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por Luiz Guimarães Gomes de Sá

 

A prece é o refúgio d’alma


“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
 (Marcos 14:38.)


Sempre recorremos à prece nos momentos mais cruciais por que passamos. As dores e os sofrimentos levam-nos a buscar a ajuda de que necessitamos. Diante das vicissitudes, podemos sentir dificuldades para o devido enfrentamento e, não raro, o desânimo impede-nos de prosseguir nas veredas da vida.

Jesus procurava recolher-se para orar. Esse momento sublime de elevada conexão com o Criador exige sintonia pura, para que, nessa intimidade maior, possamos fazer nossas rogativas e sermos aliviados pela misericórdia de Deus. Contudo, muitas vezes só buscamos esse ambiente de luz quando a infelicidade nos bate à porta. Esperamos que os desafios se acumulem a ponto de exaurirem nossas forças, para somente então pedirmos ajuda e mitigarmos nossos sofrimentos.

A falta de reflexão permanece no ser humano, levando-o a menosprezar a grandeza da prece. Ela representa o alimento d’alma e, como Espíritos, necessitamos desse bálsamo que minimiza nossas ansiedades e reforça nossas esperanças. Com humildade e sentimento elevado, a prece chega ao seu destino, devendo sempre caminhar de mãos dadas com a fé. A verdadeira fé é aquela na qual depositamos nossas melhores energias para alcançarmos aquilo que buscamos. Sem desespero, sem alarde, mas com sinceridade, nosso pleito encontrará no Criador o ancoradouro que desejamos.

Por outro lado, é imperioso atentarmos para o nosso imediatismo. Ao rogarmos a clemência de Deus, precisamos compreender que o nosso tempo difere — e muito — do tempo divino. Nem sempre merecemos receber as graças que pedimos, já que em nosso caminho existe também a questão do merecimento. Além disso, muitas vezes ainda não chegou o momento de sermos contemplados com aquilo que solicitamos.

Saber esperar é um dos requisitos da paciência. Deus sabe do que precisamos e quando o merecemos. Nesse contexto, o bom senso deve nortear nossos pensamentos e, não raro, quando menos esperamos, chega-nos aquilo que tanto desejamos.

Vejamos o que nos diz a Revista Espírita de maio de 1866:

“Nas aflições, a prece não só é uma prova de confiança e de submissão à vontade de Deus, que a escuta, se for pura e desinteressada, mas ainda tem por efeito, como sabeis, estabelecer uma corrente fluídica que leva longe, no espaço, o pensamento do aflito, como o ar leva os acentos de sua voz.”

A energia positiva que deve envolver-nos durante a prece constitui um vasto campo que se expande e se mescla com vibrações de igual natureza. Isso decorre da intensidade da nossa fé, que não deve ser vacilante, mas amparada pela razão.

Consideremos também o fanatismo, emoldurado pela sombra que obscurece o bom senso. Todo o valor da prece se dilui nos excessos que comprometem as boas intenções. A sensatez conduz-nos aos bons propósitos ao buscarmos, por meio da prece, auxílio para nossos anseios.

No livro À Luz da Oração, psicografado por Francisco Cândido Xavier e atribuído a diversos Espíritos, encontramos, na página 13:

“A oração não será um processo de fuga do caminho escuro que nos cabe percorrer, mas constituirá uma abençoada luz em nosso coração, clareando-nos a marcha.”

Trata-se de um auxílio fundamental que precisamos considerar, para que tenhamos fortalecidos os nossos laços com o Pai Celestial. Essa conexão eleva nossa condição espiritual e nos proporciona, sem dúvida, a companhia de Espíritos que nos guiam em direção aos propósitos de nossa evolução.

Na prece devemos louvar, pedir e agradecer. Essa tríade constitui a essência que precisamos cultivar: louvar a grandeza do Criador, pedir o que necessitamos e agradecer por tudo o que conquistamos. O sentimento de gratidão, entretanto, nem sempre está presente em nossas preces. Precisamos cultivá-lo, considerando a assertiva de Antístenes: “A gratidão é a memória do coração.”

Em Lucas 17:11-19, encontramos a narrativa em que, dos dez leprosos curados por Jesus, somente um retornou para agradecer. Fica evidente que o interesse pela cura fez esmaecer, na maioria deles, o sentimento de gratidão. Isso retrata o perfil de uma humanidade ainda insensível à nobreza das virtudes. (A prece é um feixe de luz que ilumina os nossos corações.)

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita