Onde está o céu? Para o padre Fábio, é
com a mãe
Dormir é fundamental para uma vida saudável, e passamos
cerca de um terço dela descansando. Nessas horas, temos
muitos sonhos que nem sempre lembramos: alguns que
gostaríamos de repetir e outros que são verdadeiros
pesadelos.
Existem também os sonhos em vida, que são os nossos
desejos para o futuro.
Em uma entrevista ao youtuber Ikaro Kadoshi, no
programa Intimamente, o padre Fábio de Melo conta que
hoje mora em um sítio, acorda ouvindo o mugido dos bois
e o canto do galo e sente muita paz.
Em sua confissão, diz que o maior amor de sua vida é sua
mãe e que sua partida, sem poder se despedir dela – nem
vesti-la com o vestido de que mais gostava – foi muito
triste (no período em que a covid não permitia a
aproximação no sepultamento). E recorda o escritor
moçambicano Mia Couto, que sintetizou com sensibilidade:
“não há terra suficiente para enterrar uma mãe”.
O padre Fábio fala que o céu, para ele, seria morar no
fundo da casa de sua mãe, numa cidadezinha do interior,
com música popular brasileira sendo tocada em um coreto.
E ali ele viveria eternamente, com quem mais amou na
vida.
E, no livro Nosso Lar, o primeiro da série sobre a
vida no mundo espiritual, o espírito André Luiz
(Chico Xavier) descreve paisagens espirituais com
parques e músicas das mais variadas expressões.
André, a convite de Lísias, vai conhecer o local e é
advertido, com bom humor, pela mãe do jovem enfermeiro:
“– Então, doravante, a cidade terá mais um frequentador
para o Campo da Música! Tome cuidado com o coração!...
“(...) Nesse momento, atingimos a faixa de entrada, onde
Lísias pagou gentilmente o ingresso.” (Na vida
espiritual também há uma moeda, e se trabalha – não só
se descansa ou se ouve música.)
“Notei, ali mesmo, grande grupo de passeantes em torno
de gracioso coreto, onde um corpo orquestral de
reduzidas figuras executava música ligeira. Caminhos
marginados de flores desenhavam-se à nossa frente, dando
acesso ao interior do parque, em várias direções.
Observando minha admiração pelas canções que se ouviam,
o companheiro explicou:
“– Nas extremidades do campo, temos certas manifestações
que atendem ao gosto pessoal de cada grupo dos que ainda
não podem entender a arte sublime; mas, no centro, temos
a música universal e divina, a arte santificada, por
excelência.
“Depois de atravessarmos alamedas risonhas, onde cada
flor parecia possuir seu reinado particular, comecei a
ouvir maravilhosa harmonia dominando o céu. Na Terra, há
pequenos grupos para o culto da música fina e multidões
para a música regional. Ali, contudo, verificava-se o
contrário. O centro do campo estava repleto. Eu havia
presenciado numerosas agregações de gente na colônia,
extasiara-me ante a reunião que o nosso Ministério
consagrara ao Governador, mas o que via agora excedia a
tudo que me deslumbrara até então.”
Será que o padre Fábio de Melo já visitou as cidades no
Além e sonha morar ao lado de sua alma querida?
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