A prece é o
refúgio d’alma
“Vigiai e orai,
para que não
entreis em
tentação; o
espírito, na
verdade, está
pronto, mas a
carne é fraca.” (Marcos
14:38.)
Sempre
recorremos à
prece nos
momentos mais
cruciais por que
passamos. As
dores e os
sofrimentos
levam-nos a
buscar a ajuda
de que
necessitamos.
Diante das
vicissitudes,
podemos sentir
dificuldades
para o devido
enfrentamento e,
não raro, o
desânimo
impede-nos de
prosseguir nas
veredas da vida.
Jesus procurava
recolher-se para
orar. Esse
momento sublime
de elevada
conexão com o
Criador exige
sintonia pura,
para que, nessa
intimidade
maior, possamos
fazer nossas
rogativas e
sermos aliviados
pela
misericórdia de
Deus. Contudo,
muitas vezes só
buscamos esse
ambiente de luz
quando a
infelicidade nos
bate à porta.
Esperamos que os
desafios se
acumulem a ponto
de exaurirem
nossas forças,
para somente
então pedirmos
ajuda e
mitigarmos
nossos
sofrimentos.
A falta de
reflexão
permanece no ser
humano,
levando-o a
menosprezar a
grandeza da
prece. Ela
representa o
alimento d’alma
e, como
Espíritos,
necessitamos
desse bálsamo
que minimiza
nossas
ansiedades e
reforça nossas
esperanças. Com
humildade e
sentimento
elevado, a prece
chega ao seu
destino, devendo
sempre caminhar
de mãos dadas
com a fé. A
verdadeira fé é
aquela na qual
depositamos
nossas melhores
energias para
alcançarmos
aquilo que
buscamos. Sem
desespero, sem
alarde, mas com
sinceridade,
nosso pleito
encontrará no
Criador o
ancoradouro que
desejamos.
Por outro lado,
é imperioso
atentarmos para
o nosso
imediatismo. Ao
rogarmos a
clemência de
Deus, precisamos
compreender que
o nosso tempo
difere — e muito
— do tempo
divino. Nem
sempre merecemos
receber as
graças que
pedimos, já que
em nosso caminho
existe também a
questão do
merecimento.
Além disso,
muitas vezes
ainda não chegou
o momento de
sermos
contemplados com
aquilo que
solicitamos.
Saber esperar é
um dos
requisitos da
paciência. Deus
sabe do que
precisamos e
quando o
merecemos. Nesse
contexto, o bom
senso deve
nortear nossos
pensamentos e,
não raro, quando
menos esperamos,
chega-nos aquilo
que tanto
desejamos.
Vejamos o que
nos diz a Revista
Espírita de
maio de 1866:
“Nas aflições, a
prece não só é
uma prova de
confiança e de
submissão à
vontade de Deus,
que a escuta, se
for pura e
desinteressada,
mas ainda tem
por efeito, como
sabeis,
estabelecer uma
corrente
fluídica que
leva longe, no
espaço, o
pensamento do
aflito, como o
ar leva os
acentos de sua
voz.”
A energia
positiva que
deve
envolver-nos
durante a prece
constitui um
vasto campo que
se expande e se
mescla com
vibrações de
igual natureza.
Isso decorre da
intensidade da
nossa fé, que
não deve ser
vacilante, mas
amparada pela
razão.
Consideremos
também o
fanatismo,
emoldurado pela
sombra que
obscurece o bom
senso. Todo o
valor da prece
se dilui nos
excessos que
comprometem as
boas intenções.
A sensatez
conduz-nos aos
bons propósitos
ao buscarmos,
por meio da
prece, auxílio
para nossos
anseios.
No livro À
Luz da Oração,
psicografado
por Francisco
Cândido Xavier e
atribuído a
diversos
Espíritos,
encontramos, na
página 13:
“A oração não
será um processo
de fuga do
caminho escuro
que nos cabe
percorrer, mas
constituirá uma
abençoada luz em
nosso coração,
clareando-nos a
marcha.”
Trata-se de um
auxílio
fundamental que
precisamos
considerar, para
que tenhamos
fortalecidos os
nossos laços com
o Pai Celestial.
Essa conexão
eleva nossa
condição
espiritual e nos
proporciona, sem
dúvida, a
companhia de
Espíritos que
nos guiam em
direção aos
propósitos de
nossa evolução.
Na prece devemos
louvar, pedir e
agradecer. Essa
tríade constitui
a essência que
precisamos
cultivar: louvar
a grandeza do
Criador, pedir o
que necessitamos
e agradecer por
tudo o que
conquistamos. O
sentimento de
gratidão,
entretanto, nem
sempre está
presente em
nossas preces.
Precisamos
cultivá-lo,
considerando a
assertiva de Antístenes:
“A gratidão é a
memória do
coração.”
Em Lucas
17:11-19,
encontramos a
narrativa em
que, dos dez
leprosos curados
por Jesus,
somente um
retornou para
agradecer. Fica
evidente que o
interesse pela
cura fez
esmaecer, na
maioria deles, o
sentimento de
gratidão. Isso
retrata o perfil
de uma
humanidade ainda
insensível à
nobreza das
virtudes. (A
prece é um feixe
de luz que
ilumina os
nossos
corações.)