentro. Nossas atividades
durante os sonhos podem alterar nosso organismo, seja
causando enfermidades, seja alterando a cor dos cabelos.
O
espírito nunca dorme. O corpo repousa, mas a alma
continua ativa em distintas atividades que podem
atrapalhar ou ajudar em nossa evolução.
Bons sonhos!
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