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por Fernando Rosemberg Patrocínio

 

Dos limites morais e intelectuais


Haveria um limite universal — moral e intelectual — no tocante ao crescimento do ser, digo, da alma ou do espírito humano e, obviamente, de todos os seres universais, seja do passado, do presente ou do futuro?

E, se existe tal limite, qual seria ele?

Sabemos bem que O Livro dos Espíritos fala-nos sobre o fato de que teríamos de evoluir por meio do saber, ou do conhecimento contido na “Ciência do Infinito”, ou, noutros termos, de uma ciência que não comportaria limites nem um termo final; teria, assim, um termo inicial, mas nunca algo que se lhe pudesse determinar como termo completo, finalizante e total.

Parece-nos, pois, que até se poderia atingir um máximo de procedimentos éticos ou morais, mas nunca um máximo de cultura científica, ou seja, um máximo de inteligência e de saber. Estes pertencem a Deus, o Criador de inteligência infinita, não sendo, portanto, abrangidos pela nossa inteligência finita, incapaz de alcançar aquela outra, de ordem infinita. Nossa inteligência, como já dito, encontra-se contida numa estrutura finita diante da infinitude de Deus, nosso Pai e nosso Criador.

E tal reflexão, extraída de O Livro dos Espíritos no século XIX, poderia igualmente ser obtida com um dos grandes e confiáveis Espíritos do século XX, ou seja, Emmanuel, na obra A Caminho da Luz (FCX, 1938, fev.). No capítulo 1, “A Gênese Planetária”, no tópico “O Divino Escultor”, temos:

“Ele (Jesus), que havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas, com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe que a ‘Sabedoria do Pai’ deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas.” (Op. cit.)

Passa-nos, assim, a ideia de que o espírito criado por Deus até pode atingir um máximo de ética ou de procedimentos morais, mas nunca um máximo de saber, este pertencente apenas e tão somente ao Divino Pai, nosso eterno e sábio Criador.

Isso não deixa de possuir certa lógica, situação que, aliás, já pudemos encontrar noutras obras espíritas e até mesmo nas palavras do Novo Testamento, quando o Mestre Jesus demonstrava depender de Deus. Tanto é assim que o chama de Pai, evidenciando sua eterna submissão e obediência à vontade divina, à qual, queiramos ou não, nos submetemos, por ser Ele o Divino Criador de tudo e de todos, dos céus, da Terra e de tudo o mais.

Donde, expressando-nos em aspecto algo matemático, dir-se-ia que o nosso coração, ou nosso proceder ético em seu ponto culminante (ou máximo), igualar-se-ia ao de nosso Senhor Jesus Cristo:

ET.máx = Cristo

Porém, a sabedoria do filho será sempre e eternamente menor que a Sabedoria do Pai; donde temos:

SAB.filho < SAB.Pai


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita