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Jesus e as bases para a
fé raciocinada
Jesus foi o Mestre dos
mestres e o médico das
almas. E, como Mestre
dos mestres, sua
pedagogia foi
incomparável. É sobre
isso que quero fazer um
breve comentário.
Quando os fariseus e os
chamados doutores da lei
faziam perguntas —
muitas delas capciosas —
a Jesus, ele nunca
respondia diretamente à
indagação; antes,
formulava outra pergunta
ao interpelante,
levando-o a raciocinar e
até mesmo a mudar de
opinião sobre o assunto.
Assim aconteceu quando
ele proferiu a Parábola
do Bom Samaritano
(Lucas, 10:25-37), após
um doutor da lei
perguntar-lhe o que
deveria fazer para
herdar a vida eterna.
Jesus lhe disse: “Que
está escrito na lei?
Como lês?”. Respondeu o
doutor da lei: “Amarás
ao Senhor teu Deus de
todo o teu coração, de
toda a tua alma, de
todas as tuas forças e
de todo o teu
entendimento, e ao
próximo como a ti
mesmo”. Jesus
recomendou: “Respondeste
bem; faze isso, e
viverás”.
Contudo, o doutor da lei
não se deu por vencido.
Querendo justificar-se,
perguntou a Jesus: “E
quem é o meu próximo?”.
Então, Jesus contou a
Parábola do Bom
Samaritano e, ao final
dela, perguntou qual dos
homens que encontraram o
ferido na estrada — o
sacerdote que o ignorou,
o levita que fingiu não
vê-lo ou o samaritano
que o socorreu — havia
sido o próximo daquele
que caíra nas mãos dos
salteadores. O doutor da
lei respondeu: “O que
usou de misericórdia
para com ele”. E Jesus
lhe recomendou: “Vai e
faze da mesma maneira”.
Ensinando o homem a
pensar, Jesus lançou as
bases para a fé
raciocinada, valorizada
pelo Espiritismo. É a fé
que acredita por meio da
lógica, enquanto a fé
cega, que nada examina,
pode aceitar o falso
como verdadeiro,
chocando-se com a
evidência e a razão e
conduzindo, muitas
vezes, ao fanatismo.
O Espiritismo fala da fé
humana e da fé divina.
Nesse ponto, Jesus
demonstrou o poder da fé
não somente por suas
palavras, mas também por
seus atos, evidenciando
que a fé deve brotar
dentro de nós mesmos. A
lei de adoração, bem
explicitada em O
Livro dos Espíritos,
faz com que — tomando
como nossas as palavras
de J.
Herculano Pires,
no livro O
Evangelho de Jesus em
Espírito e Verdade,
da Editora
Paidéia — “essa
fé germine dentro de
nós; mas é a razão que
lhe dará força,
estabilidade e o
condicionamento
necessário para que ela
se desenvolva como um
poder crescente dentro
de nossa vida, à
proporção que avançamos
no conhecimento da
verdade”.
Em mensagem psicografada
por Francisco
Cândido Xavier,
Emmanuel afirmou que
Jesus é a porta; Allan
Kardec é a chave.
Essa frase resume a
relação entre os
ensinamentos de Jesus e
a Doutrina Espírita.
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