Ao reencarnar, conserva o Espírito as inclinações
anteriormente adquiridas?
Um
leitor de Minas Gerais enviou-nos a seguinte indagação:
Em nosso grupo
de estudos, discutia-se se, ao reencarnar, o Espírito
pode retornar como homem ou como mulher. Após análise,
concluiu-se afirmativamente. Surgiu, então, uma nova
questão: ao optar por um sexo diferente daquele que lhe
tem sido mais habitual,
conservaria o Espírito as inclinações anteriormente
adquiridas?
No que se refere à primeira pergunta, a resposta é
inequívoca: sim. Para o Espírito em estado de
erraticidade, não há, em si, preferência essencial entre
renascer em corpo masculino ou feminino. Como ensina a
questão 202 de O Livro dos Espíritos, o que orienta essa
escolha são, sobretudo, as provas que deverá enfrentar.
Desse modo, ao regressarem à vida corpórea, os Espíritos
podem assumir tanto um corpo masculino quanto feminino,
conforme as necessidades de aprendizado, as tarefas
específicas a cumprir ou as exigências de sua própria
regeneração.
Quanto à segunda indagação, convém considerar que o
Espírito pode atravessar sucessivas existências sob o
mesmo sexo, o que lhe imprime, por largo tempo,
determinadas características psicológicas e afetivas.
Tais marcas, assimiladas ao longo da experiência, tendem
a persistir na individualidade espiritual.
A vida espiritual em sua essência – afirma Emmanuel –
rege-se por afinidades profundas; entretanto, no decurso
de milênios, o Espírito percorre uma longa série de
reencarnações, alternando-se entre experiências de
masculinidade e feminilidade. Assim, homens e mulheres
podem apresentar, em graus variados, traços mais
acentuados de uma ou outra polaridade, sem que se possa
falar em delimitação psicológica absoluta.
Em nova existência, o Espírito traz consigo o patrimônio
de tendências e inclinações que cultivou anteriormente.
Dessa forma, ao transitar de uma vivência feminina para
outra masculina, por exemplo, poderá manifestar, mesmo
em corpo masculino, certos traços da feminilidade
longamente experimentada — e o mesmo se dá no caso
inverso.
É nesse contexto que, conforme assinala Allan Kardec, se
compreendem certas aparentes anomalias observadas no
comportamento humano, como mulheres de atitudes
consideradas másculas ou homens com traços
tradicionalmente associados ao feminino,
independentemente de sua orientação afetiva.
É afirmativa, pois, a resposta à pergunta que serviu de
título a este texto, a saber: o Espírito geralmente
conserva de fato, ao reencarnar, as inclinações
anteriormente adquiridas, tema sobre o qual Allan Kardec
declarou:
“Reconhece-se o
verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos
esforços que emprega para domar suas inclinações inferiores”.
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII,
item 4.) (Negritamos)
Bibliografia:
1. Revista Espírita de 1866,
Edicel, pp. 2 a 4.
2. Vida e Sexo, de Emmanuel,
psicografia de Chico Xavier, págs. 89 a 92.
3. O Evangelho segundo o Espiritismo,
de Allan Kardec, cap. XVII, item 4.