Dos limites morais
e intelectuais
Haveria um limite universal — moral e intelectual — no
tocante ao crescimento do ser, digo, da alma ou do
espírito humano e, obviamente, de todos os seres
universais, seja do passado, do presente ou do futuro?
E, se
existe tal limite, qual seria ele?
Sabemos
bem que O Livro dos
Espíritos fala-nos sobre o fato de que
teríamos de evoluir por meio do saber, ou do
conhecimento contido na “Ciência do Infinito”, ou,
noutros termos, de uma ciência que não comportaria
limites nem um termo final; teria, assim, um termo
inicial, mas nunca algo que se lhe pudesse determinar
como termo completo, finalizante e total.
Parece-nos, pois, que até se poderia atingir um máximo
de procedimentos éticos ou morais, mas nunca um máximo
de cultura científica, ou seja, um máximo de
inteligência e de saber. Estes pertencem a Deus, o
Criador de inteligência infinita, não sendo, portanto,
abrangidos pela nossa inteligência finita, incapaz de
alcançar aquela outra, de ordem infinita. Nossa
inteligência, como já dito, encontra-se contida numa
estrutura finita diante da infinitude de Deus, nosso Pai
e nosso Criador.
E tal
reflexão, extraída de O
Livro dos Espíritos no século XIX, poderia
igualmente ser obtida com um dos grandes e confiáveis
Espíritos do século XX, ou seja, Emmanuel, na obra A
Caminho da Luz (FCX, 1938, fev.). No capítulo 1,
“A Gênese Planetária”, no tópico “O Divino Escultor”,
temos:
“Ele
(Jesus), que havia vencido todos os pavores das energias
desencadeadas, com as suas legiões de trabalhadores
divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o
bloco de matéria informe que a ‘Sabedoria do Pai’
deslocara do Sol para as suas mãos augustas e
compassivas.” (Op. cit.)
Passa-nos,
assim, a ideia de que o espírito criado por Deus até
pode atingir um máximo de ética ou de procedimentos
morais, mas nunca um máximo de saber, este pertencente
apenas e tão somente ao Divino Pai, nosso eterno e sábio
Criador.
Isso não
deixa de possuir certa lógica, situação que, aliás, já
pudemos encontrar noutras obras espíritas e até mesmo
nas palavras do Novo Testamento, quando o Mestre Jesus
demonstrava depender de Deus. Tanto é assim que o chama
de Pai, evidenciando sua eterna submissão e obediência à
vontade divina, à qual, queiramos ou não, nos
submetemos, por ser Ele o Divino Criador de tudo e de
todos, dos céus, da Terra e de tudo o mais.
Donde,
expressando-nos em aspecto algo matemático, dir-se-ia
que o nosso coração, ou nosso proceder ético em seu
ponto culminante (ou máximo), igualar-se-ia ao de nosso
Senhor Jesus Cristo:
ET.máx =
Cristo
Porém, a
sabedoria do filho será sempre e eternamente menor que a
Sabedoria do Pai; donde temos:
SAB.filho
< SAB.Pai
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