|
Natural de Pouso
Alegre (MG),
onde também reside, Leonardo
de Souza Hallak (foto) exerce
a profissão de contador e vincula-se ao Centro
Espírita Amor e Humildade – Casa de Eurípedes
Barsanulfo. Não ocupa cargo diretivo, mas
atua nos passes, no atendimento fraterno e como
coordenador de estudos. Também palestrante,
conversamos sobre sua vivência espírita.
Como conheceu o Espiritismo?
Minha mãe é espírita e, apesar de meu pai não
ser adepto de nenhuma religião quando em vida
(mas tinha uma confiança em Deus invejável),
posso me considerar um espírita de berço, pois
minha mãe sempre nos levava aos centros, já que
buscava ser uma trabalhadora na causa. Desta
forma, desde pequeno eu e minha irmã
frequentávamos o centro espírita e conhecíamos a
doutrina.
O que mais lhe chamou atenção?
Quando criança, sempre me chamavam a atenção a
vontade de minha mãe (e dos demais
trabalhadores) de ajudar nos trabalhos da Casa
Espírita, seja nas funções de limpeza ou nas
atividades doutrinárias. Quando fui ficando mais
velho – na juventude nunca frequentei a
mocidade, pois, sinceramente, tinha dificuldades
de socialização –, frequentava as palestras com
minha mãe, e o que me chamava a atenção era como
parecia que o que era falado nas palestras,
tanto a parte evangélica (moral) quanto a parte
doutrinária, parecia estar relembrando um
conhecimento que já estava presente em meu
Espírito. Desde o começo, o Evangelho de Jesus e
a lógica da Doutrina me despertavam grande
interesse.
E atualmente como considera a contribuição do
Espiritismo para uma sociedade melhor?
Como praticante do Espiritismo, consigo
claramente entender que o entendimento da
verdadeira vida (espiritual) acontece quando
voltamos nossos olhos para esta vivência
espiritual. Agora estamos neste plano material,
em um processo para desenvolver o Espírito.
Quando todos, no futuro, tiverem esta
consciência, a mudança dos hábitos e a
aniquilação do egoísmo certamente serão a
alavanca transformadora de nosso mundo.
Mas, no momento atual, olhando como um todo,
creio que a principal missão do Espiritismo é a
formação do homem de bem, o lado moral, a
formação do caráter. Creio que isso está mais
ligado às necessidades da sociedade no momento.
Nesse contexto de melhora individual, como situa
a proposta de Jesus?
Neste contexto, como não poderia ser diferente,
tendo em vista que a Doutrina Espírita tem, em
essência, nosso Mestre Jesus
Cristo, seus ensinamentos morais e todo o
seu evangelho de amor, perdão, caridade e
compaixão, a proposta de Jesus se torna clara:
devemos alcançar estes objetivos.
Quando diz “se quiser vir a mim, renuncie a si
mesmo, pegue sua cruz e siga-me”, aponta a
necessidade de transformação íntima, no controle
das paixões e no desenvolvimento deste homem
integral, um homem em que o lado moral está
acima de qualquer interesse pessoal e em que só
podemos alcançar isso com os ensinos de Jesus,
colocando em prática, em nossa vivência diária,
seus ensinamentos.
Considera que esse esforço é capaz de contribuir
para a felicidade pessoal e coletiva, diante da
diversidade reinante no planeta, especialmente
considerando os diferentes estágios de
amadurecimento e interesse?
Na verdade, este processo de reforma individual
é o único processo que existe para esta
transformação. Quando todos tiverem realizado
esta transformação moral, o mundo terá realizado
sua transição. Individualmente, sei que pode
parecer utópico, mas nossa primeira missão é
conosco mesmos. Quando nos esforçamos para esta
transformação individual, apesar do contraste
com o mundo, vamos conquistando a paz de
consciência e alcançando o objetivo que foi
proposto por Deus, nosso Criador. Apesar das
dificuldades, vamos encontrando sentido e
propósito em nossa vida e, desta forma, vamos
encontrando, aos poucos, a verdadeira felicidade
possível neste planeta.
Muitos desconhecem ou desprezam a necessidade de
mudança interior para melhor, permanecendo com
ampla valorização aos vícios, ao materialismo
etc. De que forma podemos, como espíritas,
contribuir para nosso próprio despertamento
individual e também sensibilizar outras pessoas,
próximas ou não?
Mesmo sendo espíritas e tendo todo o
conhecimento da vida espiritual, temos muitas
dificuldades em não viver este materialismo que
o mundo nos exige e viver a verdadeira vida
espiritual. Não negamos a necessidade da vida
material, pois é neste mundo material que o
Espírito é justamente colocado à prova.
Mas lembremos o próprio Cristo ao dizer: “Dê a
César o que é de César, mas dê a Deus o que é de
Deus”, ou quando diz: “Viva para o Reino de Deus
e tudo o mais será acrescentado”. Mas estamos
longe de entender e viver estes ensinamentos.
Nos perdemos no mundo e vivemos como se esta
nossa vida terrena fosse o fim, mas o
Espiritismo e Jesus nos mostram que ela é o
meio, o caminho para se alcançar um objetivo
maior, que não é o céu conhecido por diversas
tradições, mas a conquista de nós mesmos.
Quando entendemos que nós somos o nosso
propósito e nos colocamos no esforço diário de
nos melhorarmos, passamos a sensibilizar os que
estão à nossa volta com o nosso imperfeito, mas
verdadeiro esforço de aplicar os ensinos de
Jesus.
Considera que a atuação dos centros espíritas
corresponde a esse objetivo ou necessitam
aprimorar-se também, como instituições? Como?
Os centros espíritas sempre foram e sempre vão
ser uma casa de Jesus – uma casa de socorro para
aqueles que procuram curar suas dores, uma
escola para quem deseja aprender os valores do
Cristo. Mas destaco, em minha opinião, cuidados
necessários que devemos tomar nas casas.
O primeiro ponto são as atividades sociais. Em
tempos de assistencialismo governamental (que é
importante), não podemos esquecer nosso dever de
assistir os mais necessitados, pois, senão, as
casas espíritas vão se tornar apenas locais de
estudo, o que é extremamente importante para
desenvolver o autoconhecimento e a necessidade
de mudança íntima, mas que precisa estar
acompanhado da prática da caridade, seja dentro
ou fora do centro.
Todavia, destaco a importância de a casa ser um
ponto de partida para esta prática da caridade,
não somente material, mas também da fraternidade
com o próximo.
Outro ponto que destaco é que, apesar de não ser
uma religião proselitista, não podemos deixar de
ver que os tempos mudaram, e hoje há uma maior
necessidade de divulgação da causa espírita
através das redes sociais e meios tecnológicos,
não no intuito de conversão, mas sim de
divulgação.
Algo marcante para relatar de sua vivência
espírita?
Tenho alguns relatos em minha vida que muito me
marcaram profundamente e fortaleceram minha
crença na existência de uma verdadeira vida e de
um propósito muito maior do que a vida terrena.
Dentre uma das vivências, posso destacar o meu
próprio retorno a este propósito.
Dos meus 14 aos 28 anos de idade, não
frequentava nenhuma casa espírita ou qualquer
ligação religiosa, nem mesmo estava realmente
conectado com Deus. Apesar de estar vivendo em
relativo conforto material e físico,
encontrava-me com um vazio existencial
inexplicável, como se nada mais fizesse sentido.
Obviamente influenciado por bons espíritos,
surgiu uma grande vontade de procurar uma casa
espírita, e o fiz. Lá, através de estudos e
trabalhos, pude reencontrar este propósito e,
desde então, venho estando ativo no movimento
espírita e tentando, na medida do possível, o
trabalho com Jesus.
Algo mais a acrescentar?
Não, somente agradecer a oportunidade de,
através da divulgação da Doutrina dos Espíritos,
ter a oportunidade de divulgar Jesus.
Suas palavras finais.
Acredito sinceramente que nossa melhora íntima,
apesar de todas as dificuldades, é possível. Mas
não acontece da noite para o dia, nem acontece
depois de um despertar espiritual mágico; vem
através de muito esforço e vontade, renúncia e
sacrifício de nós mesmos.
Mas temos o melhor Mestre, que é o próprio
Caminho, Verdade e Vida, e ele nunca nos
desampara. Sigamos fortes, pois, como nosso
Mestre Jesus disse: “No mundo tereis aflições,
mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo”. Com
isso, abriu este caminho para que nós também
possamos vencer!
 |