A pluralidade dos mundos habitados é um assunto assaz
proveitoso.
Em pleno século XXI acompanhamos essa transformação
científica, nesse caso, as invenções e tecnologias
capazes de se resolver uma série de inconvenientes que,
até então, atrapalhavam certas teorias firmadas na
Antiguidade, pois o poder solapava toda e qualquer
crença divergente daquilo que a autocracia apregoava –
nesse caso, o domínio da Igreja mancomunada com o
Estado.
Da obra A
Gênese,
Terceira Parte – As Predições Segundo o Espiritismo –
Capítulo XVIII – Os Tempos São Chegados, itens 1
a 25 – Sinais dos Tempos, desenvolveremos a nossa
contextualização do assunto, neste artigo. Desde quando
o globo terrestre se acomodou em sua formação geológica
e se tornou habitável, a fim de acolher moradores nesse
planeta, por aqui houve previsões e acontecimentos
profetizados por homens e médiuns daqueles recuados
séculos, a respeito de transformação do planeta e da
humanidade.
Existe a providência de um equilíbrio universal, e o
homem, ao dar mais atenção ao misticismo e ao
sobrenatural, coloca em dúvida a sabedoria divina que
ultrapassa nosso entendimento primário, em função da
marcha do progresso. A Terra surgiu há 4,5 bilhões de
anos; por conseguinte, progrediu e favoreceu os
habitantes, da mesma forma, as civilizações progrediram
e ainda melhorarão.
Porém, os progressos materiais e morais não ocorrem em
conjunto. Os primeiros se percebem; os segundos,
demandarão algum tempo; dependerá da capacidade
individual de escolha do homem, o conhecido
livre-arbítrio. O progresso de nossa humanidade tem
base nas leis naturais e imutáveis, daí a expressão: “os
tempos marcados por Deus são chegados” (KARDEC, 2010, p.
426), assim como germinam os frutos em um pomar para a
esperada ceifa pelo agricultor ou cultivador das
espécies.
A harmonização da natureza à nossa volta comprova o que
podemos entender por vontade divina, e podemos
compreendê-la como esse regimento de leis e ordens
superiores. “Deus vela incessantemente pela execução das
suas leis, e os espíritos que povoam o espaço são os
seus ministros encarregados da execução dos pormenores”
(IDEM, p. 427).
A astronomia avançou consideravelmente. O que Kardec apresentou
no século XIX, com pesquisas, estudos, apontamentos por
ele realizados, avança na temporada em que estamos, em
que as pesquisas siderais ganharam maior projeção, como
as imagens enviadas pelo telescópio americano Hubble,
hoje substituído por outro telescópio - o James Webb, ou
sondas espaciais, mostrando enorme variação de
constelações no plano universal; a nossa galáxia, a Via
Láctea, é um ponto ínfimo diante das descobertas de
novos sistemas solares, distantes em bilhões de anos-luz
da Terra.
Por outro lado, paralelamente a essas conquistas e
descobertas, um novo patamar despontará outras fases no
orbe terreno. Kardec indicou uma alteração nos valores
que ocorrerá entre os homens; será tempo da caridade
plena, propícia ao bem-estar geral das criaturas; falta
muito ainda, sabemos disso, todavia, o caminhar é
progressivo. A prosperidade trafega junto aos homens.
Será preciso reavaliar o que foi o mundo e como está no
momento; não há que se duvidar que tudo seguirá
consoante aos desígnios superiores.
O egoísmo e o orgulho, indicados entre algumas das
paixões ora dominantes, cederão espaço aos sentimentos
fraternais, alternativas dos séculos futuros, na era da
regeneração afiançada ao planeta. Aqueles espíritos
incumbidos dessa modificação sucessiva estão a postos, e
muitos encarnarão na nova categoria planetária, em
termos morais, bem melhores, com dádivas e vivências
salutares nas relações interpessoais das futuras
civilizações.
Tudo se move para se adequar ao controle e à necessidade
naturais. Duvidamos muitas vezes disso, ao assistirmos a
catástrofes climáticas, entretanto, são compatíveis com
o eterno, que abre suas portas aos nossos anseios e
incertezas. Foi assim desde o início, tem sido no
presente, será no porvir, como bem citou Emmanuel no
livro A
caminho da luz,
quando descreveu o nascimento do planeta Terra: “o orbe
terrestre se desprendia da nebulosa solar” (XAVIER,
2016, p. 13), tendo Jesus como seu governador espiritual
a acompanhar essa formação planetária.
Ao Espiritismo caberá nova ordem das coisas, que
impulsionará mais ações fraternais e mundiais, a passos
largos naquilo que, um dia, noutros séculos, foi
estanque; agora com dinamismo, em termos caritativos, de
forma a espalhar sentimentos altruísticos voltados ao
bem comum. Bastante notório, no Brasil, principalmente,
o movimento espírita, tolerado e respeitado. “Que de
mais justo e de mais consolador do que a ideia dos
mesmos seres progredirem incessantemente, primeiramente
através das gerações de um mesmo mundo, e a seguir de
mundo em mundo, até a perfeição, sem solução de
continuidade!” (KARDEC, 2010, p. 432).
A vida espiritual é a consequência normal e natural para
todos nós espíritos encarnados temporariamente; os
mundos visível e invisível interagem. Uma generosidade
esplêndida da parte dos amigos espirituais nos auxilia,
ampara, intui no campo pessoal e mediúnico. Além disso,
eles nos assessoram em tarefas e responsabilidades
assumidas e planejadas na erraticidade. É o grande
exercício da fraternidade universal, ao unir os dois
planos dimensionais: conjugar princípios e valores tendo
por base a caridade.
Acreditamos que, um dia, os homens entenderão Deus, o
mesmo Pai. Esse é o propósito da progressão e da
moralidade tão almejadas, ao reunir em um futuro as
crenças, os povos e as seitas divergentes pelo mundo. No
tocante à reformulação do pensamento humano, outros
mundos se consorciarão numa dinâmica bem mais produtiva,
haja vista, tudo que que a espiritualidade tem nos
revelado a respeito da fraternidade entre espíritos de
outras dimensões que se candidataram a reencarnarem na
Terra –
em missões, as quais granjearão a nova fase de
regeneração do nosso orbe; embora o atraso ainda
predominante ante o Universo, contudo, sabemos que nada
está estagnado na Criação – porque o nosso Pai
continua trabalhando...