Especial

por Roni Ricardo Osorio Maia

Ante o Universo


A pluralidade dos mundos habitados é um assunto assaz proveitoso.

Em pleno século XXI acompanhamos essa transformação científica, nesse caso, as invenções e tecnologias capazes de se resolver uma série de inconvenientes que, até então, atrapalhavam certas teorias firmadas na Antiguidade, pois o poder solapava toda e qualquer crença divergente daquilo que a autocracia apregoava – nesse caso, o domínio da Igreja mancomunada com o Estado.

Da obra A Gênese[1], Terceira Parte – As Predições Segundo o Espiritismo – Capítulo XVIII – Os Tempos São Chegados, itens 1 a 25 – Sinais dos Tempos, desenvolveremos a nossa contextualização do assunto, neste artigo. Desde quando o globo terrestre se acomodou em sua formação geológica e se tornou habitável, a fim de acolher moradores nesse planeta, por aqui houve previsões e acontecimentos profetizados por homens e médiuns daqueles recuados séculos, a respeito de transformação do planeta e da humanidade.

Existe a providência de um equilíbrio universal, e o homem, ao dar mais atenção ao misticismo e ao sobrenatural, coloca em dúvida a sabedoria divina que ultrapassa nosso entendimento primário, em função da marcha do progresso. A Terra surgiu há 4,5 bilhões de anos; por  conseguinte,  progrediu e favoreceu os habitantes, da mesma forma, as civilizações progrediram e ainda melhorarão.

Porém, os progressos materiais e morais não ocorrem em conjunto. Os primeiros se percebem; os segundos, demandarão algum tempo; dependerá da capacidade individual de escolha do homem, o conhecido livre-arbítrio.  O progresso de nossa humanidade tem base nas leis naturais e imutáveis, daí a expressão: “os tempos marcados por Deus são chegados” (KARDEC, 2010, p. 426), assim como germinam os frutos em um pomar para a esperada ceifa pelo agricultor ou cultivador das espécies.

A harmonização da natureza à nossa volta comprova o que podemos entender por vontade divina, e podemos compreendê-la como esse regimento de leis e ordens superiores. “Deus vela incessantemente pela execução das suas leis, e os espíritos que povoam o espaço são os seus ministros encarregados da execução dos pormenores” (IDEM, p. 427).

Se observarmos o céu, constataremos o equilíbrio universal, como acontece diariamente o dia e a noite. As inteligências que povoam o Universo, sob a égide soberana do Criador, se articulam com o todo e promovem estabilidade. É uma ordem perfeita. A olho nu, pela noite, em locais desprovidos de poluição e clima nublado, detectamos as constelações infindáveis de estrelas – em lugares bucólicos, áreas campestres, onde impera a natureza - expressamos grata recordação da nossa cidade natal: Santa Rita de Jacutinga, localizada na Zona da Mata mineira.

A astronomia avançou consideravelmente. O que Kardec apresentou no século XIX, com pesquisas, estudos, apontamentos por ele realizados, avança na temporada em que estamos, em que as pesquisas siderais ganharam maior projeção, como as imagens enviadas pelo telescópio americano Hubble, hoje substituído por outro telescópio - o James Webb, ou sondas espaciais, mostrando enorme variação de constelações no plano universal; a nossa galáxia, a Via Láctea, é um ponto ínfimo diante das descobertas de novos sistemas solares, distantes em bilhões de anos-luz da Terra.

Por outro lado, paralelamente a essas conquistas e descobertas, um novo patamar despontará outras fases no orbe terreno. Kardec indicou uma alteração nos valores que ocorrerá entre os homens; será tempo da caridade plena, propícia ao bem-estar geral das criaturas; falta muito ainda, sabemos disso, todavia, o caminhar é progressivo. A prosperidade trafega junto aos homens. Será preciso reavaliar o que foi o mundo e como está no momento; não há que se duvidar que tudo seguirá consoante aos desígnios superiores.

O egoísmo e o orgulho, indicados entre algumas das paixões ora dominantes, cederão espaço aos sentimentos fraternais, alternativas dos séculos futuros, na era da regeneração afiançada ao planeta. Aqueles espíritos incumbidos dessa modificação sucessiva estão a postos, e muitos encarnarão na nova categoria planetária, em termos morais, bem melhores, com dádivas e vivências salutares nas relações interpessoais das futuras civilizações.

Tudo se move para se adequar ao controle e à necessidade naturais. Duvidamos muitas vezes disso, ao assistirmos a catástrofes climáticas, entretanto, são compatíveis com o eterno, que abre suas portas aos nossos anseios e incertezas. Foi assim desde o início, tem sido no presente, será no porvir, como bem citou Emmanuel no livro A caminho da luz[2], quando descreveu o nascimento do planeta Terra: “o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar” (XAVIER, 2016, p. 13), tendo Jesus como seu governador espiritual a acompanhar essa formação planetária.

Ao Espiritismo caberá nova ordem das coisas, que impulsionará mais ações fraternais e mundiais, a passos largos naquilo que, um dia, noutros séculos, foi estanque; agora com dinamismo, em termos caritativos, de forma a espalhar sentimentos altruísticos voltados ao bem comum. Bastante notório, no Brasil, principalmente, o movimento espírita, tolerado e respeitado. “Que de mais justo e de mais consolador do que a ideia dos mesmos seres progredirem incessantemente, primeiramente através das gerações de um mesmo mundo, e a seguir de mundo em mundo, até a perfeição, sem solução de continuidade!” (KARDEC, 2010, p. 432).

A vida espiritual é a consequência normal e natural para todos nós espíritos encarnados temporariamente; os mundos visível e invisível interagem. Uma generosidade esplêndida da parte dos amigos espirituais nos auxilia, ampara, intui no campo pessoal e mediúnico. Além disso, eles nos assessoram em tarefas e responsabilidades assumidas e planejadas na erraticidade. É o grande exercício da fraternidade universal, ao unir os dois planos dimensionais: conjugar princípios e valores tendo por base a caridade.

Acreditamos que, um dia, os homens entenderão Deus, o mesmo Pai. Esse é o propósito da progressão e da moralidade tão almejadas, ao reunir em um futuro as crenças, os povos e as seitas divergentes pelo mundo. No tocante à reformulação do pensamento humano, outros mundos se consorciarão numa dinâmica bem mais produtiva, haja vista, tudo que que a espiritualidade tem nos revelado a respeito da fraternidade entre espíritos de outras dimensões que se candidataram a reencarnarem na Terra[3] – em missões, as quais granjearão a nova fase de regeneração do nosso orbe; embora o atraso ainda predominante ante o Universo, contudo, sabemos que nada está estagnado  na Criação –  porque o nosso Pai continua trabalhando[4]...

 

 

[1] Ed. CELD.

[2] FEB.

[3] Transição planetária, O amanhecer de uma nova era e No rumo do mundo de regeneração (Ed. LEAL).

[4] João, 5-17.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita