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Liberdade de pensamento
Ah, a liberdade de ser o que se é, a liberdade de ir
onde o Espírito queira estar... Ah, a liberdade de ser
autônomo, senhor de si! Escolher o caminho, tomar a
decisão que mais agrade, satisfazendo a consciência!
Mesmo que se esteja com o corpo cercado por muros, o
pensamento pode estar lá fora quando e quanto se
queira. Mesmo que se sofra as pressões do arbítrio
alheio, o pensamento pode ir onde deseje, livre como um
pássaro atravessando os mares. Ainda que se seja forçado
a ver com olhos de outrem, o pensamento livre
representará a vontade do Espírito. O pensamento não
pode ser aprisionado, tem asas, e o Espírito está onde
está o seu pensamento.
... “o pensamento não conhece entraves. Pode-se impedir
a sua manifestação, mas não aniquilá-lo” (1). Pelo
pensamento, o homem é responsável perante Deus. Já a
liberdade de expressa-lo exige respeito ao direito do
outro e eventual sujeição aos códigos jurídicos de
penalidades.
Poderia ser bem maior o número dos que procuram ser
livres, dos que se negam a seguir manadas, dos que
consultam o pensamento íntimo antes de escolher ou
decidir. Pessoas assim são mais seguras e estão mais bem
preparadas para influir positivamente na sociedade. São
mais capazes para auxiliar aos que estão submetidos
ingênua e credulamente às múltiplas formas de prisão.
Embora não haja liberdade absoluta, pois uns necessitam
dos outros, os homens nascem para exercer a sua
liberdade. Mas poucos têm a consciência de que a
natureza os dotou dessa faculdade. A maioria,
infelizmente, se sujeita docilmente a vontades
estranhas, sem pensar se isso atende ao seu verdadeiro
interesse.
É fundamental, portanto, esclarecer e educar os ingênuos
e distraídos para que percebam esse seu estado de
fragilidade, que pode ser revertido. É necessário
ensinar, “pela doçura e a persuasão, e não pela força”
(2), como é bom ter opinião fundamentada, ser dono da
própria vontade, pisar o chão firme da realidade, e ter
a certeza de que quem oprime e mantem as mentes
escravizadas não está bem intencionado, apenas quer
controlar para explorar.
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(1) P.833, O Livro dos Espíritos,
Allan Kardec.
(2) P.841, O Livro dos Espíritos,
Allan Kardec.
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