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por Altamirando Carneiro

 

Jesus e as bases para a fé raciocinada


Jesus foi o Mestre dos mestres e o médico das almas. E, como Mestre dos mestres, sua pedagogia foi incomparável. É sobre isso que quero fazer um breve comentário.

Quando os fariseus e os chamados doutores da lei faziam perguntas — muitas delas capciosas — a Jesus, ele nunca respondia diretamente à indagação; antes, formulava outra pergunta ao interpelante, levando-o a raciocinar e até mesmo a mudar de opinião sobre o assunto.

Assim aconteceu quando ele proferiu a Parábola do Bom Samaritano (Lucas, 10:25-37), após um doutor da lei perguntar-lhe o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus lhe disse: “Que está escrito na lei? Como lês?”. Respondeu o doutor da lei: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo”. Jesus recomendou: “Respondeste bem; faze isso, e viverás”.

Contudo, o doutor da lei não se deu por vencido. Querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”. Então, Jesus contou a Parábola do Bom Samaritano e, ao final dela, perguntou qual dos homens que encontraram o ferido na estrada — o sacerdote que o ignorou, o levita que fingiu não vê-lo ou o samaritano que o socorreu — havia sido o próximo daquele que caíra nas mãos dos salteadores. O doutor da lei respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele”. E Jesus lhe recomendou: “Vai e faze da mesma maneira”.

Ensinando o homem a pensar, Jesus lançou as bases para a fé raciocinada, valorizada pelo Espiritismo. É a fé que acredita por meio da lógica, enquanto a fé cega, que nada examina, pode aceitar o falso como verdadeiro, chocando-se com a evidência e a razão e conduzindo, muitas vezes, ao fanatismo.

O Espiritismo fala da fé humana e da fé divina. Nesse ponto, Jesus demonstrou o poder da fé não somente por suas palavras, mas também por seus atos, evidenciando que a fé deve brotar dentro de nós mesmos. A lei de adoração, bem explicitada em O Livro dos Espíritos, faz com que — tomando como nossas as palavras de J. Herculano Pires, no livro O Evangelho de Jesus em Espírito e Verdade, da Editora Paidéia — “essa fé germine dentro de nós; mas é a razão que lhe dará força, estabilidade e o condicionamento necessário para que ela se desenvolva como um poder crescente dentro de nossa vida, à proporção que avançamos no conhecimento da verdade”.

Em mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel afirmou que Jesus é a porta; Allan Kardec é a chave. Essa frase resume a relação entre os ensinamentos de Jesus e a Doutrina Espírita.
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita